UOL Notícias Internacional
 

30/09/2004

Bush e Kerry não podem fugir dessas questões

The New York Times
Arthur M. Schlesinger Jr.

Em Nova York
O que perguntar a George Bush sobre Deus e a guerra*:

1. Você realmente acredita que atualmente há menos terroristas conspirando contra os Estados Unidos do que havia antes de seu governo ter dado início à invasão do Iraque?

2. A sua versão de cristianismo apóia e santifica a guerra preventiva. Que relação tem essa visão com o cristianismo pregado pelo papa e pela maioria dos protestantes que se opõem à guerra preventiva?

3. Já que você obviamente não previu os problemas que haveria no Iraque, o que planeja fazer com relação aos assessores incompetentes que o orientaram mal e que são responsáveis pela morte de mais de mil soldados norte-americanos e 20 mil civis iraquianos? Ou você não vê nisso um problema de responsabilidade? O presidente John F. Kennedy demitiu as pessoas que o levaram ao desastre da Baía dos Porcos. Por que você não faz o mesmo?

* Por Arthur M. Schlesinger Jr., que ganhou prêmios Pulitzer de história e biografia, escreveu, recentemente, o livro "War and the American Presidency" ("A Guerra e a Presidência Norte-Americana").

A ameaça iraniana*

1. Segundo notícias vindas do Iraque o seu governo planeja realizar ofensivas militares em áreas de insurgência após a eleição nos Estados Unidos, para recuperar o controle dessas áreas antes das eleições iraquianas de janeiro. É esse o seu plano, e você acha que atacar cidades iraquianas, como fizemos em Fallujah e Najaf, é algo que atende aos interesses de longo prazo dos Estados Unidos?

2. O Irã está buscando poderio nuclear e teve participação em ataques terroristas contra norte-americanos. O Irã abriga líderes da Al Qaeda e suprimiu efetivamente forças democráticas. Sob quais circunstâncias você autorizaria ação militar, incluindo uma invasão, para promover mudança de regime no Irã?

3. Em 11 de março, bombas explodiram em trens de passageiros em Madri, matando 200 pessoas. Na sua opinião qual seria o nível de dificuldade para se organizar um ataque dessas proporções nos Estados Unidos? Que medidas foram tomadas para melhorar a segurança nos trens deste país e, de maneira geral, o que mais precisa ser feito para defender os Estados Unidos de tais ataques?

*Por Richard A. Clarke, ex-diretor de contra-terrorismo do Conselho de Segurança Nacional, é autor do livro "Against All Enemies: Inside America's War on Terror" ("Contra Todos os Inimigos: Dentro da Guerra dos Estados Unidos Contra o Terrorismo").

Mudando de Rumo*

1. Você diz que estamos vencendo no Iraque. O senador Chuck Hagel, que é republicano, diz: "Estamos em sérios apuros". O general John P. Abizaid está pedindo mais tropas. O secretário de Estado Colin Powell admite que o movimento insurgente se intensifica. A CIA está pessimista. Bilhões de dólares que foram reservados para a reconstrução foram redirecionados para a segurança. O número de ataques insurgentes quadruplicou. As mortes de soldados da coalizão aumentam. Porções significantes do Iraque estão sobre controle do inimigo. Você não possui nenhum plano militar viável para garantir que as eleições de janeiro se dêem pacificamente e nenhum plano político para reconciliar as facções rivais. O seu argumento para a reeleição é que este é um momento muito difícil para mudar de rumo. Mas já que o rumo está nitidamente errado, será que não necessitamos pelo menos de mudar de motorista?

2. Como foi que a guerra no Iraque nos trouxe mais segurança, se ela fez com que o país, cujas forças armadas estavam cercadas e contidas, se transformasse naquilo que você tem chamado repetidamente de "frente central" na guerra contra o terrorismo?

3. A sua estratégia de retirada do Iraque começaria com eleições conduzidas com sucesso em janeiro próximo. Mas há muitos obstáculos a essas eleições, especialmente nas áreas onde os insurgentes detêm poder. O secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, diz que não importa que pessoas de certas regiões não sejam capazes de votar. Já o secretário Powell afirma que as eleições não serão críveis, a menos que todos os iraquianos delas participem. Você concorda com o secretário Rumsfeld, achando que eleições parciais são aceitáveis, ou com o secretário Powell, que pensa que as eleições precisam ser realizadas em todo o país?

4. Você proclamou que "a liberdade está em marcha" em todo o mundo, mas a liberdade na Rússia passa por franco retrocesso. Durante a campanha de 2000, você criticou o presidente Vladimir Putin, da Rússia, por "matar crianças" na Tchetchênia. Putin está combatendo o terrorismo há anos e vem fracassando estrondosamente. Que lições você tira da experiência russa quando considera as nossas opções para combater o terrorismo?

5. Em comparação com o período no qual você tomou posse, atualmente estamos mais ou menos seguros na Península Coreana? Que progressos concretos você fez para impedir que a Coréia do Norte construa armas nucleares?

