UOL Notícias Internacional
 

09/10/2004

Kerry vence Bush por pouco no segundo debate

The New York Times
Robin Toner e

Adam Nagourney

Em Nova York
O candidato democrata à presidência dos EUA, John Kerry, venceu o segundo debate com o presidente George W. Bush realizado nesta sexta-feira (08/10) segundo pesquisa da Oraganização Gallup realizada logo após o confronto. Kerry foi o melhor para 47% dos 515 eleitores entrevistados, enquanto 45% julgam que Bush foi superior.

Embora esteja na margem de erro (de 5 pontos percentuais), a diferença pró-Kerry indica que o presidente Bush não conseguiu descontar a clara derrota que sofreu no debate anterior, realizado em 30 de setembro. Para conseguir seu intento, Bush apostou numa apresentação agressiva.

O presidente defendeu fortemente sua decisão de invadir o Iraque e sua atuação na economia, enquanto o senador John Kerry afirmava que Bush estava realizando uma campanha negativa, enganadora, por carecer de um retrospecto para justificar a reeleição.

Nos minutos iniciais do debate de 90 minutos, realizado na Universidade de Washington, em Saint Louis, e que contou com perguntas de uma platéia composta de 140 eleitores indecisos, os dois homens iniciaram imediatamente uma série de ataques e contra-ataques.

Bush, agressivo desde o início, disse à platéia que Kerry vinha mudando consistentemente de posição em relação ao Iraque e era inadequado para liderar a nação em uma época perigosa. "Eu não vejo como você possa liderar este país em um tempo de guerra, em um tempo de incerteza", com um retrospecto de tamanha inconsistência, disse Bush.

O presidente defendeu a forma como lidou com o Iraque, afirmando que viu uma "ameaça excepcional" em Saddam Hussein, "assim como meu oponente", acrescentando: "Nós todos pensávamos que havia armas lá".

Kerry afirmou que Bush o estava atacando para desviar a atenção de seu retrospecto. "O presidente não encontrou armas de destruição em massa no Iraque, assim ele transformou sua campanha em uma arma de enganação em massa", disse Kerry. "E o resultado é que vocês têm sido bombardeados por propagandas sugerindo que eu mudei minha posição nisto, naquilo ou em outra coisa."

O oponente democrata também notou rapidamente, neste Estado indefinido, que Bush foi o primeiro presidente desde a Grande Depressão a presidir uma perda líquida de empregos.

A primeira pessoa a fazer perguntas questionou Kerry sobre sua reputação de indeciso. O senador respondeu lançando um ataque contra a reputação de Bush, dizendo que a campanha do presidente era uma "arma de enganação em massa".

Kerry disse discordar de Bush em torno da implementação de várias legislações importantes, incluindo a Lei Patriota e o projeto Nenhuma Criança Deixada para Trás, mas que tem sido consistente na forma como tem abordado a economia e a política externa.

Referindo-se aos cortes de impostos de Bush, Kerry disse que sua política econômica não se concentrará em ajudar os ricos, como fez o presidente. "Isto não significa não ter personalidade, mas sim que estou lutando por vocês", disse Kerry.

Bush pressionou seu argumento de que Kerry cedeu à pressão política, especialmente em relação ao Iraque. "Eu vejo o motivo das pessoas no trabalho acharem que ele muda muito de posição, porque é verdade", disse Bush.

Ao ser questionado se tinha sido "razoável" atacar o Iraque apesar dele não ter mais acesso a armas químicas, biológicas e nucleares proibidas do que países como a Coréia do Norte, o presidente disse: "Eu vi uma ameaça excepcional em Saddam Hussein, assim como meu oponente, porque nos pensávamos que ele tinha armas de destruição em massa. E a ameaça excepcional era que ele podia dá-las à Al Qaeda".

Se a abordagem de Kerry fosse seguida, disse Bush, "Saddam Hussein ainda estaria no poder e o mundo seria mais perigoso".

Em sua resposta, Kerry disse que Bush estava tentando distrair o público com a acusação de que o senador mudou de opinião devido à confusão na situação. "O presidente gostaria que eu tivesse mudado de idéia", disse Kerry. "Ele quer que vocês acreditem nisto, porque ele não pode vir aqui e dizer a vocês que criou novos empregos para os americanos", disse Kerry. "Nós temos cinco milhões de americanos que perderam seu seguro saúde, 96 mil deles bem aqui em Missouri", disse ele.

