UOL Notícias Internacional
 

30/09/2004

Irã insiste em desenvolver seu programa nuclear

The New York Times
Suzan Chira

Em Nova York
O ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta quarta-feira (29/09), que o país nunca irá desistir do seu direito de produzir tecnologia nuclear para fins pacíficos, embora negasse qualquer intenção de fabricar armas nucleares.

O ministro Kamal Kharrazi disse, num café da manhã com os jornalistas americanos, que as relações com os Estados Unidos estão num mau momento, e acusou neoconservadores influentes de estarem pressionando os Estados Unidos para um ataque contra o Irã, buscando a "mudança de regime". O café da manhã foi servido na residência do embaixador iraniano nas Nações Unidas.

Mas o ministro disse que o Irã está pronto para negociar com os ministros europeus, para aplacar temores de que o país esteja produzindo armas nucleares.

"Ninguém pode negar ao Irã o direito que o país tem de usar a tecnologia nuclear para fins pacíficos. Estamos prontos para negociar com eles qualquer instrumento ou mecanismo que possa atenuar as preocupações de alguns".

Encontros anteriores com ministros europeus não resultaram em acordos; Kharrazi disse que não há novas reuniões marcadas, e que ainda não há consenso em torno do que seria esse mecanismo.

Semana passada, o Irã desafiou a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), ao declarar que estava retomando o enriquecimento de urânio, mas para produzir energia elétrica em vez de bombas nucleares, ao contrário do que os Estados Unidos acusavam. Os americanos estão pressionando para que o assunto chegue ao Conselho de Segurança da ONU.

Quando lhe perguntaram se o Irã havia convertido todo o urânio que possuía, Kharrazi disse: "Não sei, mas as câmeras da Aiea estão por lá."

Em relação ao Iraque, Kharrazi disse que o Irã espera ver o vizinho realizando eleições em Janeiro, como previsto, mesmo que nem todas as cidades possam participar --uma posição também assumida pelo influente clérigo iraquiano, o Grande Ayatollah Ali al-Sistani, que tem um histórico de boas relações com o Irã. O ministro iraniano também disse esperar que tanto as eleições iraquianas como as que estão previstas no Afeganistão, dia 9 de outubro, sejam boas para toda a região.

O representante de Teerã disse não estar preocupado com a possibilidade de os interesses do Irã serem ameaçados pelas eleições nos dois países fronteiriços. "A democracia não traz necessariamente governos pró-americanos".

Alguns funcionários do Pentágono já acusaram o Irã pelo envio de dinheiro e armas para o Iraque, tanto para inflamar rebeldes xiitas, como Muqtada al-Sadr, como também para aumentar a influência iraniana sobre os partidos políticos xiitas, os ajudando a ter bom desempenho na eleição.

"O Pentágono está errado quanto à posição iraniana", disse Kharrazi. Em vez de apoiar al-Sadr, segundo o ministro, o Irã teria é ajudado a moderar o rebelde. Os Estados Unidos erraram ao enfrentá-lo, seguiu Kharrazi, porque isso só fez aumentar a popularidade de al-Sadr. E o ministro afirmou que o Irã não precisa mandar dinheiro, porque já irradia sua influência sobre o Iraque.

Kharrazi previu que a rebelião contra os americanos irá continuar, inflamada pelo ressentimento vivido pelos iraquianos comuns. "Os iraquianos que foram de alguma forma humilhados pelos Estados Unidos, e também os que tiveram suas famílias mortas ou torturadas, estão bem preparados para matar americanos".

Segundo o ministro, a única solução para o Iraque seria a entrada de uma força multinacional sob o comando das Nações Unidas, uma idéia já rejeitada pelos Estados Unidos.

Ele citou recentes pesquisas de opinião. Essas pesquisas indicaram que, mesmo em nações cujos governos têm sido amigáveis com os Estados Unidos, como a Arábia Saudita e o Egito, a vasta maioria da população é hostil em relação ao governo americano.

Tanta hostilidade é combustível para o extremismo, acredita o ministro iraniano. Apenas se os Estados Unidos mudarem suas políticas de apoio a Israel serão capazes de conquistar o respeito dos cidadãos do Oriente Médio, acrescentou Kharrazi.

Apesar das crescentes tensões com os Estados Unidos, o ministro Kharrazi disse acreditar que as eleições presidenciais americanas poderão trazer uma oportunidade, seja qual for o vencedor. "Um presidente em segundo mandato se torna mais realista. Mas antes vamos esperar e ver quem irá para o governo". País alega que a energia será usada apenas para fins pacíficos Marcelo Godoy

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