UOL Notícias Internacional
 

02/10/2004

Vitória de Kerry no debate põe Bush na defensiva

The New York Times
David M. Halbfinger*, de Tampa, Flórida, e

Elisabeth Bumiller, de Manchester, New Hampshire
Um dia após o primeiro debate presidencial, o presidente Bush investiu contra o senador John Kerry nesta sexta-feira (01/10), como sendo um equivoquista que denigre as tropas americanas e que sujeitaria as decisões de segurança nacional da nação a vetos "de países como a França".

Kerry, que estrategistas de ambos os partidos disseram que ajudou a si mesmo no primeiro dos três debates contra Bush, agiu nos comícios de campanha na Flórida como se tivesse assumido instantaneamente a vantagem.

Ele disse para milhares de democratas animados que Bush achou que poderia "enganar vocês o tempo todo" em tudo, do Iraque à economia. Ele ridicularizou Bush como sendo um gago Hortelino Trocaletras que repetia equivocadamente a posição de Kerry sobre o Iraque: "Ele continua tentando dizer: 'Ora, nós-não-nós-não-você-não-sabe, nós não queremos alguém que quer partir'".

Enquanto o público caía na gargalhada, Kerry prosseguiu: "Ele diz: 'Nós não, nós não queremos desanimar ou hesitar' --e não sei quantas vezes eu ouvi isto. Ora, senhor presidente, ninguém está falando em partir, ninguém está falando em desanimar ou hesitar. Nós estamos falando em vencer e realizar o trabalho direito".

Bush aumentou furiosamente seus próprios ataques. Na sua primeira parada de campanha do dia, em um comício ao ar livre em Allentown, Pensilvânia, o presidente dedicou os primeiros sete minutos de seu discurso a novas e duras críticas a Kerry, como um candidato no qual não se pode confiar para proteção da nação contra futuros ataques terroristas.

Fazendo campanha em dois Estados indefinidos, o presidente também zombou de Kerry por ter dito no debate que uma solução para o Iraque seria convocar um encontro de cúpula internacional. "Eu já estive em muitos encontros de cúpula", disse Bush. "Eu nunca vi um encontro de cúpula que depusesse um tirano, ou que levasse um terrorista à Justiça."

Os democratas passaram o dia com humor jubilante, citando três pesquisas instantâneas pós-debate que apontavam Kerry como vencedor e insistindo que o senador agora está embalado na corrida.

Os republicanos reconheceram que Kerry se saiu bem, mas os assessores de Bush alegaram que ele ampliou seu problema de credibilidade ao tamanho de um "desfiladeiro", como disse Ken Mehlman, o gerente de campanha de Bush, aos repórteres em Allentown.

Mas em um sinal de que a campanha de Bush repentinamente se viu na defensiva, o principal conselheiro político do presidente, Karl Rove, que normalmente evita a imprensa, procurou os repórteres para reforçar o argumento da campanha de que Kerry foi uma contradição ambulante na noite desta quinta-feira (30/09), e que Bush esteve concentrado e pensativo durante o encontro, não mal-humorado.

"Ele não estava irritado", disse Rove. "Eu sei como ele é irritado."

Mas os republicanos de fora da Casa Branca disseram que estava. E que Kerry se sobressaiu. O deputado Peter King, republicano de Nova York, disse em uma entrevista que "as pessoas pensavam que Kerry seria nocauteado para fora do ringue --mas ele ainda está lá. Eu nunca estive entre aqueles que achavam que esta seria uma disputa fácil".

Um estrategista republicano veterano, que falou sob a condição de anonimato por temer ofender a Casa Branca, disse: "Parte da força de Bush está na sua simplicidade, mas naquele debate, ela se transformou em superficialidade".

Ao longo do dia, os democratas ficaram repetindo a idéia de que Bush esteve furioso e frustrado durante seu encontro com Kerry. O Comitê Nacional Democrata divulgou um vídeo "Faces da Frustração", reunindo as reações e expressões faciais de Bush enquanto Kerry falava na noite de quinta-feira. E Joe Lockhart, um alto estrategista de Kerry, disse aos repórteres em uma teleconferência que Bush parecia "agitado, incomodado e nervoso" durante o debate.

O senador John McCain, republicano do Arizona, que viajou com Bush por todo o dia, buscou apoiar o presidente, apesar do começou incomum enquanto Bush embarcava no Força Aérea Um, a caminho da Pensilvânia.

