UOL Notícias Internacional
 

06/10/2004

Ação nuclear do Brasil não preocupa, diz Powell

The New York Times
Steven R. Weisman

Em Brasília
O secretário de Estado Colin L. Powell, numa espécie de deferência americana em relação ao presidente Luiz Inacio Lula da Silva, disse nesta terça-feira (05/10) que os Estados Unidos não têm preocupações quanto ao Brasil, sobre planos de desenvolvimento de armas nucleares, apesar da resistência do país em permitir um maior acesso dos inspetores internacionais a um de seus reatores atômicos.

Depois de se encontrar com Lula da Silva e outros dirigentes brasileiros, Powell também manifestou outro aceno às aspirações brasileiras, dizendo que as contribuições do país à manutenção da paz no Haiti, além de outras ações, fazem com que seja digna de consideração a intenção de ocupar lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU.

As Nações Unidas estão estudando a possibilidade de aumentar o número de países com assento permanente no CS (Conselho de Segurança da ONU), como resposta às reivindicações de vários países, incluindo Índia, Brasil, Alemanha e Japão. Atualmente, apenas Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, China e Rússia são membros permanentes, com poder de vetar qualquer resolução do Conselho.

Powell não quis se comprometer com um apoio dos Estados Unidos ao ingresso do Brasil, dizendo que o governo de Washington estava aguardando os resultados de um estudo conduzido por um grupo indicado pelo Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan. Mas Powell disse que o Brasil seria um forte candidato a uma vaga no Conselho.

Sobre o assunto nuclear, Powell levantou a questão de que há vários registros de preocupações em muitos países sobre a oposição do Brasil às inspeções ilimitadas, por parte da Agência Internacional de Energia Atômica. Essa recusa brasileira poderia estimular outras nações como Irã e Coréia do Norte a rejeitar inspeções de seus próprios programas nucleares, considerados suspeitos de fabricação de armas.

"Eu não tenho essas preocupações", disse Powell numa entrevista coletiva, após se encontrar com o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim. "Eu não acredito que se possa falar do Brasil como sendo da mesma tendência, ou que o pais possa ser colocado na mesma categoria de nações como Irã ou Coréia do Norte".

Powell disse que o Irã e a Coréia do Norte, por exemplo, ou expulsaram inspetores internacionais ou se recusaram a cooperar com eles na inspeção de instalações nucleares, sendo que muitos especialistas já concordaram que esses países estavam efetivamente produzindo armas atômicas. A Coréia do Norte, segundo o secretário de Estado americano, chegou a anunciar seu programa de armas nucleares como questão de política externa.

Num discurso para empresários, em conversas com Lula da Silva e em entrevistas à mídia local, Powell aproveitou sua visita de um dia e meio para propagar a idéia de que o Brasil está emergindo como força dominante na região e que poderia negociar em vários aspectos com os Estados Unidos, talvez para a própria surpresa dos americanos.

Desde sua eleição em 2002 como primeiro presidente oriundo do esquerdista Partido dos Trabalhadores, da Silva tem sido adulado pelo governo Bush, na esperança de que o brasileiro amenize suas políticas econômicas e sirva de influencia moderadora na América Latina, apesar de sua aliança com líderes esquerdistas como Fidel Castro de Cuba e o presidente Hugo Chavez da Venezuela.

Dirigentes americanos dizem que essa estratégia tem funcionado, e que, no governo de Lula da Silva, o Brasil se firmou como país pró-capitalista e pró-investimentos, se mantendo numa linha conservadora em termos fiscais.

Esse ano, da Silva enviou tropas brasileiras como mantenedoras da paz sob a égide das Nações Unidas, para manter a ordem por lá depois da renúncia forçada do presidente Jean-Bertrand Aristide.

O chanceler Amorim declarou esperar que a questão com a Agência Internacional de Energia Atômica, sobre o acesso dos inspetores às instalações que utilizam urânio enriquecido, seja resolvida em breve por técnicos especialistas.

"O país não tem nada a esconder", disse Amorim, se referindo ao programa nuclear, acrescentando que o Brasil quer cooperar com os inspetores internacionais ao mesmo tempo em que protege sua tecnologia atômica. Para o Secretário de Estado dos EUA, país é forte candidato ao CS

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