UOL Notícias Internacional
 

18/09/2004

Para americanos, Bush erra, mas deve continuar

The New York Times
Janet Elder* e

Adam Nagourney

Em Nova York
O senador John Kerry enfrenta obstáculos substanciais em sua tentativa de remover o presidente Bush. Os eleitores dizem que ele não explicou por que quer ser presidente e expressaram fortes dúvidas quanto à sua capacidade de administrar uma crise internacional, de acordo com a mais recente pesquisa de The New York Times/CBS News.

A menos de sete semanas do dia das eleições, os americanos continuam achando que o país está mal direcionado e estão descontentes com a forma que Bush gerenciou economia. Mesmo assim, o presidente tem uma vantagem sobre Kerry de oito pontos percentuais entre eleitores registrados, disse a pesquisa. Aparentemente, o resultado foi tão impulsionado pelo que Kerry fez de errado quanto pelo que Bush fez certo na campanha.

Em um sinal particularmente preocupante para Kerry, a maioria dos eleitores disse que ele está gastando tempo demais atacando Bush e falando sobre o passado, em vez de explicar o que faria se fosse presidente. Por outro lado, metade dos eleitores disse que Bush tinha oferecido uma visão clara do que gostaria de fazer em um segundo mandato.

Essa revelação, combinada com um antagonismo crescente a Kerry, mostra o desafio que o senador enfrenta ao tentar atacar Bush sem alienar os eleitores que não gostam de campanhas de difamação.

Os problemas de Kerry, aparentemente, foram agravados pelos ataques incessantes ao seu desempenho na guerra do Vietnã por um grupo de veteranos com laços com a campanha de Bush. Três quartos dos entrevistados disseram que tinham consciência das propagandas produzidas pelo grupo, que envolviam muitas acusações não fundamentadas pelos arquivos oficiais; desses, 33% disseram que a maior parte das acusações era verdadeira.

Mais de 60% dos entrevistados disseram que Kerry estava "escondendo alguma coisa" ou "mentindo", ao discutir seu serviço no Vietnã. Enquanto isso, 71% disseram que Bush estava "escondendo alguma coisa" ou "mentindo", ao falar sobre seu serviço na Guarda Nacional durante a guerra do Vietnã. Este assunto ocupou a imprensa e gerou questões sobre como ele conseguiu o disputado cargo de guarda fora de combate e se ele cumpriu o tempo exigido.

Dos entrevistados, 60% disseram que não tinham confiança em Kerry para lidar sabiamente com uma crise internacional, representando um salto dos 52% que obteve em junho.

Por outro lado, 48% disseram que não estavam à vontade com a habilidade de Bush de administrar uma crise no exterior. Por tudo isso, há sinais que as eleições ainda estão altamente competitivas, e que os debates poderão se provar cruciais nas esperanças de Kerry.

Os entrevistados disseram que estavam insatisfeitos com a forma que Bush cuidou da economia e do Iraque e disseram que suas políticas tinham causado um aumento nos custos dos remédios e diminuído o número de empregos.

Cerca de 80% dos entrevistados disseram que Bush estava "escondendo alguma coisa" ou "mentindo" ao falar da guerra no Iraque. Apesar de muitos eleitores desaprovarem a forma como Bush administrou a guerra, sua reprovação não é tão grave quanto antes da entrega do poder em junho --mesmo depois da milésima morte americana e um período em que Kerry aumentou seus ataques em relação à guerra. Muitos disseram que o Iraque tinha produzido mais baixas do que se esperava.

Pesquisas conflitantes

Esse levantamento e uma série de outros, nos últimos dias, chegaram a conclusões diferentes, sugerindo que o eleitorado está se modificando. Os resultados diferentes talvez reflitam a dificuldade de fazer pesquisas de opinião junto a um público equilibradamente dividido. Além disso, com o advento de telefones celulares, secretárias eletrônicas e aparelhos que identificam chamadas, ficou mais difícil entrevistar as pessoas por telefone.

Por exemplo, uma pesquisa do Centro de Pesquisa Pew e Harris Interactive divulgou, na última quinta-feira (18), que a disputa estava empatada. Uma pesquisa do Gallup no mesmo dia concluiu que Bush tinha uma vantagem de oito pontos percentuais entre os eleitores registrados e 13 pontos em prováveis eleitores.

Mesmo assim, a pesquisa do NYTimes/CBS sugeriu que Kerry enfrentará seis semanas difíceis. A percentagem de americanos que disseram que Kerry tinha exibido fortes qualidades de líder caiu em oito pontos desde o verão, para um total de 50%. Por outro lado, 63% disseram que Bush tinha exibido fortes qualidades de líder.

