UOL Notícias Internacional
 

05/10/2004

Pesquisa confirma arrancada de Kerry nos EUA

The New York Times
Janet Elder e

Richard W. Stevenson

Em Nova York
O senador John Kerry saiu de seu primeiro debate com o presidente Bush com uma imagem mais favorável, assegurando a muitos americanos de sua habilidade de lidar com uma crise internacional ou um ataque terrorista. Entretanto, o candidato não conseguiu se desfazer da noção de que fala o que os outros querem ouvir, de acordo com a mais recente pesquisa de The New York Times/CBS News.

Bush teve pouco sucesso no último mês em abordar algumas das preocupações que os eleitores têm sobre o seu histórico, especialmente sobre a forma como lidou com a guerra no Iraque, segundo a pesquisa. Mas saiu do confronto com Kerry na quinta-feira (30/09) mantendo sua vantagem sobre o concorrente Democrata em características pessoais --de líder forte e pessoa agradável-- assim como no entusiasmo de seus partidários.

A quatro semanas do dia das eleições, a disputa presidencial está novamente acirrada. Bush perdeu os ganhos conquistados no último mês, depois da Convenção Nacional Republicana em Nova York, segundo a pesquisa. As chapas Republicana e Democrata conquistaram o apoio de 47% dos eleitores registrados entrevistados pela pesquisa, contando ou não com o terceiro candidato Ralph Nader.

No mês passado, Bush abriu uma vantagem sobre Kerry, de 50% a 42%, ou 50% a 41% quando Ralph Nader é computado. A pesquisa por telefone em todo o país, que entrevistou 979 adultos, incluiu 851 eleitores registrados. A margem de erro foi de mais ou menos três pontos percentuais.

Os resultados da pesquisa acompanharam a maior parte dos resultados recentes, mas não todos. Eles sugeriram que os riscos são altos para Bush e Kerry enquanto se preparam para mais dois debates nos próximos oito dias e seus vices rumam para Cleveland, para seu único debate na noite desta terça-feira (05/10).

Parte da queda Bush parece refletir o ciclo tradicional no qual o candidato cresce com sua convenção de nomeação e depois declina. Os dois comitês dizem há meses que a disputa será acirrada até o fim, independentemente do que as pesquisas digam ao longo do caminho.

Kerry mostrou fortes ganhos em várias áreas que podem ser vitais em uma campanha que, em grande parte, gira em torno da guerra no Iraque e a ameaça terrorista.

Dos eleitores registrados, 41% disseram que têm confiança na habilidade de Kerry de agir sabiamente diante de uma crise internacional, contra 32% antes do debate. Também subiu em 13 pontos percentuais o número de entrevistados que disseram ter muita confiança que Kerry fará as decisões corretas na questão de proteção contra o terrorismo, passando para 39% depois do debate em Coral Gables, Flórida.

No entanto, nos dois itens, Kerry ainda ficou atrás de Bush. O número de eleitores que dizem ter confiança na habilidade de Bush de lidar com uma crise internacional não mudou com o debate, ficando em 51%. Quanto a sua habilidade de proteger o país contra um ataque terrorista, 52% responderam que tinham muita confiança, subindo levemente de 50% no mês passado.

Não está claro se a competição meramente entrou em um patamar, no qual nenhum dos candidatos pode estabelecer uma liderança clara, ou se Bush poderá reconquistar a vantagem com um forte desempenho nos próximos dois debates ou se quinta-feira marcou um ponto de virada para Kerry.

Também há considerável incerteza se os números da pesquisa nacional refletem corretamente a situação nos 18 Estados disputados, onde as eleições serão decididas. Nesses colégios eleitorais, o relativo sucesso dos candidatos em levarem as pessoas às urnas poderá se provar crucial.

Nas últimas semanas, houve uma onda de novos registros de eleitores em muitos Estados, enquanto as duas campanhas e seus aliados tentam garantir que todo possível eleitor compareça com seu voto no dia 2 de novembro.

O debate de quinta-feira, que se centrou em política externa, especialmente no Iraque, foi a primeira vez em que os eleitores tiveram uma chance de ver Bush e Kerry lado a lado.

No todo, Kerry parece ter-se saído bem no debate, que, segundo os entrevistados foi vencido pelo Democrata por uma margem de 60% a 23%.