* Por Madeleine K. Albright, secretária de Estado de 1997 a 2001(Gestão Clinton).

O que perguntar a Kerry

1. Como você explicaria a mudança aparentemente abrupta de política na Líbia; a inesperada remoção de Abdul Qadeer Khan, pai da bomba paquistanesa; e a meia-volta na Arábia Saudita --e que planos precisos você tem para induzir tais mudanças positivas similares de comportamento no Irã, no Líbano e na Síria?

2. Em janeiro, você prometeu que seria um presidente que "reduziria a necessidade geral de enviar tropas norte-americanas a várias partes do globo --e eu quero dizer Coréia do Norte, Alemanha e o resto do mundo". No entanto, mais recentemente, você criticou o presidente Bush por dizer que fará precisamente isso, sugerindo que o seu "plano anunciado apressadamente gera mais dúvidas sobre as nossas intenções e os nossos compromissos do que fornece respostas reais". Como presidente, você enviaria essas tropas norte-americanas em retirada de volta à Alemanha ou à Península Coreana para restaurar os níveis anteriores de presença militar? E, se não o fizesse, qual seria o motivo?

3. George W. Bush foi o primeiro presidente norte-americano a isolar Iasser Arafat. Você concorda com a medida radical do presidente de colocar Arafat no ostracismo? Se concorda, você também asseguraria que ele não mais participasse das negociações de paz no Oriente Médio?

Por Victor Davis Hanson, historiador militar, é pesquisador da Hoover Institution, em Stanford.

A estratégia de retirada*

1. Se na semana que vem o presidente Bush anunciasse uma ofensiva contra Fallujah e outros redutos terroristas no triângulo sunita, você apoiaria a medida?

2. Você tem dito que não podemos bater e correr no Iraque e que poderíamos "almejar realisticamente trazer as nossas tropas para casa nos próximos quatro anos". Mas se atualmente você considera a guerra um erro, como poderia, como presidente, "pedir a um homem que fosse o último a morrer por um erro?".

3. Você disse que é inaceitável permitir um segundo genocídio africano nesta década, desta vez no Sudão. Você disse também que não propõe que se enviem tropas norte-americanas ao Sudão. Se ficar claro que a única forma de acabar com a matança é recorrer a uma intervenção armada de uma coalizão de voluntários, liderada por tropas dos Estados Unidos, mas sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU, você, como presidente, tomaria tal medida?

* Por William Kristol, editor de "The Weekly Standard".

Um Iraque Nuclear*

1. O novo Tribunal Criminal Internacional ganhou o apoio de várias nações européias. Em uma declaração recente à American Bar Association (a ordem dos advogados dos Estados Unidos), você afirmou que o governo Bush foi inábil na maneira como abordou o tribunal e "alienou desnecessariamente" os aliados com relação a essa questão. Mas você não diz muita coisa mais --apenas que "ponderaria cuidadosamente todos os interesses norte-americanos em jogo com respeito ao tribunal, à medida que revisássemos a nossa política externa e adotássemos uma postura mais construtiva". Você pretende pedir ao Senado para ratificar o tratado e ingressar no tribunal internacional? Como você garantiria que o tribunal respeitasse as diferenças válidas nas doutrinas de guerra? E enquanto isso como preveniria o tribunal de estabelecer jurisdição criminal, sem consentimento norte-americano, sobre membros das forças armadas dos Estados Unidos enviados ao exterior?

2. Após os bombardeios das embaixadas norte-americanas no leste da África em 1998, o presidente Bill Clinton ordenou ataques com mísseis contra campos de treinamento de Osama Bin Laden no Afeganistão. À época deveríamos ter respondido mais vigorosamente? E quanto ao ataque a bomba contra o destróier Cole, em 2000? Antes do 11 de setembro havia alguma opção militar adicional que fizesse sentido?

3. O ex-diretor do programa iraquiano de centrífugas nucleares, Mahdi Obeidi, diz que o programa nuclear do Iraque "poderia ser retomado com um estalar de dedos de Saddam Hussein". Agora, nos Estados Unidos, Obeidi afirma que Saddam continuava a apoiar o projeto de um míssil de longo alcance e alimentava "a ilusão de que possuía um programa nuclear", restrito apenas pelas sanções econômicas. Mas as sanções econômicas contra o Iraque quase que certamente teriam sido suspensas pela ONU tão logo terminassem as inspeções de armamentos. Como então teríamos nos resguardado contra as intenções maliciosas de Saddam? Se você fosse presidente, teria considerado a mudança de regime uma má política, assumindo que se atendessem às exigências legais?

*Por Ruth Wedgwood, professora de direito internacional e diplomacia na Escola de Estudos Internacionais Avançados na Universidade Johns Hopkins. Presidente e democrata se enfrentam em debate nesta quinta-feira Danilo Fonseca

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