UOL Notícias Internacional
 

25/09/2004

Kerry diz que inimigo é Bin Laden, e não Iraque

The New York Times
Robin Toner

Na Filadélfia
Aumentando o tom de crítica ao presidente Bush como chefe das forças armadas, o senador John Kerry declarou nesta sexta-feira (24/09) que a invasão do Iraque foi "um profundo desvio de nossa atenção da batalha contra nosso maior inimigo, a Al Qaeda". Ele afirmou que voltaria as energias do país para a "verdadeira guerra ao terror".

A menos de uma semana do primeiro debate presidencial, Kerry tomou como alvo o que há muito se considera a maior força política de Bush desde 11 de setembro: a noção de que o presidente seria mais capaz de manter o país seguro contra futuros ataques. Em seus dois mais duros discursos até aqui, com viúvas de 11 de setembro e mães de soldados ao seu lado, Kerry refutou essa noção e argumentou que o verdadeiro histórico de Bush na guerra ao terrorismo é um catálogo de erros.

"Deixe-me ser o mais direto possível com o povo americano", disse o concorrente Democrata, na Universidade Temple. "A invasão do Iraque foi um desvio profundo da guerra contra nosso maior inimigo --a Al Qaeda-- que matou mais de 3.000 pessoas no dia 11 de setembro e ainda planeja nossa destruição hoje. E não há dúvidas sobre isso: os erros do presidente ao avaliar, calcular e administrar o Iraque tornaram a guerra ao terror mais difícil de ser vencida. O Iraque é hoje o que não era antes da guerra --um abrigo de terroristas. George Bush fez de Saddam Hussein sua prioridade. Eu teria feito de Osama Bin Laden a prioridade. Como presidente, vou terminar o serviço no Iraque e voltar nossas energias à verdadeira guerra ao terror."

O discurso de Kerry sobre o terrorismo ocorreu quatro dias após adotar uma nova e dura crítica à forma que Bush lidou com a guerra no Iraque. Ele teve a intenção de preparar o terreno para o debate da próxima semana sobre política externa e refletiu o tom novo e combativo do candidato Democrata ao tentar reconquistar o terreno político perdido em agosto. Em seus discursos e em uma nova rodada de anúncios, Kerry alega que Bush não é um líder de guerra estável, mas um homem sem noção da realidade, que vive "em um mundo fantasioso de interpretação".

Kerry afirmou que Bush tinha "terceirizado" a tarefa de capturar Osama Bin Laden, entregado-a a "senhores de guerra afegãos que o deixaram escapar". Ele disse que o presidente resistira à criação da comissão de 11 de setembro e depois às suas recomendações de reformar o sistema de inteligência do país. Além disso, ele disse que Bush tinha administrado mal a segurança interna, por não ter dado as verbas necessárias para proteger os portos americanos, o transporte de massa e aeroportos, deixando o país vulnerável.

Steve Schmidt, porta-voz da campanha de Bush, disse que Kerry estava simplesmente adotando "iniciativas que o presidente já está implementando, enquanto ataca cinicamente o presidente com a uma retórica derrotista e fala de retirada".

Schmidt acrescentou, reiterando um contra-ataque que surgiu nos últimos dias: "John Kerry dirá qualquer coisa que julgar vantajosa politicamente, independentemente de seu efeito em nossas tropas em campo e nossos aliados que lutam ao seu lado."

Descrevendo seu plano de combate ao terrorismo, Kerry disse que ia "fazer do Afeganistão novamente sua prioridade, porque ainda está na frente na guerra ao terror". Ele disse que colocaria nova ênfase em negar o acesso "às armas mais perigosas do mundo aos nossos piores inimigos", protegendo e reduzindo armazéns nucleares e liderando um novo esforço para por fim a programas de armas nucleares na Coréia do Norte e Irã.

Kerry também prometeu "fazer da guerra às finanças terroristas parte integrante da luta contra os próprios terroristas". Ele atraiu os maiores aplausos quando declarou: "Farei o que o presidente Bush não fez --vou cobrar dos sauditas", observando os patrocinadores do terrorismo não foram processados na Arábia Saudita desde 11 de setembro.

O candidato Democrata disse que ia aumentar substancialmente as verbas para a proteção de fronteiras, aeroportos e portos marítimos, inclusive dedicando US$ 2 bilhões (em torno de R$ 6 bilhões) para aumentar a segurança nos metrôs e linhas de trem, "para o que aconteceu em Madri não aconteça aqui".

Kerry também disse que os EUA precisam de uma estratégia de longo prazo para negar aos terroristas "recrutas e abrigos". Ele argumentou que a Al Qaeda estava envolvida em uma batalha pelos "corações e mentes do mundo muçulmano" e que os EUA podem vencer essa guerra quando as pessoas da região "novamente virem os país como defensor e não como inimigo de seu desejo legítimo de viver em sociedades justas e pacíficas".

Com esse fim, Kerry defendeu uma série de propostas para fortalecer desenvolvimento político em Estados disputados, inclusive uma nova ênfase no perdão da dívida de países envolvidos em reformas e grandes aumentos nas verbas para iniciativas da saúde mundial, especialmente as que dizem respeito à Aids.

Claramente dirigindo-se às eleitoras atraídas a Bush por questões de segurança, Kerry declarou: "Nenhuma mãe americana deveria ter que perder o sono à noite pensando se seus filhos estarão seguros na escola no dia seguinte."

Ele foi apresentado à platéia da universidade por duas mulheres que perderam seus maridos nos ataques ao World Trade Center. No gigantesco comício na Universidade da Pensilvânia, foi introduzido pela mãe de dois soldados enviados ao Iraque, parte de um novo grupo de apoio a Kerry chamado Mães com uma Visão.

Kerry, ainda tentando preservar sua voz atacada por um resfriado, pareceu alegrar-se com milhares de pessoas espalhadas pelo campus da universidade. Ele disse à multidão calorosa que os EUA estavam "presos em uma verdadeira luta" contra o terrorismo que tinha que ser vencida. Entretanto, ele acrescentou que o país não poderia vencer alienando seus aliados e empurrando-os para o lado.

Bush "alienou-os não porque eles discordam de seu estilo", disse Kerry. "Eles discordam de sua análise. E nós precisamos de um novo presidente com um novo começo e melhor credibilidade", falou por cima dos gritos de "Kerry! Kerry! Kerry!" "Eu vou restaurar a fama dos EUA no mundo e nos levar a um lugar melhor", concluiu.

O senador Democrata Joseph R. Biden Jr., fazendo campanha com Kerry na sexta-feira, disse que o candidato declarara que se sentia liberado, referindo-se aos últimos dias em que começou a agravar seus ataques e a enfrentar Bush de frente em política externa.

"Agora, estou vendo o John Kerry com quem trabalhei, o sujeito que diz o que pensa", disse Biden de um candidato famoso por correr melhor quando corre atrás. "Conheço esse John Kerry." Democrata afirma em comício que mudará foco da guerra de Bush Deborah Weinberg

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