A proporção de eleitores registrados que disseram ver Kerry favoravelmente saltou para o seu mais alto ponto, passando de 31% em meados setembro para 40%, enquanto o número de pessoas que disseram que não o viam favoravelmente, 41%, não mudou de forma apreciável.

A percentagem de eleitores favoráveis a Bush caiu ligeiramente, de 47% no mês passado para 44%, enquanto a percentagem de eleitores que disseram que não viam Bush favoravelmente aumentou de 38% para 44% durante esse período.

Apoio partidário

Kerry, que procurou enfatizar no debate como seria agressivo na caça aos terroristas e em proteger a nação de um ataque, conquistou algum terreno entre as eleitoras, que estavam se voltando para Bush. Kerry ficou na frente de Bush entre as mulheres, com 48% contra 46%; no mês passado Bush estava na frente entre as mulheres, com 48% contra 43%.

Os resultados mostraram não só como a nação está igualmente dividida, mas também como as diferenças estão claramente definidas entre os candidatos. Um pouco menos da metade dos eleitores disseram que tanto Bush quanto Kerry teriam julgamentos equilibrados sobre quando entrar em guerra. Mas 46% disseram que Bush não seria cuidadoso o suficiente e 41% disseram que Kerry seria cuidadoso demais.

A pesquisa sugeriu que os americanos continuam com dúvidas sobre os candidatos. O índice de aprovação de Bush na presidência, de 47%, mudou pouco desde o mês passado e está perto da tradicional zona de perigo para um presidente em campanha. Seu índice de aprovação ao lidar com política externa, Iraque e a economia foi ainda menor, e a maioria dos entrevistados disse que o país está no caminho errado.

A pesquisa sugeriu que o banho de sangue diário no Iraque e a estratégia de Kerry de marretar a forma de Bush lidar com a guerra podem estar fazendo eco entre eleitores. Questionados sobre como foi a antecipação de Bush sobre o que aconteceria no Iraque depois da guerra, 59% disseram que se saiu mal e 34% que se saiu bem. Uma leve maioria, de 52% disse que os EUA se apressaram em entrar em guerra contra o Iraque, comparados com 37% que disseram que o momento estava certo.

Bush, entretanto, manteve sua fama de líder eficaz no combate ao terrorismo, com 57% dos entrevistados dizendo que aprovavam a forma como lidou com a questão, e 37% desaprovando. Quando os entrevistados foram indagados se gostavam pessoalmente de Bush, mesmo que não aprovassem suas políticas, 61% disseram que sim, contra 48% de Kerry. Perguntados se os candidatos tinham fortes qualidades de liderança, 62% disseram que sim para Bush e 56% que sim para Kerry.

Kathryn Bailey, 69, professora aposentada de Media, Pensilvânia, Republicana que defende Bush, disse ser atraída pela firmeza do presidente.

"Ele não hesita, nem muda de idéia", disse Bailey, entrevistada pela pesquisa. "Acho que tem uma família adorável, que também lhe dá muito apoio e faz-me sentir bem".

O entusiasmo dos Democratas por Kerry continuou a crescer, com 48% dizendo que o defendiam fortemente, subindo de 40% no mês passado. Entretanto, Bush manteve grande vantagem nessa medida, com 70% de seus partidários dizendo que o defendiam fortemente, subindo de 63% no mês passado.

A estratégia de Bush de retratar Kerry como um vira-casaca sem princípios parece ter entrado na consciência nacional. Dos eleitores registrados, 60% disseram que Kerry diz o que as pessoas querem ouvir, quase o mesmo nível observado durante a primavera e o verão. O número correspondente para Bush foi de 38%.

A maioria dos eleitores, 55%, disse que Bush deixou claro o que quer fazer nos próximos quatro anos, um aumento de 5 pontos percentuais desde o mês passado. Nesse quesito, Kerry subiu 7 pontos no mesmo período, para 45%.

A pesquisa revelou que 65% dos eleitores não achavam que Bush tinha um plano claro para tirar as tropas americanas do Iraque, contra 59% em relação a Kerry. Metade dos eleitores disse achar que Bush faz a situação no Iraque parecer melhor do que é e 43% disseram que Kerry a faz parecer pior. Candidato democrata empata com Bush após estar 8 pontos atrás Deborah Weinberg

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