UOL Notícias Internacional
 

01/10/2004

Em debate, Kerry diz que Bush teve erro colossal

The New York Times
Richard W. Stevenson

Em Washington
O presidente Bush e o senador John Kerry se chocaram em torno da segurança nacional no primeiro debate presidencial, na noite desta quinta-feira (30/09), com o presidente dizendo que agiu agressivamente para proteger o país, e seu adversário democrata dizendo que Bush cometeu um "erro colossal" de julgamento na forma como lidou com a guerra contra o Iraque.

"Eu acredito que posso tornar a América mais segura do que fez o presidente Bush", disse Kerry enquanto a sessão, programada para 90 minutos, prosseguia na Universidade de Miami, em Coral Gables, Flórida.

"Eu tomei algumas decisões difíceis", disse Bush um momento depois, acrescentando: "Se perdermos nossa vontade, nós perderemos, mas se permanecermos fortes e determinados, nós derrotaremos este inimigo". Bush atacou a liderança de Kerry, dizendo que seu adversário democrata não estava agindo como um comandante-em-chefe ao dizer que o Iraque foi a guerra errada na hora errada.

Os principais choques na primeira hora do debate foram em torno do Iraque.

Kerry disse que o Iraque "não estava nem mesmo perto do centro da guerra contra o terror" antes da invasão dos Estados Unidos, e que Bush "se lançou precipitadamente na guerra do Iraque sem um plano para conquistar a paz".

"Nós podemos vencer no Iraque, mas eu não acredito que este presidente possa", disse Kerry.

Bush rejeitou a alegação de Kerry de que ele fracassou em obter apoio internacional, apontando que Kerry votou pela autorização do uso da força contra o Iraque e disse que o sucesso exigiu uma abordagem firme, que não transmitisse a mensagem errada para as tropas americanas, rebeldes iraquianos e o povo iraquiano.

"O mundo está mais seguro sem Saddam Hussein", disse Bush. Para a afirmação de Kerry de que invadir o Iraque foi uma distração do esforço mais amplo de caçar Osama Bin Laden e aleijar a Al Qaeda, Bush disse: "Nós temos a capacidade de fazer ambos".

Ao ser questionado sobre a proteção dos Estados Unidos dentro de suas próprias fronteiras, Bush disse: "A melhor forma de proteger o povo americano é permanecer na ofensiva".

Kerry disse que Bush reduziu impostos para os ricos e minou os esforços para reforçar a segurança interna.

Este foi o primeiro de três encontros agendados entre os dois candidatos, e ocorreu 33 dias antes da eleição. Bush e Kerry se encontrarão na próxima sexta-feira em Saint Louis, e novamente em 13 de outubro em Tempe, Arizona. O vice-presidente Dick Cheney debaterá com o vice de Kerry, o senador John Edwards, na próxima terça-feira (05/10), em Cleveland.

Mas este era amplamente aguardado como sendo o fundamental, talvez oferecendo a Kerry sua melhor e última chance de alterar a dinâmica de uma disputa na qual Bush parece, se as pesquisas estiverem corretas, ter assumido uma vantagem modesta porém sólida.

Ambos os candidatos possuem um histórico formidável como debatedores, e ambos pareciam relaxados e confiantes enquanto respondiam às perguntas sobre política externa e segurança interna do moderador, Jim Lehrer, da rede PBS (a TV pública dos EUA). Mas segundo as regras acertadas entre as duas campanhas, os candidatos não podiam fazer perguntas um ao outro, e muitas de suas declarações foram extraídas de seus discursos regulares.

Erro colossal

Ao ser questionado se a vitória de Kerry colocaria a América em maior risco, Bush respondeu que não considerou isto porque espera vencer, "porque eu sei como liderar, eu mostrei ao povo americano que sei como liderar".

Ele disse: "Eu tomei algumas decisões difíceis, e este país tem um dever solene de derrotar a ideologia do ódio". Ele disse que os desdobramentos no Afeganistão são encorajadores e que para o Iraque, "sem dúvida é difícil".

Ele disse que os Estados Unidos estavam encontrando tamanha resistência porque "o inimigo sabe o que está em jogo, o inimigo sabe que um Iraque livre será uma grande derrota".

Kerry disse que caçará e matará os terroristas onde quer que estejam, acrescentando: "Mas também temos que ser espertos".

Ele disse que Bush "cometeu, eu lamento dizer, um erro colossal de julgamento".

Após lutar por meses para rebater os esforços da Casa Branca de retratá-lo como fraco e sem princípios quando se trata de segurança nacional, Kerry entrou no debate com a intenção de tornar a disputa um referendo sobre a forma como Bush lidou com o Iraque.

Nas últimas semanas, Kerry tem afirmado que Bush fracassou em antecipar o que os Estados Unidos enfrentariam assim que derrubassem Saddam Hussein, ignorou os conselhos dos especialistas civis e militares, teimosamente se recusou a reconhecer a dimensão das dificuldades e a necessidade de estabelecer um novo curso.

Suas declarações sobre o Iraque no debate foram feitas tendo como fundo outro dia sangrento naquele país, com dois carros-bomba matando 41 iraquianos em Bagdá, incluindo 34 crianças. Kerry tem chamado a guerra no Iraque de uma "profunda distração" do esforço para caçar Osama Bin Laden e proteger os Estados Unidos dos terroristas islâmicos, e tem retratado Bush como habitando um "mundo de fantasia de distorção de fatos", ao sugerir que o Iraque está progredindo rumo à estabilidade.

A estratégia de Bush foi manter o foco na capacidade de Kerry em ser comandante-em-chefe, uma abordagem que as pesquisas sugerem que teve sucesso em plantar dúvidas nas mentes dos eleitores sobre a firmeza do democrata diante das ameaças à segurança nacional. Bush tem chamado o Iraque de "frente central" na batalha contra os terroristas.

Bush também entrou no debate, segundo seus assessores, equipado para argumentar que já está buscando todas ou a maioria das prescrições apresentadas por Kerry para estabilizar o Iraque e intensificar o esforço para deter a ameaça do terrorismo.

O debate foi conduzido sob um acordo meticulosamente negociado entre as duas campanhas, que estabeleceu uma série de restrições aos procedimentos. Os assessores de Kerry buscaram nesta quinta-feira a remoção das luzes de tempo, montadas sobre cada atril para sinalizar quando o candidato estava excedendo o limite de tempo acertado para suas respostas.

Mas a campanha de Kerry posteriormente desistiu da exigência. Os conselheiros de Bush disseram que Kerry estava tentando quebrar as regras e esconder sua propensão a respostas longas e cheias de rodeios.

O acordo também buscou limitar a capacidade das redes de televisão de mostrar um candidato enquanto o outro fala. Mas as redes disseram que não concordaram com tal estipulação.

Apesar de os candidatos terem-se enfrentado perante um audiência nacional de televisão e o debate ter sido transmitido por todas as principais emissoras e canais de notícias da TV a cabo, suas campanhas empregaram porta-vozes, estrategistas e simpatizantes de destaque para moldar a percepção pós-debate sobre quem perdeu ou ganhou.

No centro de imprensa do outro lado da rua do local onde ocorreu o debate, Bush estava representado por, entre outros, Karl Rove, seu estrategista político, o governador da Flórida, Jeb Bush, e o senador John McCain do Arizona. Disponíveis para Kerry estavam vários democratas, incluindo o general Wesley Clark, Richard Holbrooke, o ex-embaixador na ONU, e o senador Bob Graham da Flórida. Senador tenta desconstruir imagem de líder de guerra do presidente George El Khouri Andolfato

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