UOL Notícias Internacional
 

11/10/2004

Serviço de paquera faz sucesso em Nova York

The New York Times
Elana Berkowitz

The New York Times
Daniel Blumberg, um cineasta de 38 anos, chegou a uma festa na cobertura do Hotel Gansevoort, em Nova York, numa noite de quinta-feira, com uma jovem chamada Allison Frenkel. Os dois tinham acabado de se conhecer na frente do hotel, mas depois de um beijinho no rosto e algumas brincadeiras já eram amigos. Tanto que na metade de sua primeira bebida estavam circulando pelo terraço da cobertura conversando sobre quais mulheres chamavam a atenção de Blumberg.

Frenkel discretamente apontou com o queixo uma loura de vestido branco e perguntou: "Gosta dela?" Blumberg balançou negativamente a cabeça. "Bem, vamos continuar circulando", disse Frenkel.

Quando ele não manifestou interesse pela próxima mulher que ela indicou, uma morena de suéter justo, Frenkel encolheu os ombros. "Ele é quem manda, seja como quiser", disse. Então Frenkel fez um gesto em direção à área do bar. "E que tal aquela sósia de Kylie Minogue ali?" Um momento depois o casal se aproximou da loura.

Frenkel não estava num encontro romântico com Blumberg em busca de emoções a três; estava trabalhando. Uma estudante universitária de 29 anos, ela é uma das dezenas de mulheres que trabalham para um site baseado em Nova York chamado Wingwomen.com, que ganham até US$ 30 por hora para acompanhar homens solteiros a bares e ajudá-los a paquerar outras mulheres. O co-fundador do site, Shane Forbes, um programador de computador, começou em dezembro depois de perceber que fazia mais sucesso com as mulheres quando ia aos clubes em companhia de amigas. "Toda vez que eu estava com elas, conhecia mulheres", ele disse.

A wingwoman ["mulher-asa"] é a última versão do wingman, aquele companheiro dedicado que ajuda o amigo a pegar mulheres em bares e clubes. Originalmente um termo da aviação militar que significa um piloto que voa atrás do líder do esquadrão para protegê-lo, seu sentido mais recente entrou na cultura popular por volta de 1996, através do filme "Swingers", sobre dois homens que viajam de carro a Las Vegas, cada um servindo de apoio de retaguarda do outro nas cantadas.

Mais recentemente, um comercial da Coors Light ajudou a popularizar o termo, ao mostrar um sujeito que fica falando com uma corretora enfadonha enquanto seu amigo sorridente dança com a bela amiga da outra. Uma voz masculina canta: "Então compre uma cerveja para ela. É para isso que você está aqui, poderoso wingman. Você toma uma pelo time, para seu amigo viver um sonho".

Os wingmen são tipicamente amigos íntimos dos homens que eles ajudam, e - quer eles aceitem o papel de coadjuvante ou sejam forçados a isso - espera-se que suportem a missão até o fim. "Você tem de abrir mão de alguma felicidade para seu amigo se realizar", disse Jordan Carlos, um redator publicitário de 25 anos que recentemente vendeu um roteiro sobre um executivo de publicidade que se transforma em wingman profissional. "Você se enrola numa conversa com as amigas chatas da gata, que elas sempre parecem ter."

É claro que nem todos os deveres do wingman são tão pesados. Em uma festa no East Village há pouco tempo, Jeff O'Neill, 25, parecia estar gostando do papel. "Tive uma experiência maravilhosa de wingman esta noite", ele disse. "Estávamos no bar e uma garota acidentalmente derramou cerveja na minha camisa. Eu fiz uma piada e a apresentei, juntamente com sua amiga, aos meus dois amigos. Agora estamos aqui nós cinco."

Sozinho, observando os dois casais, ele disse: "Não ficarei feliz enquanto o serviço não estiver completo e eles forem para casa juntos. Quero ser o padrinho".

Mas Forbes, da Wingwomen.com, diz que a eficácia tradicional do wingman está em declínio. "As mulheres estão acostumadas a ser abordadas por rapazes com seus 'pilotos de apoio'", ele disse. Em seu site, Forbes afirma que as mulheres "desenvolveram estratégias para se defender da missão de paquera do wingman". Por isso ele envia mulheres - contratadas com base em fotografias, redações e entrevistas, e sem treinamento especial - para fazer o que há muito tempo é tarefa masculina. Ele disse que já teve mais de 200 clientes e que suas wingwomen atingem um "índice de conversão" de 65%, o que significa que os clientes acabam conseguindo números de telefone das garotas.

Brian Patterson, 28, um banqueiro de investimentos, experimentou a Wingwomen.com duas vezes, pagando a taxa de US$ 50 por hora, e disse que gostou dos resultados. Em sua segunda saída ele conseguiu vários números de telefone e acabou namorando uma das mulheres por seis semanas.

