UOL Notícias Internacional
 

17/09/2004

Somente uma teoria da conspiração explica Bush

The New York Times
Maureen Dowd

Colunista do NYTimes
Os democratas andam com o moral baixo. Eles têm-se escondido atrás de portas trancadas, sussurrando que se algum dia for demonstrado que os republicanos estão por trás disso tudo, o fato seria tão estranhamente maquiavélico, estaria tão além da capacidade dos democratas, que eles deveriam simplesmente desistir e entregar a eleição agora --antes que os republicanos precisem se dar ao trabalho de roubá-la novamente.

Mas não há evidência alguma --neste momento se trata somente de uma fantasia ilógica e paranóica. Mas o fato revela o nervosismo dos democratas, que têm-se consumido em especulações para determinar se Karl Rove, o mestre dos truques sujos e especialista em sordidez, poderá ter envolvido a CBS em um diabólico ataque preventivo para minar as revelações negativas sobre as irregularidade envolvendo a atuação de Bush na Guarda Nacional, e a sua estranha recusa em se submeter a um exame físico obrigatório.

Segundo essa vasta teoria de conspiração de esquerda, Rove vê a forma como Bush se esquiva como evidências e transfere esse raciocínio para os documentos que parecem ser fraudulentos, canalizando-o, a seguir, para terceiros, como Dan Rahter, o inimigo de Bush-Pai no escândalo Irã-contras. Uma cesta perfeita.

A secretária do comandante do esquadrão de W na Guarda do Texas disse a The New York Times que a informação contida nos documentos polêmicos é verdadeira --segundo ela, apenas os memorandos parecem ser falsos.

"Parece que alguém pode ter lido os originais e compilado todo o material", diz uma lúcida Marian Carr Knox, de 86 anos, que foi levada até Nova York na última quarta-feira por perturbados executivos da CBS News.

Ela disse a Rather que o seu patrão, o tenente-coronel Jerry Killian, escreveu um "arquivo para proteger a sua retaguarda", e um "jornal pessoal" para manter um registro sobre Bush, já que se preocupava com o fato deste seu subordinado possuir contatos políticos influentes.

Ela disse que o conteúdo dos arquivos do comandante era semelhante ao dos documentos da CBS, mas afirmou que estes últimos não estavam redigidos nos formulários apropriados e que continham termos típicos do Exército e não da Guarda Nacional. Ela confirmou que Bush desobedeceu a uma ordem direta de Killian para se submeter a um exame físico.

"Não cumprir ordens era uma falta muito grave", diz ela, acrescentando que a atitude de Bush, procurando se colocar acima das regras, causou ressentimentos contra o presidente entre alguns outros oficiais.

Aqueles que suspeitam de Rove lembram que ele era o encarregado da campanha de Bill Clement na eleição de 1986 pelo governo do Texas quando foi acusado de instalar dispositivos de escuta no seu próprio escritório para desviar as atenções de um debate, segundo James Moore e Wayne Slater, autores do livro "Bush's Brain" ("O Cérebro de Bush"). Eles disseram que isso mudou o rumo da eleição porque, após o fato os democratas não conseguiram mais qualquer atenção.

Será que o mesmo cenário se desenrolava na tarde da última quarta-feira na CNN? Após uma narrativa de cinco minutos a respeito da controvérsia do documento da CBS, a CNN passou cerca de 30 segundos anunciando a morte de dois fuzileiros navais no Iraque.

Parlamentares republicanos começaram a exigir uma investigação congressual dos documentos utilizados pelo programa "60 Minutes", alegando que aquilo poderia ser uma tentativa de manipular a eleição (Mas não é isso o que os democratas temem que os republicanos estejam fazendo?).

Esses mesmos republicanos jamais quiseram que fossem realizadas investigações sobre as armas de destruição em massa desaparecidas, sobre a razão de o Congresso ter aprovado uma legislação para o Medicare baseada em números imprecisos, sobre a prisão Abu Ghraib ou até mesmo para determinar se o grupo das Lanchas Rápidas de Combate (que veiculou propagandas extremamente agressivas contra Kerry) estaria mentindo.

A paranóia democrata é uma medida da intimidação que a Casa Branca está fazendo em uma disputa na qual John Kerry parece ser incapaz de tirar vantagem de quaisquer das cada vez mais calamitosas tolices cometidas pelo governo Bush.

O governo tem-se dedicado com tanto afinco a enganar a população com suas besteiras audaciosas que os democratas temem que os correligionários de Bush sejam capazes de recorrer a qualquer tipo de embuste.

O Iraque parece um pedaço do inferno, e os republicanos agem como se aquele país fosse uma cozinha modelo. Tanto o presidente como o vice se gabam de terem libertado os iraquianos e asseguram estar contendo a violência terrorista na sua fonte e inspirando a democracia na região ao levá-la até o sanguinolento Iraque.

Mas o que eles não mencionaram foi que sabem desde julho que os seus cenários róseos são tão falsos quanto as suas armas de destruição em massa. Foi quando o presidente recebeu uma estimativa nacional de inteligência que falou de "uma avaliação sombria das perspectivas para o Iraque" nos próximos 18 meses, conforme escreveu na última quinta-feira Douglas Jehl no NYTimes. As estimativas para o pior cenário incluem uma guerra civil e a disseminação da anarquia.

Ao contrário do presidente, os jovens homens e mulheres que tentam ficar vivos no turbilhão de caos que é o Iraque não podem contar com os seus pais para tirá-los da frente de combate. Como democratas não conseguem expor mentiras e manipulações? Danilo Fonseca

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