E na questão que Kerry esperava usar para chegar à Casa Branca --a economia-- ele não está se saindo muito melhor que Bush. Uma ligeira maioria, 51%, disse que não sentia segurança em relação à habilidade de Kerry de fazer decisões econômicas corretas, comparados com 56% que se sentem da mesma forma em relação a Bush.

No total, a pesquisa do Times/CBS concluiu que Bush tinha o apoio de 50% dos eleitores registrados, comparados com 42% de Kerry. Entre os que dizem que provavelmente vão votar, Bush está na frente, com 51% contra 42%. Quando o candidato independente Ralph Nader é computado, Bush fica com 50% das intenções de voto, contra 41% de Kerry e Nader com 3%, entre eleitores registrados.

Os assessores de Kerry disseram que acreditam que a vantagem esteja próxima de 2 ou 3%, enquanto que os assessores de Bush falaram em 5%.

A pesquisa do Times/CBS em todo o país entrevistou por telefone 1.088 eleitores registrados e foi conduzida entre domingo e quinta-feira. A margem de erro de amostra foi de mais ou menos três pontos percentuais.

Matthew Dowd, alto assessor de Bush, disse que Kerry enfrentará um difícil desafio de tentar reverter a tendência até novembro.

"Eles teriam que desafiar a história, a esta altura", disse ele. "Nenhum presidente no cargo perdeu com uma vantagem desse tamanho e com um índice de aprovação na presidência na casa dos 50 depois do Dia do Trabalho."

A percentagem de americanos que disseram aprovar o desempenho de Bush no cargo chegou a 50%, seu mais índice alto desde março, com ligeiro ganho em relação aos 45% de pouco antes da convenção Democrata.

Um alto assessor de Kerry, Joe Lockhart, disse que não achava que Bush tinha vantagem significativa, apontando para as novas pesquisas de Pew e Harris Interactive. Ele disse que Kerry tinha começado a apresentar seus planos para o futuro.

"Acho que ele passou esta semana falando sobre o presente", disse Lockhart. "O público está muito preocupado sobre aonde o país está indo e é importante ser franco sobre os problemas que temos --que o presidente preferiu ignorar ou dourar- e falar sobre o que vamos fazer com eles."

Segundo a pesquisa, 61% dos entrevistados acreditam que Bush vencerá as eleições no outono. Em março, pouco depois de Kerry vencer a nomeação, apenas 44% disseram que achavam que Bush venceria.

De qualquer forma, Bush está se provando um candidato resistente, que pode desafiar algumas tendências históricas. Ele abriu vantagem sobre Kerry apesar de as pesquisas mostrarem que o povo não está satisfeito com o rumo que o país está tomando.

Os assessores de Bush há muito argumentam que, por causa dos ataques terroristas de 11 de setembro, muitos americanos evitam culpar o presidente pelo que está acontecendo com o país.

Queda entre as mulheres

As dificuldades de Kerry em se definir --algo que os Democratas instaram-no por meses --foi refletida na pesquisa.

"Não tenho uma imagem clara o suficiente do programa de Kerry", disse George Adair, 50, Democrata do Alabama. "Acho que Kerry fez gol contra nessa área, ao dar tamanha importância a sua experiência no Vietnã. Não sei se o que aconteceu há 30 anos, em nenhum dos dois casos, tem muito a ver com sua atual capacidade como presidente."

Mary Crawford, 81, Democrata que mora em Lakeland, Flórida, disse que pretendia votar em Kerry porque acredita que Bush liderou a nação na direção errada. Mas ela ainda se preocupa com o fato de Kerry não ter explicado por que estava concorrendo.

"Acredito que Kerry verdadeiramente queira ver os empregos e os negócios de volta aos EUA, que quer ajudar as pessoas e acredita em cobertura médica. Acho que Kerry poderia explicar isso melhor."

Houve sinais de que os Republicanos tiveram sucesso em minar as credenciais de Kerry no combate ao terrorismo.

Metade de todos os eleitores registrados disse que tinha muita confiança na capacidade de Bush em proteger a nação de outro ataque terrorista, enquanto que 26% disseram que tinham certa confiança. Por outro lado, 26% tinham muita confiança na capacidade de Kerry de proteger a nação de outro ataque terrorista e 37% disseram que tinham certa confiança.

O item mais problemático para Kerry foi ter perdido terreno entre as eleitoras. Esse declínio foi atribuído por seu comitê ao esforço de Bush, em sua convenção, em lançar dúvidas sobre a capacidade de Kerry no combate ao terrorismo. Em julho, as mulheres apoiavam Kerry, por 52% a 40%; nesta última pesquisa, elas defenderam Bush por uma margem de 48% a 43%.

*Colaborou Fred Backus. Presidente lidera nova pesquisa, apesar de restrições a sua gestão Deborah Weinberg

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