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09/10/2004

Crescimento de emprego nos EUA decepciona

The New York Times
Eduardo Porter

Em Nova York
A oferta de empregos caiu novamente no mês passado, com um resultado pior do que esperado, de acordo com relatório do governo divulgado nesta sexta-feira (08/10). Os números lançam dúvidas sobre a força da recuperação econômica e é quase certo que serão um tópico quente para o presidente Bush e o senador John Kerry nas três semanas e meia que restam de campanha.

O Departamento de Trabalho informou que a economia criou apenas 96.000 novos empregos em setembro. O número foi substancialmente menor do que os 148.000 projetados por Wall Street e os quase 150.000 necessários para acomodar o crescimento da força de trabalho e começar a cortar o desemprego.

O governo criou 37.000 vagas, mas o comércio demitiu 15.000 trabalhadores e a manufatura cortou 18.000 vagas. O índice de desemprego continuou em 5,4%, enquanto cerca de 200.000 pessoas deixaram a força de trabalho. Desde junho, o número de novas vagas foi, em média, de apenas 103.000 por mês, sendo que cerca de um terço foram geradas pelo setor público.

"O emprego ainda está lento", disse Ed McKelvey, economista da Goldman Sachs. "Essa falta de participação expõe uma vulnerabilidade da recuperação econômica."

Foi particularmente difícil avaliar a situação de desemprego em setembro, pois os dados foram marcados pelo efeito incerto de quatro furacões que atingiram os EUA nos últimos dois meses, devastando grande parte da economia da Flórida e afetando as empresas do Texas até as Carolinas.

O Escritório de Estatísticas do Trabalho, que compila os dados, afirmou que apesar do impacto dos furacões ter sido negativo, não foi grande o suficiente para mudar materialmente sua opinião sobre a situação do emprego no país. A comissária Kathleen P. Utgoff, argumentou que, apesar dos efeitos climáticos terem prejudicado empresas que foram impedidas de operar, outras firmas expandiram em resposta às tormentas.

Muitos economistas do setor privado, entretanto, argumentaram que o tempo teve um efeito mais significativo nas folhas de pagamento do que o Escritório admitiu. "É óbvio que teve um impacto", disse Brian Jones, economista do Citigroup Global Markets, apontando para dados que mostravam que um número recorde de 225.000 pessoas perderam algum tipo de trabalho em setembro por causa das condições do tempo.

As estatísticas pouco animadoras reforçaram preocupações com o vigor da expansão econômica. Prejudicada desde a primavera por um forte aumento no preço do petróleo, é ameaçada pelo fraco crescimento nas folhas de pagamento, que, por sua vez, pode inibir o consumo.

"Essa expansão econômica ainda está seguindo um ritmo muito moderado. É provável que continue, mas estamos muito longe de condições econômicas robustas e não vamos chegar lá tão cedo", disse Anthony Chan, economista do J. P. Morgan Fleming Asset Management.

O relatório foi divulgado horas antes do segundo debate presidencial em St. Louis, e os dois candidatos à presidência apressaram-se em comentar os números.

A Casa Branca saudou o relatório como evidência de expansão do emprego, validando a estratégia do presidente de cortes de impostos para estimular a demanda. Junto com o relatório, o Escritório de Estatísticas de Trabalho divulgou uma revisão anual do total de pessoas empregadas, aumentando sua estimativa de março em 236.000.

N. Gregory Mankiw, principal assessor econômico do presidente, disse que a economia vem ganhando cerca de 150.000 novos empregos por mês, desde agosto do ano passado. "Ainda não chegamos lá, mas estamos indo na direção certa", disse Mankiw. 'As políticas implementadas têm gerado empregos."

Mankiw observou que há 13 meses consecutivos há aumento de vagas, com um ganho total de 1,9 milhões de empregos. Ele argumentou que a recuperação econômica do país foi prejudicada pelos ataques terroristas de 11 de setembro e a febre de escândalos corporativos que abalaram as empresas nos últimos dois anos e sugeriu que os cortes de impostos adotados no verão de 2003 trouxeram vida ao mercado de trabalho.

"O índice de desemprego está caindo. É mais fácil encontrar trabalho hoje do que há um ano", disse ele.

A campanha do senador John Kerry, por outro lado, entendeu os números como a maior prova do fracasso do presidente em política econômica.

"O presidente Bush será o primeiro presidente, em 72 anos, a enfrentar o eleitorado apresentando uma economia que perdeu empregos sob seu mandato", disse Kerry em declaração.

"Até mesmo no último ano, nossa economia não conseguiu criar empregos suficientes para absorver os novos trabalhadores chegando ao mercado de trabalho, isso sem falar nos milhões que estão desempregados, os que trabalham meio período, em empregos temporários ou que simplesmente desistiram."

De fato, apesar do ajuste anual, a economia perdeu 585.000 empregos desde que o presidente assumiu. Gene Sperling, assessor econômico de Kerry, disse que a debilidade do mercado de trabalho ficou clara durante o verão. Segundo ele, os trabalhadores foram desestimulados e o índice de participação no mercado de trabalho ficou abaixo de 66% pela primeira vez desde 1988.

"Desde o primeiro dia, o presidente Bush tem se concentrado em uma política de impostos associada ao aumento do déficit que nunca teve como alvo dar um impulso na criação de empregos da maneira mais eficiente e eficaz", disse Sperling. Economia gera 96 mil vagas em setembro; esperavam-se 150 mil Deborah Weinberg

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