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05/10/2004

Morre a atriz Janet Leigh, a vítima de "Psicose"

The New York Times
Aljean Harmetz

Em Nova York
Janet Leigh, a estrela loira recata porém sensual do cinema dos anos 50, que sempre será lembrada pela cena de 45 segundos do chuveiro na qual é esfaqueada até a morte em "Psicose" (Psycho), de Alfred Hitchcock, em 1960, morreu no domingo em sua casa em Beverly Hills, Califórnia. Ela tinha 77 anos.

A causa foi vasculite, uma inflamação dos vasos sangüíneos, disse Heidi Schaeffer, uma porta-voz da família. "Psicose" foi um marco cinematográfico em Hollywood, tanto controverso quanto chocante, em parte devido à sua violência e em parte porque o diretor fez o impensável, matando sua estrela no primeiro terço do filme.

Como Marion Crane, uma golpista em fuga com US$ 40 mil, Leigh cometeu o erro de parar para passar a noite no Bates Motel e tomar um banho de chuveiro. Ela aparentemente foi apunhalada dezenas de vezes, apesar do filme nunca ter mostrado a faca tocando em sua carne. A música estridente de Bernard Herrmann ressaltava as punhaladas; a cena é amada tanto por estudiosos sérios do cinema quando por parodistas.

"Foram necessários sete dias para filmar aquela cena, e havia 70 posicionamentos de câmera para 45 segundos de filmagem", disse Hitchcock em "Hitchcock", do cineasta francês François Truffaut.

Depois do lançamento de "Psicose", pelo qual Leigh recebeu sua única indicação ao Oscar, Hitchcock disse para sua estrela que eles nunca mais poderiam trabalhar juntos.

Em uma entrevista de 1998, Leigh lembrou as palavras do diretor: "Qualquer que seja a coisa em que eu a coloque, o público pensará imediatamente em 'Psicose'. Não seria justo para o filme ou para a personagem".

Em uma carreira com muitos filmes esquecíveis, Leigh estrelou em dois outros filmes clássicos. Ela foi a mulher que conheceu Frank Sinatra em um trem no thriller paranóide "Sob o Domínio do Mal"(The Manchurian Candidate, 1962), de John Frankenheimer, e Susan Vargas, a esposa americana ameaçada de um honrado agente antinarcóticos interpretado por Charlton Heston, em "A Marca da Maldade" (Touch of Evil, 1958), o apavorante filme noir de Orson Welles.

Ela interpretou o papel em "A Marca da Maldade" com um braço quebrado escondido sob o casaco. "Eu quebrei o braço fazendo um programa de TV uma semana antes de iniciarmos (as filmagens)", Leigh disse ao entrevistador Patrick Giles em 1998. "Eu o imobilizei em um ângulo de 45 graus, não um ângulo de 90 graus."

Quando ela contou a Orson Welles, ele disse: "Oh, isto não é problema. Quando ouvi que você tinha quebrado, eu pensei em mostrá-lo assim no filme. Mas Susan está em lua-de-mel, de forma que fica estranho demais, mesmo para mim".

Uma das primeiras da safra de ingênuas do pós-Segunda Guerra Mundial, Leigh foi o interesse romântico de Van Johnson em seu filme de estréia, como a garota montanhesa em "The Romance of Rosy Ridge" (1947).

Ela se tornou a queridinha das revistas de fãs após seu casamento com Tony Curtis, em 1951. Leigh e o belo rapaz do Bronx eram a personificação perfeita da Hollywood jovem dos anos 50, tendo estrelado juntos em quatro filmes, incluindo "O Escudo Negro de Falworth" (The Black Shield of Falworth, 1954), como a dama medieval e seu pretendente e candidato a cavaleiro. Eles se divorciaram no início dos anos 60, e Leigh logo se casou com Robert Brandt.

Ela nasceu Jeanette Helen Morrison em 6 de julho de 1927, na cidade de Merced, no Vale Central da Califórnia. Seus pais se mudavam constantemente de apartamento e cidade. Aos 14 anos, Leigh fugiu de casa para se casar. O casamento foi posteriormente anulado, e Leigh voltou para o colégio, se formando pouco antes do seu 16º aniversário.

Aos 19 anos, Jeanette Morrison se tornou uma atriz de cinema ao estilo clássico da antiga Hollywood. Norma Shearer, a estrela da MGM, viu a fotografia dela em uma hospedaria de esqui onde os pais dela trabalhavam como recepcionista e camareira. Um teste na MGM foi seguido por um contrato de US$ 50 por semana.

Em 1949, um segundo casamento terminou em divórcio e Leigh fazia cinco filmes por ano. O mais memorável foi "Quatro Destinos" (Little Women, 1949), no qual June Allyson interpretava a heroína moleca Jo, Elizabeth Taylor interpretava a egoísta Amy, e Leigh era a prática e carinhosa Meg; e o western de Anthony Mann, "O Preço de um Homem" (The Naked Spur), que colocou o caçador de recompensas James Stewart contra Robert Ryan, com Janet Leigh, com cabelo de escovinha, no meio.

Depois de 1966, Leigh se voltou para a televisão, apesar de ter aparecido com sua filha mais jovem, Jamie Lee Curtis, no filme de horror "A Bruma Assassina" (The Fog, 1980), de John Carpenter.

Leigh deixa o marido Robert Brandt, e Kelly Curtis e Jamie Lee Curtis, suas filhas com Tony Curtis.

A própria reação de Janet Leigh a "Psicose" foi visceral. Após assistir ao filme, ela disse muitas vezes, ela nunca mais quis tomar banho de chuveiro. Também estrelou "A Marca da Maldade" e "Sob o Domínio do Mal" George El Khouri Andolfato

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