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18/09/2004

Ford prevê lucro maior e quer reestruturar Jaguar

The New York Times
Danny Hakim*
Em Detroit
A Ford Motor Company aumentou nesta sexta-feira (17/09) as suas expectativas de lucro para o terceiro trimestre e anunciou o início de um plano de reestruturação para a sua problemática divisão Jaguar.

Como parte do plano, a Ford demitirá 1.115 funcionários na Inglaterra, grande parte deles empregados da fábrica Browns Lane, em Coventry, construída há 53 anos, e que será fechada. A companhia anunciou ainda que a Jaguar venderá a sua unidade de Fórmula Um e se dedicará aos seus negócios centrais.

"As medidas que estamos tomando hoje, embora difíceis, são totalmente necessárias para colocar a Jaguar de volta nos trilhos", diz Jim Padilla, chefe de operações da Jaguar.

Em relação à companhia como um todo, a Ford informou que os cortes de despesas e o fortalecimento da sua divisão de empréstimo continuarão a possibilitar melhores resultados, ainda que o valor de suas ações nas bolsas de valores esteja despencando nos mercados domésticos.

Atualmente a Ford espera operar com rendimentos de 10 a 15 centavos por ação no terceiro trimestre, o que significaria um aumento total de US$ 176 milhões em relação a uma previsão anterior baseada em um preço de cinco centavos por ação.

As expectativas mais elevadas de rendimentos operacionais serão contrabalançadas por uma despesa de US$ 375 milhões com reestruturação que a companhia investirá na Jaguar neste ano, a maior parte dessa quantia relativa ao terceiro trimestre.

No ano que vem, a Ford reservará outros US$ 75 milhões para o projeto de reestruturação da Jaguar. Funcionários graduados da companhia disseram que o fechamento da unidade de montagem e a venda prevista da unidade de corrida seriam apenas o primeiro passo rumo à revitalização da marca Jaguar.

"Isso é um começo. É uma iniciativa que coloca a estrutura dos negócios na direção certa, e que coaduna a capacidade com as nossas expectativas de venda, mas que não consiste em uma resposta completa", disse, em uma conferência na sexta-feira, Don Leclair, diretor financeiro da Ford.

As ações da Ford aumentaram quase 2%, ou 27 centavos, chegando a US$ 14,22 na Bolsa de Valores de Nova York. As vendas da Jaguar caíram quase 12% neste ano nos Estados Unidos, o maior mercado para a marca, apesar do fato de a Ford estar aumentando as suas ofertas de incentivos. Em agosto, a Jaguar gastava uma média de US$ 4.937 por veículo em incentivos nos Estados Unidos, comparados a US$ 4.371 há um ano, segundo a Edmunds.com.

A companhia tem ainda promovido as vendas do seu sedã X-Type, o Jaguar mais barato e menos volumoso, ao vender o veículo para frotas de veículos de aluguel. Isso foi um fator determinante para reduzir o seu projetado valor de revenda; em um recente estudo, a Kelley Blue Book previu que o X-Type estará entre os dez automóveis que devem ter o menor valor de revenda nos próximos cinco anos.

Vários problemas têm afligido a marca, segundo Mark Fields, vice-presidente-executivo da Ford, que está comandando o Grupo Automotivo Premier da companhia, que inclui a Jaguar, assim como a Volvo, a Land Rover e a Aston Martin.

Fields diz que a Jaguar não possui um número suficiente de automóveis a diesel para atender à demanda na Europa e a procura por carros de luxo nos Estados Unidos se deslocou para os veículos utilitários esportivos, que a Jaguar não oferece. Os gastos com incentivos para a marca também prejudicaram as margens de lucro e o enfraquecimento do dólar reduziu significativamente as receitas das montadoras européias.

"Dada a natureza dessas questões, uma rápida reviravolta nos resultados dos negócios da Jaguar é improvável", afirma.

Os sindicatos britânicos anunciaram nesta sexta-feira que a Ford estaria quebrando promessas feitas seis anos atrás no sentido de manter a produção em Browns Lane e advertiu que greves são possíveis. "Não quero ser alarmista, mas haverá uma grande onda de raiva", adverte Derec Sipson, diretor da Amicus, o sindicato que representa os trabalhadores da Jaguar na fábrica.

"Nós nos preocupamos com a possibilidade de isso ser mais do que um simples fechamento de fábrica. A medida poderia ser parte de uma possível retirada das manufaturas do Reino Unido", acrescenta.

A Ford disse que a produção do seu sedã XJ e dos automóveis esportivos XK seria consolidada na sua fábrica vizinha em Castle Bromwich.

Coventry, na região central do país, já abrigou mais de cem produtores de carros e motocicletas, incluindo a Triumph e a Daimler. A Jaguar foi uma das poucas fabricantes de veículos que restaram. "Esse é um dia triste", diz John Gazey, prefeito de Coventry, que, como vários outros prefeitos anteriores de Coventry, dirige um Jaguar.

A reação do governo Britânico foi o silêncio. "O anúncio feito pela Ford foi um desapontamento óbvio, especialmente se considerarmos os esforços para melhorar a qualidade e a produtividade em Browns Lane", disse Patrícia Hewitt, secretária de Estado de Indústria e Comércio. "No entanto, devido ao mau desempenho financeiro das companhias, decisões difíceis precisam ser tomadas".

Os esforços da Jaguar reforçaram a dúvida de Wall Street quanto à possibilidade de o Grupo Automotivo Premier ter condições de ser o principal contribuinte para as receitas, conforme esperavam os diretores da Ford. Como parte do plano de reformulação da companhia anunciado no início de 2002, funcionários da Ford disseram que o Premier, assim como a marca doméstica de luxo da companhia, a Lincoln, responderiam por um terço dos rendimentos da Ford em meados desta década.

Porém, por ora, os negócios do Premier estão indo na direção errada. Na primeira metade deste ano, o grupo perdeu US$ 342 milhões, em contraste com um lucro de US$ 78 milhões obtido no mesmo período do ano passado.

"A Jaguar tem um longo caminho a percorrer até recuperar a saúde", disse John Casesa, analista da Merrill Lynch, em uma declaração na sexta-feira. "O anúncio de hoje gera dúvidas sobre o objetivo da Ford de obter um terço dos seus rendimentos do Grupo Automotivo Premier em meados desta década, ainda que a companhia esteja sendo fiel à sua meta", acrescentou.

"Ainda nos sentimos confortáveis com o alvo", diz Fields. "Estou observando esses quatro negócios diferentes, e cada um deles está em diferentes patamares de saúde", afirma. Embora o modelo empresarial da Jaguar seja "não sustentável", ele diz que as outras três marcas estão em situação melhor e poderiam ajudar a contrabalançar os prejuízos enquanto a Jaguar se recupera.

Quanto à equipe de Fórmula Um da Jaguar, adquirida em 2000, ele afirma: "O fato é que no momento não temos condições de mantê-la".

*Colaborou Heather Timmons, de Londres. Equipe na Fórmula Um será desativada e várias fabricas fechadas Danilo Fonseca

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