UOL Notícias Internacional
 

26/09/2004

Reino Unido quer pagar dívida de países pobres

The New York Times
ALAN COWELL

De Londres
O Reino Unido está planejando um novo esforço para ajudar os países pobres a reduzirem suas imensas dívidas, se oferecendo para pagar 10% do total devido às agências internacionais e desafiando outros países a fazerem o mesmo, disse Gordon Brown, o ministro das Finanças britânico.


Em um discurso no domingo (26/9) para um grupo de defesa chamado Movimento pela Justiça no Comércio, Brown também planeja repetir uma proposta anterior de que o Fundo Monetário Internacional deve reavaliar suas vastas reservas de ouro, atualmente avaliadas em um décimo de seu valor de mercado, e usar o valor apurado para cancelar parte da dívida do Terceiro Mundo, segundo um texto de seus comentários publicados no sábado no jornal "The Guardian" e posteriormente confirmado pelo Tesouro.

A questão está crescendo novamente na agenda internacional porque um mecanismo prévio de alívio da dívida, criado em 1996 pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional, será renovado em dezembro por mais dois anos. James D. Wolfensohn, o presidente do Banco Mundial, disse na sexta-feira em Washington que a Casa Branca desenvolveu um plano para cancelar parte da dívida do Terceiro Mundo, informou a agência de notícias Reuters. O senador John Kerry, o candidato democrata à presidência, também prometeu liderar os esforços para cancelar as dívidas dos países pobres caso seja eleito em novembro.

A proposta de Brown é significativa porque surge poucos dias antes das reuniões anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, em Washington. Os ministros das finanças do Grupo dos sete maiores países industrializados, incluindo Brown, também se encontrarão pouco antes destas reuniões.

"O que esperamos que isto rompa o impasse existente há algum tempo", disse Brendan Cox, um porta-voz da Oxfam, um grupo sem fins lucrativos que tem pedido medidas aceleradas para cancelar a dívida do Terceiro Mundo. "Se outros seguirem o exemplo, será o grande momento de virada para os esforços para pôr fim ao fardo da dívida internacional."

"Porque os pobres não podem esperar, nós pretendemos liderar pelo exemplo pagando nossa parcela de seus pagamentos ao Banco Mundial e ao Banco de Desenvolvimento Africano", Brown planeja dizer. "Hoje nós estamos fazendo isto sozinhos, mas nós estamos pedindo para que vocês empreguem sua autoridade moral para fazer com que outros países façam o mesmo, de forma que os países pobres possam olhar para um futuro livre dos grilhões da dívida."

Brown também argumentará que a dívida junto ao Fundo Monetário Internacional poderia ser reduzida com uma reavaliação dos estoques de ouro do fundo, atualmente avaliados em US$ 8,5 bilhões, quando o ouro era cotado a US$ 40 a onça. O preço de mercado do ouro atualmente é de mais de US$ 400 a onça.

"Porque não podemos enterrar as esperanças de metade da humanidade nos cofres de ouro sem vida, o cancelamento da dívida junto ao FMI deve ser pago com um melhor uso do ouro do FMI", Brown planeja dizer. Seu discurso será feito como parte dos preparativos para a conferência anual do Partido Trabalhista do governo, em Brighton, no sul da Inglaterra.

Hilary Benn, a ministra responsável pela ajuda britânica no exterior, disse que a ação britânica "lança um desafio ao restante do mundo". Algumas estimativas calculam a dívida total dos países pobres em cerca de US$ 200 bilhões.

Romilly Greenhill, uma porta-voz do grupo de defesa do alívio da dívida Action Aid, disse que a soma de US$ 180 milhões mencionada por Brown aparentemente faz parte do orçamento anual da Reino Unido para desenvolvimento, atualmente totalizando cerca de US$ 7 bilhões. "Não é estritamente um dinheiro novo, já que já estava incluído no orçamento de ajuda", disse ela. George El Khouri Andolfato

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