UOL Notícias Internacional
 

21/09/2004

Eficiência do Prozac é contestada nos EUA

The New York Times
Benedict Carey

Em São Paulo
Semana passada, especialistas num debate de caráter federal advertiram as autoridades sobre os perigos das drogas anti-depressivas --não só esses remédios aumentam o risco de suicídio entre algumas crianças, como também a maioria deles tem um desempenho pífio na cura de suas doenças.

Essa recomendação surge após um debate que estendeu por um ano, questionando se os remédios anti-depressivos são mesmo tão seguros e eficazes como é anunciado nas propagandas. A advertência é baseada em evidencias de que uma pequena minoria de crianças mostra sinais crescentes de comportamento suicida quanto toma essas drogas.

Em toda essa discussão, uma das drogas parece estar acima das controvérsias --o Prozac. Embora o novo alerta seja válido tanto para esse remédio quanto para os outros, o Prozac ainda é o único recomendado pelo órgão especializado de controle de drogas e alimentos nos Estados Unidos, a Food and Drug Administration, para o tratamento da depressão em crianças e adolescentes.

Um amplo estudo financiado pelo governo recentemente constatou que o Prozac funciona melhor que a chamada terapia falada no combate à depressão entre os adolescentes. E quando as autoridades britânicas da área de saúde anunciaram uma vasta proibição do uso de antidepressivos entre as crianças, gerando debates no ano passado, essas autoridades especificamente excluíram o Prozac dessa condenação.

Embora tenha composição química distinta da apresentada por outras drogas da mesma categoria, o Prozac atua dentro do mesmo princípio, dizem esses especialistas, e não há provas de que seja significativamente mais seguro ou eficaz que os outros remédios no combate à depressão infantil.

Mas várias experiências já demonstraram que o Prozac pode aliviar os sintomas da depressão em crianças e adolescentes bem mais do que pílulas-placebo. Provas assim tão evidentes não puderam ser apresentadas em relação aos outros remédios da categoria. Mas, segundo psiquiatras pesquisadores, isso não significa que essas drogas não funcionem quando ministradas aos jovens --só indica que ainda não foram testadas da maneira mais adequada.

"Não faz sentido, do ponto de vista científico, que venha a se encontrar alguma diferença significativa entre os efeitos provocados por esses remédios", disse Steven Hyman, psiquiatra de Harvard e ex-diretor do Instituto Nacional para a Saúde Mental, que não trabalha como consultor para os fabricantes de antidepressivos. "Todos eles visam e priorizam a ação sobre a mesma molécula no cérebro."

Já John M. Plewes, consultor médico da empresa Eli Lilly, fabricante de Prozac, não concorda que as diferenças entre os remédios seja assim tão mínima. "Temos muito bons indícios de que o remédio é seguro e eficaz no uso entre as crianças, sendo que nenhum outro remédio (da categoria) apresenta esse tipo de evidência", disse o consultor.

O Prozac foi o primeiro remédio antidepressivo no mercado a atuar basicamente por meio da serotonina. Outros que vieram depois --incluindo o Paxil, da GlaxoSmithKline; o Zoloft, da Pfizer; e o Celexa, da empresa Forest Laboratories-- são o que alguns pesquisadores consideram imitações ou genéricos da categoria "eu também resolvo". Pesquisadores apontam falta de testes definitivos sobre a remédio Marcelo Godoy

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