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06/10/2004

CIA nega elos entre Iraque e o terror e afeta Bush

The New York Times
Douglas Jehl

Em Washington
Uma nova avaliação da CIA lançou dúvidas sobre um dado crucial usado pelo governo Bush antes da invasão do Iraque para mostrar vínculos entre Saddam Hussein e a rede terrorista da Al Qaeda, disseram autoridades do governo nesta terça-feira (05/10).

O relatório da CIA, enviado às autoridades em agosto, diz que não está claro se o governo de Saddam abrigava membros de um grupo liderado pelo terrorista jordaniano Abu Musab Al Zarqawi, disseram as autoridades. A afirmativa de que o Iraque forneceu refúgio a Zarqawi serviu de base para o argumento do governo conectando o Iraque à Al Qaeda.

O novo relatório da CIA, baseado nas informações reunidas depois da invasão do Iraque liderada pelos EUA, em março de 2003, é o mais recente a revisar as informações de inteligência usadas pelo governo como argumento pela guerra.

Outros relatórios lançaram dúvidas sobre a idéia de que o Iraque forneceu treinamento em armas químicas e biológicas à Al Qaeda. A comissão de 11 de setembro não encontrou "relação de colaboração" entre o ex-governo iraquiano e a Al Qaeda.

Nos meses anteriores à guerra, George J. Tenet, diretor da central de inteligência, e o secretário de Estado Colin L. Powell afirmaram que o Iraque abrigava Zarqawi e membros de seu grupo terrorista.

Powell, em seu discurso à Organização das Nações Unidas em fevereiro de 2003, disse que o relacionamento era parte de "um vínculo potencialmente mais sinistro entre o Iraque e a rede terrorista Al Qaeda, que combina organizações terroristas clássicas e métodos modernos de assassinato."

Em junho deste ano, o presidente Bush descreveu Zarqawi como "a melhor evidência de conexão a afiliados da Al Qaeda e a Al Qaeda". Mas apesar de antigamente se acreditar que Zarqawi era próximo à Al Qaeda, atualmente sua afiliação é discutida.

Algumas autoridades americanas e européias disseram que não está clara a coordenação entre Zarqawi e Al Qaeda, apesar de seus objetivos serem similares. Enquanto isso, Zarqawi emergiu como arquiteto de ataques com carros-bomba e como o mais ativo e mortífero terrorista estrangeiro operando na insurgência anti-americana no Iraque.

A CIA agora diz que não tem certeza de seu relacionamento com o governo de Saddam. A revisão da CIA, que foi primeiro divulgada pelo jornal "Knight-Ridder", não explicou com que base estava modificando a informação anterior, e as autoridades se recusaram a explicar a mudança nesta terça-feira.

Na segunda-feira, o secretário de defesa Donald H. Rumsfeld pareceu se retratar de alegações anteriores sobre o relacionamento próximo entre o Iraque e a Al Qaeda.

"Li um relatório de inteligência recentemente sobre uma pessoa que tem conexões com a Al Qaeda, que entrava e saía do Iraque. Há também explicações de por que ele teria um relacionamento ou não com o Iraque", disse Rumsfeld ao Conselho de Relações Exteriores em Nova York.

Mais tarde, Rumsfeld emitiu uma declaração dizendo que continuava acreditando em "sólidas evidências da presença de membros da Al Qaeda no Iraque" antes da guerra de 2003. "Temos o que acreditamos ser informações fidedignas de que o Iraque e a Al Qaeda discutiram oportunidades de porto seguro no Iraque", dizia.

Enquanto isso, o inspetor de armas americano no Iraque prepara-se para divulgar um relatório nesta quarta-feira, em que conclui que, em 2003, o Iraque não possuía os estoques de armas ilícitas citados pelo governo como principal razão pela guerra.

Um porta-voz da CIA recusou-se a comentar os novos relatórios de inteligência. As autoridades que descreveram suas conclusões representaram várias agências diferentes, mas todas foram cuidadosas e disseram que não queriam adicionar tensão entre a CIA e a Casa Branca.

Uma autoridade disse que o novo relatório "não faz afirmativas claras" sobre se o Iraque abrigava ou não Zarqawi. Mas as autoridades disseram que o texto estabelece, sem sombra de dúvida, que Zarqawi esteve em Bagdá em 2002, de onde chefiou o assassinato de um diplomata americano na Jordânia. Ele também esteve em contato com membros do grupo revolucionário Ansar Al Islam, no Norte do Iraque, disseram autoridades do governo.

O texto revisado também diz que três membros do grupo de Zarqawi foram presos por agentes de inteligência iraquianos, enquanto ele estava em Bagdá, e que um deles foi depois liberado sob ordens de Saddam Hussein.

As autoridades disseram que a revisão mudou algumas informações incluídas em relatórios anteriores. Novo relatório da agência enfraquece os argumentos do presidente Deborah Weinberg

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