Falando aos repórteres na pista do aeroporto sobre a atuação de Kerry, seu amigo, no debate, McCain disse: "Ele se apresentou bem, o John. Kerry saiu dando soco no ar. Nas últimas seis semanas, foi provavelmente seu melhor momento".

Bush, que mantinha uma vantagem em muitas pesquisas nacionais antes do debate, reforçou os temas de segurança que têm sido a base de sua campanha. "Uma diferença crucial entre meu oponente e eu é a questão mais importante para os eleitores nesta eleição: quem pode liderar esta guerra contra o terror até a vitória?"

Bush disse em um parque na Pensilvânia, às margens do Rio Little Lehigh: "Qual candidato pode melhor proteger as famílias da América e nossa segurança nacional?" Kerry, segundo Bush, "tem uma má compreensão fundamental da natureza da guerra contra o terror, e não tem um plano para vencer no Iraque".

Ele ridicularizou a declaração de Kerry no debate de que apenas atacaria preventivamente outro país de uma forma que "passe pelo teste global no qual seus conterrâneos, seu povo, entenda plenamente o motivo de você estar fazendo o que está fazendo, e você possa provar ao mundo que o fez por motivos legítimos".

Kerry, disse Bush, "quer que nossas decisões de segurança nacional estejam sujeitas a aprovação de um governo estrangeiro". E enquanto o público convidado vaiava, o presidente acrescentou: "Ouçam, eu continuarei trabalhando como nossos aliados e a comunidade internacional --mas nunca submeterei a segurança nacional da América a um teste internacional. O uso de tropas para defender a América nunca deve estar sujeito ao veto de países como a França".

Kerry não mencionou a França no debate em Miami, apesar de ter proferido o nome "Charles de Gaulle" no contexto do teste global, dizendo que o presidente francês aceitou a palavra do presidente John F. Kennedy sobre evidências cruciais durante a crise dos mísseis de Cuba.

A Casa Branca de Bush, nos preparativos para a guerra no Iraque, ficou enfurecida com o que considerou um comportamento obstrucionista da França, e a campanha de Bush e outros republicanos já zombaram de Kerry por ter ancestrais franceses distantes.

Kerry também falou de questões de segurança nacional e não recuou de seus pedidos para mais apoio internacional para os esforços americanos. Em Tampa, ele repetiu sua promessa de realizar um encontro de cúpula com líderes árabes e nações muçulmanas.

"E eu estarei lá pessoalmente, liderando", disse ele. "Nós iremos até a região, nós faremos tudo o que for necessário para atrair os países à mesa para dividir aquilo em que o mundo tem participação --e eu travarei uma guerra mais inteligente e eficaz contra o terror, que de fato tornará a América mais segura neste mundo."

Kerry, que provocou uma rodada cataclísmica de aplausos e batidas de pé na arena de uma universidade em Tampa, soou aliviado quando disse que o debate finalmente lhe deu a chance de ficar lado a lado com Bush como "duas pessoas --não propagandas de 30 segundos, sem distorções e falando a verdade para o povo americano".

Kerry destacou que chamou a atenção durante o debate ao que considera as falhas do governo na segurança doméstica --que 95% dos contêineres de carga que chegam pelos portos do país não são inspecionados, por exemplo. Ele fez uso de um relatório de autoria do inspetor-chefe do Departamento de Segurança Interna, que critica o governo pelo fracasso em combinar as várias listas de suspeitos de terrorismo.

"Esta é a principal tarefa do Departamento de Segurança Interna, é um fracasso completo, mas mesmo assim o presidente se apresenta lá e finge para a América que estamos fazendo tudo o que podemos", disse Kerry.

A campanha de Bush respondeu que o governo criou um amplo banco de dados de terroristas, disponível para os governos estaduais e municipais 24 horas por dia, e que possui implementado um plano abrangente para proteger os portos do país.

Enquanto o público em Tampa gritava a vitória de Kerry sobre Bush no debate, o senador pediu que parasse, dizendo que foi apenas uma boa noite.

"Não, não, não, não, não. Me permitam deixar claro para todos", disse ele. "Nós temos que vencer todos os dias, de agora até 2 de novembro."

*Colaborou Todd Purdum, em Washington. Presidente aumenta tom dos ataques; democrata ensaia arrancada George El Khouri Andolfato

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