UOL Notícias Internacional
 

19/09/2004

EUA descobrem seus reais inimigos: os barbudos

The New York Times
Jamie Malanowski

Em Nova York
Restando pouco mais de seis semanas para a eleição presidencial, nenhum candidato conquistou uma vantagem significativa. Nós estamos diante de uma eleição acirrada com muito em jogo, e raramente o futuro pareceu tão cheio de incógnitas importantes. Mas uma coisa está absolutamente certa: salvo uma decisão pessoal surpreendente, o homem que ocupará a Escritório Oval nos próximos quatro anos não terá barba ou bigode.

Este resultado certo significa que resta uma única eleição para termos um século completo de presidentes sem barba ou bigode. Desde 1913, quando o republicano William Howard Taft, que tinha bigode e suíças, deu lugar ao democrata Woodrow Wilson, de rosto limpo, nós não temos um presidente com pêlo facial.

O último candidato presidencial de grande partido com barba foi o republicano Charles Evans Hughes, que foi derrotado por margem estreita por Wilson em 1916. O último candidato de partido grande com bigode foi o republicano Thomas E. Dewey, que perdeu para o democrata Harry Truman em outra disputa apertada em 1948.

É verdade, alguns homens com pêlos faciais já se apresentaram para disputar o cargo --Jesse Jackson, Alan Keyes e Al Sharpton-- mas nenhum chegou longe. De fato, se você somar todos os votos para todos os candidatos barbeados para presidente no último século, e colocá-los ao lado de todos os votos para todos os candidatos com bigode ou barba, os candidatos barbeados venceriam por uma maioria risível, quase estilo soviética.

E você pergunta: e daí? A falta de pêlo facial é a norma deste século. É verdade que cerca de 10% dos homens americanos têm barba ou bigode; estatisticamente falando, entretanto, nós provavelmente deveríamos ter um ou dois candidatos adicionais por partido, e talvez até mesmo um presidente com barba ou bigode.

Mas o desvio não é imenso, especialmente quando você considera que a falta de pêlos faciais é a norma da profissão. Atores, artistas, cientistas, professores, barbeiros e um executivo ocasional não incomodam se tiverem pêlo facial. Líderes políticos, especialmente presidentes? Nós queremos ver seus rostos.

"Nós não necessariamente temos muita confiança em homens com pêlo facial", disse Jeff Greenfield, o analista político da CNN. "Nós aceitamos se o sujeito tiver um certo ar relaxado, como Tom Selleck. Mas um bigode em um sujeito vestindo terno sugere algo muito fechado, muito concentrados em detalhes. Como Billy DeWolfe."

Mas há uma segunda tendência, uma que acentua ainda mais a primeira: neste quase um século de liderança presidencial sem barba, quem liderou os inimigos dos Estados Unidos? Pense a respeito.

  • Pancho Villa. O sujeito tinha um bigode.

  • Kaiser Guilherme 2º, da Alemanha. O sujeito tinha um bigode pontudo.

  • Hitler. Um estúpido bigodinho.

  • Imperador Hirohito. Bigode.

  • Hideki Tojo. Bigode.

  • Stalin. Bigode grande.

  • Fidel Castro. Barba cheia.

  • Che Guevara. Barba.

  • Ho Chi Minh. Barba fina, estilo Fu Manchu.

  • Iasser Arafat. Barba áspera e irregular.

  • Aitolá Khomeini. Barba longa.

  • Osama bin Laden. Barba longa.

  • Saddam Hussein. Bigode cheio.

    Sim, quase todos com quem fomos à guerra tinha pêlo facial.

    Quando você tem um ou dois exemplares de algo, pode ser chamado de coincidência. Três ou quatro exemplos, você tem assunto para uma tese de mestrado. Quando você tem um século de evidências, você tem um paradigma, uma Lei de Ferro, algo que receberia sinal positivo de Oswald Spengler.

    Assim, não vamos temer admitir o óbvio: ao longo destas últimas 10 décadas, quando acreditávamos estar combatendo o militarismo, despotismo, fascismo, comunismo e o islamismo militante, o que estávamos realmente combatendo era o cultivo de barba.

    "Fu Manchu, Ming o Impiedoso, Snidely Whiplash, o Iron Sheik --todos os vilões têm barba", disse Greenfield.

    Não há fim para as intuições que podem ser obtidas usando esta nova base de compreensão da história. Considere quanto mais fortemente Franklin D. Roosevelt apoiou a Grã-Bretanha assim que o barbeado Winston Churchill substituiu o bigodudo Neville Chamberlain. Vejam a dificuldade que governos de ambos os partidos tiveram para lidar com o bigodudo Charles de Gaulle.

    Pense em quão fortemente os Estados Unidos sempre apoiaram Israel, com o qual compartilhamos não apenas tradições políticas e religiosas, mas também uma forte preferência por líderes políticos sem pêlos faciais (descontando aqueles poucos pêlos espalhados no lábio de Golda Meir) em vez dos mais hirsutos Nassers, Husseins e Assads.

    Claramente, tudo o que os palestinos teriam que fazer para mudar a balança no Oriente Médio é comprar um Gillette Mach 3 Turbo e creme de barbear.

    Pense em quão profundamente divididos os americanos se sentiram sobre Bill Clinton, que governou com rosto barbeado, mas cuja juventude com barba parecia sempre estar logo abaixo da superfície.

    Finalmente, considere quão audacioso foi o presidente Bush ao achar que Saddam Hussein, e seu bigode preto e espesso, tinha armas de destruição em massa, e quão pacientemente ele tratou Kim Jong Il, da Coréia do Norte, que tem armas de destruição em massa, mas nenhum pêlo facial, só um corte de cabelo engraçado.

    Será que isto pode mudar? "O senador Jon Corzine e sua barba nos mostrou em Nova Jersey que, se você gastar dinheiro suficiente, tudo é possível", disse Lawrence O'Donnell Jr., um roteirista do seriado "The West Wing" e comentarista político da MSNBC.

    "Desde a Segunda Guerra Mundial, o estilo político americano, assim como a cultura pop americana, tem conquistado o mundo. Não há dúvida em minha mente de que se o senador Corzine conseguir se eleger presidente, em questão de três ou quatro reuniões do G-8 você verá mais algumas barbas na foto de grupo fora a dele."

    Deixando os adeptos da teoria de história baseada em folículos se perguntando: então, quem serão nossos inimigos? Os maiores oponentes do país usaram ou usam barba ou bigode George El Khouri Andolfato
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