Na festa do Gansevoort, Frenkel demonstrou suas habilidades, abordando incansavelmente uma mulher após outra em nome de Blumberg. Seu método era começar uma conversa sem identificar seu verdadeiro papel, e ela nunca repetia as frases. "Uau, esse vestido é Armani?", ela perguntou a uma mulher. "Eu o vi numa vitrine e adorei. Você está linda." Para uma mulher que trabalha em finanças, que disse estar interessada em mudar para moda, Frenkel disse: "Ah, você está querendo mudar de profissão? Devia conversar com Danny, ele trocou administração de empresas por cinema".

Em 45 minutos Blumberg e Frenkel tinham falado com três mulheres. Ele, que no início estava cético - concordou em acompanhar Frenkel a pedido da repórter e não era um cliente pagante -, não se entusiasmou. Quando perguntado sobre as mulheres que conheceu, encolheu os ombros. "Todas são bonitas e simpáticas, mas duas trabalham em seguros e a outra é de Nova Jersey..."

Uma hora depois, quando sua noite com Frenkel chegava ao fim, ele tinha falado com um punhado de outras garotas e fora convidado por uma modelo ucraniana de longas pernas para acompanhar seu grupo de amigas para beber no Spice Market (o que ele lamentou declinar, para continuar a pesquisa). Blumberg se converteu. "Realmente eu não poderia ter conhecido tantas garotas tão depressa sem Allie", disse.

O sucesso de Frenkel parece se dever a fatores além de sua simpatia. Forbes disse que as mulheres gostam de competir e são "mais atraídas pelos homens que têm outras mulheres à sua volta, porque elas querem o que não podem ter".

Mais fundamentalmente, uma wingwoman serve como um quebra-gelo, porque, como diz Forbes, as mulheres vêem os homens ao lado de mulheres como "tendo um selo de aprovação e sendo menos hostis". Frenkel concordou: "As mulheres estão tão acostumadas às paqueras dos homens que simplesmente viram para o outro lado, mas a mim dão uma chance".

E Frenkel não se sente mal por montar armadilhas para suas irmãs, às quais nunca informa seu papel? "Sou simplesmente uma ferramenta de apresentação", ela disse. "Sou um serviço para ajudar os rapazes que têm dificuldade para se aproximar de pessoas, que não querem disparar mais uma frase decorada. E eu não dou garantia às pessoas, mas às vezes elas tiram essa conclusão apressada".

O banqueiro Patterson disse que nunca contou à mulher com quem saiu por seis semanas que haviam se conhecido através de uma wingwoman paga. "Realmente não foi o caso", ele disse. "Por que deveria contar? Ela nunca perguntou e eu realmente não dei explicação."

Depois de se despedir de Blumberg, Frenkel se encontrou com o solteiro nº 2, Evan Rock, um estudante de direito de 25 anos que também concordou em sair com uma wingwoman para esta reportagem. A noite deles começou por volta das 11:30 no Cabanas, o bar ao ar livre do Hotel Maritime, onde as coisas não começaram muito bem. Havia poucas candidatas potenciais e Rock parecia indeciso. Vinte minutos se passaram enquanto eles conversavam sobre acampamentos de verão.

Então decidiram penetrar um grupo fechado de mulheres vestidas com tops transparentes, minissaias e saltos muito altos. Frenkel interrompeu a conversa com uma desculpa esfarrapada sobre procurar colegas do trabalho. As mulheres, que trabalhavam em moda, abriram o círculo e em breve Rock estava no centro, recebendo uma chuva de perguntas.

Em um canto do Cabanas, Frenkel avistou o prêmio máximo: Mary-Kate e Ashley Olsen. Ela e Rock decidiram ir à luta. Mas quando Frenkel partiu na direção delas as gêmeas se levantaram para sair. Frustrada pela primeira vez naquela noite, Frenkel as perseguiu e perguntou timidamente: "Qual de vocês é a Mary-Kate?" As gêmeas mal pararam de andar.

Rock e sua wingwoman mudaram para o Max Fish, um bar da moda que é mais "sujinho" que os lugares elegantes onde Frenkel costuma trabalhar. Eles abriram caminho entre a multidão. Rock se perguntou se Frenkel seria arrumadinha demais para agir ali. Os grupos fechados de pessoas bebiam cerveja e jogavam bilhar. Com sussurros e gestos, Rock indicou a mulher pela qual se interessou, uma bela ruiva de 1,80 metro com sapatos turquesa de salto alto. Ela estava encostada no bar conversando com três homens. Frenkel ergueu os ombros e se aproximou lentamente da presa. "Sua bebida é tão forte quanto a minha?", perguntou. A garota assentiu. As duas começaram a conversar.

Vinte minutos depois, Frenkel, exausta, saiu do bar e entrou num táxi. Quando a porta se fechou atrás dela, Rock e sua nova amiga ruiva estavam conversando com as cabeças quase encostadas, tomando drinques que só terminariam às 3 da manhã. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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