UOL Notícias Internacional
 

22/09/2004

Bush defende as guerras para combater tiranias

The New York Times
Steven R. Weisman

Na sede da ONU, em NY
O presidente Bush disse para enviados e líderes estrangeiros céticos, nesta terça-feira (21/09), que o Iraque está a caminho da estabilidade e da democracia, e pediu por uma "nova definição de segurança" que permita que as nações atuem juntas para estender a liberdade a países tomados pela tirania.

Em seu quarto discurso anual para a Assembléia Geral da ONU, Bush defendeu a guerra liderada pelos Estados Unidos no Iraque. Ele falou de forma franca, com um ocasional tom desafiador, rebatendo a afirmação do secretário-geral Kofi Annan de que a guerra violou a lei internacional por carecer de autorização da ONU.

Pelo contrário, disse o presidente, os Estados Unidos e seus aliados estavam aplicando uma resolução do Conselho de Segurança aprovada em novembro de 2002, ameaçando "conseqüências sérias" caso Saddam Hussein não se desarmasse, revelasse as armas proibidas do Iraque e permitisse que inspetores percorressem o país.

"O Conselho de Segurança prometeu conseqüências sérias a seu desafio", disse ele. "E os compromissos que assumimos devem ter significado."

Bush realizou o equivalente internacional de discussão política e defesa de seus atos como tem feito em sua campanha desde a convenção republicana. Ele falou sobre o Iraque como uma história de sucesso, caminhando para suas próprias eleições em janeiro e melhor após ter sido livrada de "um ditador fora-da-lei".

A diferença foi que nesta terça-feira (21/09) seu público era de diplomatas sóbrios, sentados calados, como é costume da ONU, em vez de um público animado, apesar de lhe terem concedido um aplauso caloroso no final.

A visita anual de Bush à ONU provocou o congestionamento habitual no centro de Manhattan, com barricadas da polícia em torno do Waldorf Astoria Hotel e perto do Rio Leste no quente último dia de verão.

Bush se encontrou brevemente com o primeiro-ministro do Iraque, Ayad Allawi, parte do esforço do governo para exibi-lo como símbolo do progresso do Iraque rumo à democracia e estabilidade, apesar dos crescentes ataques rebeldes e das dúvidas manifestadas na ONU de que as eleições poderão ser realizadas caso a violência continue.

Allawi, que foi a escolha dos Estados Unidos como líder do Iraque em um processo supervisionado pela ONU no início deste ano, tem oferecido pareceres otimistas sobre a situação do Iraque e elogios a Bush desde sua chegada a Nova York, nesta segunda-feira, e deve continuar oferecendo palavras tranqüilizadoras na sessão na Casa Branca, no final desta semana.

"Eu aprecio sua coragem", disse Bush para Allawi durante o encontro. "Eu aprecio sua liderança. Eu compartilho da mesma confiança que você de que o Iraque será um país livre, e como um país livre, nosso mundo será mais seguro, e a América será mais segura. Nós aguardamos ansiosamente para trabalhar com o senhor."

Allawi elogiou Bush por sua coragem "ao decidir travar uma guerra para destruir Saddam". Ele também ofereceu condolências às famílias dos americanos mortos no Iraque, especialmente o refém que foi decapitado nesta semana e que dominou a recente cobertura da mídia.

Após o tradicional giro diplomático quando ocorre a abertura da Assembléia Geral, Bush almoçou com Annan e outros na ONU e se encontrou com o primeiro-ministro do Japão, Junichiro Koizumi, e com os presidentes do Afeganistão e Paquistão, Hamid Karzai e Pervez Musharraf, cujos países compartilham uma região montanhosa de fronteira onde se acredita que Osama Bin Laden esteja escondido.

Anteriormente, Bush se encontrou com o novo primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh.

Apesar de o Iraque ter sido um tema proeminente no discurso de Bush na ONU, ele surgiu um tanto tarde no discurso, cujo tema central foi a necessidade de promover a democracia como a melhor forma de acabar com o terrorismo. Ele falou em tons intensos, que lembravam o presidente democrata Woodrow Wilson (1913-1920), que é considerado um dos pais do uso do poder americano para busca dos ideais americanos.

"Nenhum outro sistema de governo fez mais para proteger as minorias, para assegurar os direitos do trabalho, para melhorar o status das mulheres e canalizar a energia humana nas atividades da paz", disse Bush, se referindo à democracia.

"Nós testemunhamos a ascensão de governos democráticos em culturas predominantemente hindus e muçulmanas, budistas, judaicas e cristãs. Instituições democráticas se enraizaram nas sociedades modernas e nas sociedades tradicionais. Quando se trata do desejo por liberdade e justiça, não há choque de civilizações."

Como parte de sua condenação do terror, ele também ofereceu um gesto firme para a Rússia, citando o recente ataque a uma escola em Beslan por militantes tchetchenos, no que foi visto como um esforço para atenuar a irritação manifestada pelo presidente Vladimir V. Putin de que Washington não percebeu que seus esforços para combater o terrorismo eram os mesmos empregados pelos Estados Unidos.

"Neste mês em Beslan nós vimos, novamente, como os terroristas medem seu sucesso --na morte dos inocentes e na dor das famílias enlutadas", disse Bush.

Em outro gesto conciliatório, ele saudou a liderança do secretário-geral, colocando de lado as claras irritações do governo diante da posição de Annan sobre a legalidade da guerra.

Apenas meia hora antes do discurso de Bush, Annan deu um tapa implícito pela forma como os prisioneiros iraquianos foram tratados pelas forças americanas na prisão de Abu Ghraib, nos arredores de Bagdá, mencionando os maus-tratos que sofreram, revelados no início deste ano, como algo a ser condenado da mesma forma que os massacres de civis e tomadas de reféns no Iraque.

Conflito israelo-palestino

Bush também abordou em seu discurso uma série de preocupações, da promoção e apoio à democracia no Oriente Médio ao tráfico de seres humanos para prostituição e outros propósitos, apoio à proibição da clonagem humana que agora está diante da Assembléia Geral e o pedido para maior apoio financeiro ao combate à Aids, tuberculose e malária.

Ele pediu pela criação de uma força de paz permanente para conflitos globais, especialmente na África, e também exigiu que o Sudão permita a entrada das tropas de paz africanas e pare de usar aeronaves militares para subjugar os rebeldes em Darfur, uma região no oeste do país, onde dezenas de milhares de pessoas morreram e mais de um milhão fugirão de suas casas.

No final de seu discurso, algumas poucas sentenças foram dedicadas a um assunto que muitos de seus ouvintes disseram ser crucial para obtenção da estabilidade no Oriente Médio, o conflito entre Israel e os palestinos. Bush novamente censurou a liderança palestina, apesar de não ter citado Iasser Arafat nominalmente. Mas ele também apresentou uma série de exigências familiares ao governo do primeiro-ministro Ariel Sharon.

Ele pediu a Israel para "impor um congelamento dos assentamentos" e desmontar dezenas de postos avançados de assentamentos por toda a Cisjordânia, assim como "encerrar a humilhação diária do povo palestino e evitar qualquer ação que prejudique as negociações finais".

Mas o governo está negociando com o governo de Sharon para permitir um certo crescimento populacional dentro das áreas de assentamento, como parte do congelamento. Israel também disse que está tentando desmontar os postos avançados dos assentamentos, mas está enfrentando restrições legais e que aliviará as condições dos palestinos assim que terminar de construir uma barreira entre as comunidades palestina e israelense. O governo tem apoiado esta abordagem, que é condenada pelos palestinos. Presidente americano justifica campanha no Iraque perante ONU George El Khouri Andolfato

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