UOL Notícias Internacional
 

27/09/2004

Prisão amplia desconfiança dos EUA no Iraque

The New York Times
Edward Wong

Em Bagdá
As Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram no domingo (26/09) que prenderam um alto comandante da incipiente Guarda Nacional iraquiana, gerando preocupações quanto à lealdade e à confiabilidade das novas forças de segurança poucos meses antes da determinação da data para a realização de eleições gerais no país.

O comandante iraquiano, general de brigada Talib Abid Ghayib al-Lahibi, cuja base fica na problemática província de Diyala, foi preso na última quinta-feira sob a acusação de "possuir vínculos com insurgentes conhecidos", segundo um comunicado por escrito.

Sob o regime de Saddam Hussein, Lahibi serviu como general de quatro estrelas de uma unidade de infantaria no Exército iraquiano, lecionou no colégio militar de Bagdá e comandou tropas na cidade de Mosul, ao norte do país, durante a invasão liderada pelos Estados Unidos em março de 2003, disseram as Forças Armadas norte-americanas.

As Forças Armadas não deram mais detalhes sobre os laços de Lahibi com a insurgência, e comandantes militares de alta patente em Bagdá se recusaram a fornecer mais informações em uma entrevista coletiva no fim da tarde. "Não tenho informações específicas sobre o motivo pelo qual ele foi preso", afirmou um comandante.

Essa é, até o momento, a prisão mais significativa de um comandante iraquiano de quem as Forças Armadas dos Estados Unidos esperavam ajuda para preencher o vácuo de segurança deixado pela derrubada de Hussein e pelo desmantelamento do Exército iraquiano.

Isso faz com que se pergunte se, na pressa de criar uma força iraquiana legítima por meio do recrutamento de ex-autoridades graduadas do Partido Baath, os norte-americanos não teriam dado cargos a oficiais cujas lealdades e qualificações seriam questionáveis, e se as Forças Armadas precisarão promover uma revisão mais rigorosa das fichas desses indivíduos, no momento em que os soldados dos Estados Unidos se preparam para retomar cidades controladas pelos insurgentes, como Falluja, Samarra e Baquba, a capital da província de Diyala.

Comandantes militares norte-americanos disseram nas últimas semanas que pretendem lançar neste outono uma campanha para garantir o controle dos locais problemáticos, mas que as forças de segurança iraquianas leais aos norte-americanos e ao governo interino precisam participar da luta e, depois, assumir a responsabilidade pelo controle dessas áreas.

Essa ofensiva e a participação das forças iraquianas são fatores significantivos para estabelecer a fundação para uma eleição geral legítima no final de janeiro, que muitos especialistas duvidam que chegue a ocorrer devido à atual onda de violência que varre grande parte do país.

Mas antes mesmo da prisão de Lahibi, emergiram outros sinais de lealdades fraturadas entre as forças de segurança iraquianas. Em agosto, o Corpo de Fuzileiros Navais disse ter prendido o chefe de polícia da volátil província de Anbar, que inclui Falluja, e que o estava investigando devido à suspeita de que tivesse ligações com a insurgência. Com uma carreira semelhante àquela de Lahibi, o chefe de polícia Ja'adan Muhammad Alwan era um alto comandante policial e membro graduado do Partido Baath durante o governo de Saddam Hussein.

No verão, membros da Brigada Falluja, uma milícia composta parcialmente de ex-integrantes do Partido Baath que, em maio passado, recebeu dos fuzileiros norte-americanos a missão de manter o controle de Falluja, desertaram, sendo que muitos se aliaram à insurgência e se voltaram contra os fuzileiros.

Falluja continua sendo o centro de gravidade da insurgência sunita, e aviões norte-americanos voltaram a bombardear a cidade na noite de sábado, atingindo um local que disseram ser um ponto de encontro de insurgentes.

Os militares norte-americanos declararam que o local vinha sendo usado por membros da rede liderada por Abu Musab al-Zarqawi, o militante jordaniano. Eles não forneceram estimativas de baixas, mas funcionários do cemitério e do hospital de Falluja disseram que oito pessoas foram mortas e 20 feridas, incluindo mulheres e crianças.

Na tarde de sábado, dois comandantes graduados das Forças Armadas dos EUA, falando sob a condição de que seus nomes não fossem revelados, questionaram tais relatos, que surgem invariavelmente quando os norte-americanos realizam bombardeios. "Nós não alvejamos civis inocentes", disse um dos comandantes. "Mas não alegamos de forma alguma que não houve danos colaterais".

Imagens da televisão mostraram moradores de Falluja retirando crianças cobertas de poeira dos destroços deixados pelos bombardeios. Entrar em Falluja e verificar as alegações feitas por ambos os lados tornou-se impossível para os jornalistas estrangeiros.

Ao ser questionado sobre as imagens e os relatos de que civis foram atingidos, o comandante disse: "É difícil para nós contestar todas as alegações feitas na mídia pela rede de Zarqawi".

O comandante disse que os bombardeios, juntamente com as incursões militares, resultaram na morte e na prisão de mais de cem insurgentes da rede de Zarqawi no último mês. Comandante preso é acusado de possuir vínculos com rebeldes Danilo Fonseca

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