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21/09/2004

Bush pode ter exagerado risco do Iraque, diz CIA

The New York Times
Douglas Jehl

Em Washington
O deputado Porter J. Goss, o indicado ao cargo de diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), disse nesta segunda-feira (20/09) que algumas declarações pré-guerra de altos membros do governo Bush podem ter sido extrapolações exageradas da inteligência disponível sobre a ameaça representada pelo Iraque.

Sob forte questionamento de um democrata do senado, Goss, republicano da Flórida, disse concordar que as declarações do vice-presidente Dick Cheney e de Condoleezza Rice, que associavam os ataques de 11 de setembro à Al Qaeda e a um programa ativo de armas nucleares, parecem ter ido além do que estava exposto nos relatórios de inteligência da época.

O reconhecimento de Goss poderá alimentar as críticas democratas de que Bush e seus conselheiros exageraram a ameaça representada pelo Iraque antes da guerra. Os democratas fracassaram neste ano em persuadir os republicanos a incluírem conclusões relacionadas ao uso de inteligência por parte do governo no relatório sobre o Iraque do Comitê de Inteligência do Senado, que foi concluído em julho.

Goss, que chefiou o Comitê de Inteligência da Câmara, disse não acreditar que alguém no governo tenha "descaracterizado ou usado indevidamente inteligência de forma deliberada" antes da guerra no Iraque.

Mas ele disse que, se for confirmado como chefe da inteligência, ele se sentirá obrigado a corrigir as declarações equivocadas ou desinformação, apesar de ter dito que poderá não fazê-lo publicamente.

"Se for confrontado com tal hipótese, onde sinta que um autor de política está indo além do que disse a inteligência, eu acho que aconselharia a pessoa envolvida", disse Goss em resposta a uma pergunta do senador Carl M. Levin, democrata de Michigan. "Eu acredito que seria um caso que me mobilizaria, caso venha a ser confirmado. Sim, senhor."

Todos os exemplos comentados por Goss foram apresentados por Levin. Eles incluíam uma declaração de dezembro de 2001, na qual Cheney disse que um encontro em Praga entre um seqüestrador de 11 de setembro, Mohammed Atta, e um oficial iraquiano tinha sido "confirmado", e uma declaração de Rice, de setembro de 2002, dizendo, primeiro, que tubos de alumínio que estavam sendo importados pelo Iraque "só serviam para programas de armas nucleares" e, segundo, que "nós sabemos" que o Iraque forneceu treinamento de desenvolvimento de armas químicas para a Al Qaeda.

Todas estas três afirmações foram desacreditadas, e relatórios recentes da comissão independente sobre 11 de setembro e do Comitê de Inteligência do Senado sugerem que todos as três excederam a inteligência disponível na época.

Em cada caso, Goss alertou não saber que informação Cheney e Rice usaram como base para suas declarações. Ele disse acreditar que o Iraque forneceu algum treinamento não especificado para a Al Qaeda, apesar de ter se recusado a elaborar.

Mas ele disse sobre a afirmação pública de Cheney de 9 de dezembro de 2001, sobre Atta e o encontro com um oficial iraquiano em Praga, por exemplo: "Eu não acho que tenha sido tão bem confirmado quanto o vice-presidente achava. Mas eu não sei o que se passava na mente do vice-presidente, e certamente nunca conversei com ele sobre isto. Assim, não sei como ele chegou a tal conclusão".

Goss disse que a declaração de Rice de 8 de setembro de 2002 sobre os tubos de alumínio parecem ter sido "um exagero", em comparação com as conclusões apresentadas em uma estimativa nacional de inteligência da mesma época.

Ele disse que a declaração de Rice de 25 de setembro de 2002, vinculando o Iraque a treinamento para a Al Qaeda, se foi baseada exclusivamente nas evidências que se tornaram públicas até o momento, estaria em uma categoria na qual "eu me sentiria obrigado a perguntar à conselheira de segurança nacional qual foi a base para tal declaração".

No início deste ano, George J. Tenet, na época ainda diretor da CIA, disse ao Congresso que ele corrigiu os membros do governo Bush, incluindo Cheney, sobre várias declarações, incluindo as que associavam Atta a um encontro em Praga.

Goss, que passou quase 16 anos no Congresso, se esquivou de qualquer crítica aberta a Bush e seus principais assessores. Ao mesmo tempo, ele parecia determinado a tranqüilizar os democratas de que deixará as políticas partidárias de lado caso seja confirmado, e prometeu ser um chefe de inteligência objetivo, independente e não-partidário.

O comitê do Senado marcou a votação para a indicação de Goss para a manhã desta terça-feira (21). Dos sete democratas do comitê, apenas Levin; o vice-presidente da comitê, Jay Rockefeller, de Virgínia Ocidental; e Ron Wyden, do Oregon, participaram da sessão de segunda-feira; quatro dos oito republicanos do comitê estiveram presentes.

Isto por si só sugeriu que a indicação de Goss está enfrentando pouca oposição real. Funcionários do Congresso de ambos os partidos disseram que esperam que Goss obtenha a grande maioria dos votos do comitê, abrindo o caminho para que ele seja confirmado pelo Senado pleno, possivelmente já nesta semana. Os líderes republicanos do Senado ainda não anunciaram a data para o debate no plenário.

A audiência de segunda-feira, que durou menos de duas horas, apresentou menos confrontos do que a sessão de quatro horas e meia da terça-feira passada. Mas os esforços dos democratas para caracterizar Goss como partidário provocou protestos dos republicanos, incluindo o senador Pat Roberts de Kansas, o presidente do comitê, que acusou os democratas de se estenderem no assunto para seus próprios fins partidários. Afirmação é do diretor da agência indicado pelo próprio presidente George El Khouri Andolfato

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