UOL Notícias Internacional
 

29/09/2004

Rebeldes do Iraque mostram alto poder de fogo

The New York Times
James Glanz e

Thom Shanker

Em Bagdá
Nos últimos 30 dias, mais de 2.300 ataques foram dirigidos contra alvos civis e militares no Iraque, em um padrão que se estende por quase todo grande centro populacional fora do Norte curdo, de acordo com dados compilados por uma empresa de segurança privada. A empresa tem sua própria rede de informantes iraquianos, além de acesso a relatórios de inteligência militar.

O amplo alcance geográfico dos ataques, das províncias de Nineveh e Salhuddin, no noroeste, até Babylon e Diyala, no centro, e Basra, no sul, sugere uma resistência mais disseminada dos que os bolsões isolados de revolta descritos pelas autoridades iraquianas.

Há todo tipo de ataque: bombas em carros, bombas-relógio, granadas de mão, granadas lançadas por foguetes, armas de fogo, ataques de morteiro e minas.

"Se você analisar os dados dos incidentes e colocá-los no mapa, verá que não cobrem apenas poucas províncias", disse Adam Collins, especialista em segurança e chefe de inteligência no Iraque da empresa Special Operations Consulting_Security Management Group Inc., que compila e analisa os dados como parte de suas operações no país.

O número de ataques aumentou e diminuiu durante os meses. Collins disse que os números mais altos foram em abril, quando houve combates em Fallujah, com uma média de 120 ataques por dia. Em contraste, a média hoje é de cerca de 80 por dia.

No entanto, diferentes analistas olham os mesmos números e chegam a conclusões opostas, o que mostra as imprecisões da guerra. Alguns vêem uma nação em que a maior parte das pessoas está a salvo e as eleições podem ser feitas com clara legitimidade.

"Tenho todas as razões para acreditar que o povo iraquiano será capaz de realizar eleições", disse o coronel William Nichols das Forças Aéreas, porta-voz da coalizão liderada pelos EUA.

De fato, o número de ataques não consegue medir o que talvez seja a equação política mais importante para o primeiro-ministro Ayad Allawi e os militares americanos: qual parte do Iraque está sob o firme controle do governo interino? Isso determinará a probabilidade --e a qualidade-- das eleições em janeiro.

Por exemplo, o número de ataques não serve de medida precisa do controle sobre Fallujah. Os ataques na cidade caíram recentemente, apesar de estar sob controle de insurgentes e ser uma zona fechada para os militares americanos e forças de segurança iraquianas. Não seria possível realizar eleições no local sem dramática intervenção militar ou política.

Por outro lado, as estatísticas mostram que houve pouco menos de 1.000 ataques em Bagdá no último mês; de fato, um porta-voz americano disse nesta semana que, desde abril, os insurgentes lançaram cerca de 3.000 morteiros, só em Bagdá. Esses números, entretanto, não necessariamente excluem a possibilidade de eleições na capital iraquiana.

Autoridades do Pentágono gostam de apontar para uma lista diferente de estatísticas para rebater o total de ataques, que inclui o número de escolas e clínicas abertas. As autoridades citam estatísticas que indicam um número crescente de forças de segurança iraquianas treinadas e equipadas e observam que os candidatos continuam fazendo fila, apesar dos atentados contra as estações de recrutamento.

Acima de tudo, oficiais militares argumentam que, apesar do aumento nos ataques sanguinários nos últimos 30 dias, os insurgentes não venceram nenhuma batalha.

"Não tivemos nenhuma perda tática; não perdemos batalhas", disse um oficial americano. "Os guerrilheiros não tiveram vitórias táticas. Esse não é o ponto. Estamos em uma época muito crítica. A única forma de perdermos essa batalha será se o povo americano decidir que não quer mais."

As autoridades americanas explicam que as avaliações otimistas de Bush e Allawi sobre o Iraque podem ser interpretadas como declaração de objetivo estratégico: que, apesar dos ataques, haverá eleições. Os comentários têm a intenção de contrabalançar a estratégia dos insurgentes de explodir estradas, lançar morteiros e fazer cruéis degolamentos para mostrar para o Iraque e o mundo que o país está em caos, e que a confusão impedirá eleições democráticas.

Em uma aparição conjunta na semana passada, no Jardim das Rosas da Casa Branca, o presidente Bush e Allawi pintaram um retrato otimista da situação de segurança no Iraque.

Allawi disse que, das 18 províncias do país, "14 ou 15 estão completamente seguras". Ele acrescentou que as outras têm "bolsões de terroristas" que infligem danos e planejam ataques em outras partes do país. Em outras aparições, Allawi afirmou que as eleições poderiam ser feitas em 15 das 18 províncias.

Tanto Bush quanto Allawi insistiram que o Iraque fará eleições livres como programado, em janeiro.

"A questão não é se há ataques", disse um oficial do Pentágono. "É claro que há. Mas como se mede o progresso?"

Os dados sobre ataques recentes mostram um mês típico no Iraque neste ano. A média de 79 ataques por dia cai confortavelmente entre os picos observados durante os surtos de atividade insurgente em abril ou na batalha contra a milícia de Muqtada al-Sadr pelo controle de Najaf.

Nos últimos 30 dias, esses ataques chegaram a 283 em Nineveh, 325 em Salahuddin no noroeste e 332 na província desértica de Anbar, no oeste.

No centro do Iraque, os ataques chegaram a 123 em Diyala, 76 em Babylon e 13 em Wasit. Mesmo na tranqüila Sulaimaniyah, no norte, houve um ataque. Não houve uma única província sem ataques no período de 30 dias.

Mesmo assim, alguns iraquianos compartilham do otimismo de seu primeiro-ministro no que concerne a probabilidade de eleições. Eles acreditam que poderá ser organizada com sucesso em meio à tamanha violência. "Estamos prontos para começar", disse Hamid Abd Muhsen, autoridade de educação iraquiana que está supervisionando partes do censo em Bagdá. "Juro por Deus." Padrão de ataques é visto como sinal de uma ampla resistência Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host