"Eu nunca mudei de idéia sobre o Iraque", disse ele. Kerry afirmou que sempre achou Saddam Hussein uma ameaça, e que quis dar autoridade ao presidente para uso da força contra ele já no governo Clinton.

Mas criticou a condução da guerra por Bush. "Este presidente se lançou precipitadamente na guerra, afastou nossos aliados e agora o Irã é mais perigoso, assim como a Coréia do Norte, com armas nucleares", disse ele. Bush "tirou os olhos da bola" com sua atenção concentrada no Iraque, disse Kerry.

Respondendo à alegação de Bush de que as sanções não estavam funcionando, Kerry disse que o fato de Saddam não ter armas de destruição em massa demonstra que a diplomacia estava de fato funcionando. Se os Estados Unidos tivessem usado inteligentemente a diplomacia, disse Kerry, "nós poderíamos ter economizado US$ 200 bilhões e uma invasão do Iraque, e Osama Bin Laden poderia já estar na prisão ou morto".

O debate, o segundo de três encontros marcados entre Bush e Kerry, ocorreu em um momento difícil para o presidente, após uma semana de reveses nas frentes da política doméstica e externa e uma série de pesquisas apontando um empate estatístico na disputa.

Poucas horas antes do início do debate, o Departamento do Trabalho relatou um aumento de vagas de trabalho no setor privado de 96 mil em setembro, um número mais fraco do que o esperado e que os republicanos lutaram para defender. Este foi o último relatório de emprego antes da eleição, e os democratas foram rápidos em destacar que o isto significava que Bush seria o primeiro presidente a enfrentar uma disputa pela reeleição desde Herbert Hoover com uma perda líquida de vagas de trabalho durante seu mandato --585 mil no caso de Bush.

Bush também esteve na defensiva após o inspetor-chefe de armas americano para o Iraque ter divulgado, na última quarta-feira, um relatório dizendo que não havia evidência de que Saddam Hussein tinha, ou estava prestes a obter, armas não-convencionais proibidas -minando o principal argumento para a guerra.

As pressões políticas sobre Bush foram acentuadas devido à sua fraca atuação no primeiro debate, quando exibiu repetidas vezes sua irritação e impaciência com as críticas de Kerry.

Antes daquele debate, Bush contava com uma vantagem modesta, mas significativa, em quase todas as pesquisas, mas tal vantagem foi perdida; uma pesquisa da revista "Time", realizada entre 6 e 7 de outubro e divulgada na sexta-feira, apontou cada um dos candidatos com 45% das intenções de voto.

Diante de tais desafios, Bush partiu para o ataque nesta semana, afirmando que o candidato democrata buscará uma "política de retirada" no Iraque e promoverá políticas que "enfraquecerão a América" em um momento perigoso.

A campanha de Kerry entrou no debate em um tom decididamente confiante, com os democratas convencidos de que a mensagem central da campanha --de que Bush estava fora da realidade na economia e no Iraque-- estava tendo forte repercussão junto aos eleitores. A equipe de Kerry distribuiu óculos cor-de-rosa no debate para ressaltar seu argumento de que Bush fracassou em ver os problemas que os americanos estão enfrentando.

Enquanto isso, o Partido Republicano espalhou voluntários vestidos como golfinhos (um deles chamado Flipper) para acentuar sua afirmação de que a carreira de 20 anos de Kerry no Senado é cheia de "flip-flops" (mudanças de opinião) em segurança nacional, economia e outros temas importantes.

O debate, que teve como apresentador Charles Gibson da rede ABC, exigia que Kerry e Bush respondessem perguntas de eleitores com inclinação para votar em Bush ou Kerry, mas que ainda não tinham se decidido. Os eleitores foram selecionados pela Organização Gallup, e submeteram suas perguntas previamente a Gibson, que escolheu quais seriam feitas. O debate visava ser igualmente dividido entre política externa e doméstica.

O terceiro e último debate será realizado na próxima quarta-feira, dia 13, na Universidade Estadual do Arizona. As eleições nos EUA acontecerão no dia 2 de novembro. Democrata já vencera o primeiro confronto com o atual presidente George El Khouri Andolfato

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