UOL Notícias Internacional
 

14/10/2004

Kerry derrota Bush no terceiro e último debate

The New York Times
Robin Toner e

Douglas Jehl

Em Nova York
O candidato democrata à presidência dos EUA, John Kerry, venceu o terceiro e último debate com o presidente George W. Bush, realizado nesta quarta-feira (13/10), segundo pesquisa da Oraganização Gallup conduzida logo após o confronto. Kerry foi o melhor para 52% dos 515 eleitores entrevistados, enquanto 39% julgam que Bush foi superior.

Com o resultado, Kerry venceu os três debates que travou com Bush, o que fez evaporar a vantagem que o presidente mantinha nas pesquisas de intenção de voto até o início do mês. Alguns levantamentos já apontam o democrata à frente.

A diferença pró-Kerry indica que o presidente Bush não conseguiu descontar as claras derrotas que sofreu nos debates anteriores, realizados em 30 de setembro e 8 de outubro. O presidente e o senador Kerry realizaram um confronto amargo em torno da guerra contra o terrorismo, a perda de empregos para o exterior e o estado do atendimento de saúde americano no último, e potencialmente chave, debate da altamente disputada campanha presidencial.

Nos minutos iniciais do debate, Kerry acusou Bush de permitir a deterioração do sistema de saúde durante seu mandato, afirmando que o salto no número de pessoas sem cobertura de saúde e o crescente custo desta mostraram que o sistema "não está funcionando para a família americana e piorou sob o senhor Bush".

Bush rebateu dizendo que os planos de Kerry para a saúde são irreais e caros demais. "Um plano não é uma ladainha de queixas, assim como não adianta expor programas pelos quais não pode pagar", disse Bush. "É uma promessa vazia."

Mas mesmo em um debate que pretendia se concentrar na política doméstica, a segurança do país ainda teve grande peso. Kerry reiterou sua acusação de que Bush "lamentavelmente se precipitou em ir à guerra, afastou alianças" e, como resultado, "nós não estamos tão seguros quanto deveríamos estar".

Bush rebateu: "Nós estaremos em segurança se permanecermos na ofensiva contra os terroristas", acrescentando que em seu mandato "a liberdade está em marcha".

O confronto na noite desta quarta-feira em Tempe, Arizona, deu início à reta final desta disputa longa, cara e notavelmente amarga pela presidência. E foi acirrado desde o início, passando por questões domésticas freqüentemente ofuscadas pela guerra no Iraque, incluindo responsabilidade fiscal, crescimento do déficit e justiça dos acordos comerciais americanos.

Bush acusou Kerry de ser viciado em aumentos de impostos; Kerry notou que o déficit explodiu no mandato de Bush. O presidente acusou Kerry de ser liberal; Kerry afirmou que Bush negligenciou uma série de necessidades domésticas.

Com a primeira pergunta do debate, Bush e Kerry retomaram as questões do terrorismo e da guerra no Iraque, que dominaram os dois primeiros encontros. Sob o governo Bush, acusou Kerry, os americanos "não estão tão seguros quanto deveriam", enquanto Bush afirmou que Kerry não leva o terrorismo a sério.

Kerry disse: "Eu acredito que este presidente, lamentavelmente, se precipitou em ir à guerra, afastou alianças e, como resultado, a América está agora suportando este fardo extraordinário onde não estamos tão seguros quanto deveríamos". Ele disse que fará "um trabalho melhor, mais inteligente ao travar a guerra contra o terrorismo".

Bush respondeu que Kerry foi citado no fim de semana como tendo dito que reduziria o terrorismo ao ponto de ser apenas um incômodo, "o comparando à prostituição e ao jogo ilegal", disse Bush, acrescentando: "Eu considero perigoso tal ponto de vista".

"Nós podemos ficar seguros se permanecermos na ofensiva contra os terroristas e se disseminarmos a liberdade ao redor do mundo", disse o presidente.

Como tem feito repetidamente, Kerry acusou o presidente de permitir Osama Bin Laden de escapar ao longo da fronteira entre o Afeganistão e Paquistão após a invasão americana em 2001, porque "terceirizou o trabalho para os senhores da guerra afegãos".

O presidente, sugeriu Kerry, essencialmente desistiu de sua promessa de pegar Bin Laden "vivo ou morto" e perdeu interesse na caçada. "Nós precisamos de um presidente que permaneça concentrado na guerra contra o terror", disse Kerry.

Mas Bush rejeitou a afirmação, a chamando de "um daqueles exageros". O presidente disse: "Esta guerra é uma questão de usar todo recurso à nossa disposição para manter o povo americano protegido".

Assuntos domésticos

Assim que a atenção voltou para os questões internas, Bush descreveu a atual escassez de vacina contra gripe como resultado de uma contaminação no laboratório britânico. "Nós tomamos a medida certa, não permitindo que medicamentos contaminados entrassem no país", disse ele.

Mas ele também disse que o país necessita de uma reforma legal para impedir que processos legais assustem produtores domésticos potenciais do medicamento. "Eu não tomei vacina contra gripe e nem pretendo", disse Bush. "Eu quero assegurar que aqueles que são mais vulneráveis sejam tratados."

Kerry descreveu a atual escassez de vacina contra gripe por todo o país de sintomática dos problemas enfrentados pelo sistema de saúde. "Este presidente deu as costas para o bem-estar da América", apontou Kerry, dizendo que 5 milhões de pessoas perderam cobertura de saúde durante o atual governo. "Ele está caindo aos pedaços não devido a processos", disse ele.

Sobre os impostos e gastos, Kerry prometeu restaurar a mentalidade "pay as you go" (pagar as dívidas à medida que forem contraídas) em Washington.

"Eu vou lutar pelo trabalhador americano e vou fazê-lo de uma forma fiscalmente segura", disse ele. Quanto aos planos de gastos da educação à saúde, Kerry disse que buscará apenas programas que possa assegurar que o governo será capaz de financiar, e reverterá os cortes de impostos dos ricos para pagá-los. Ele comparou sua abordagem com o retrospecto econômico do presidente, apontando para "1,6 milhão de empregos perdidos" sob Bush, assim como diminuição da renda e das exportações.

Bush disse que a retórica de Kerry não corresponde ao seu histórico. Ele disse que Kerry votou em 98 ocasiões por aumento de impostos em seus 20 anos no Congresso, e "quando tentaram reduzir impostos, ele votou contra isto 127 vezes".

"Ele fala sobre 'pay-go'", disse o presidente. "Eu lhes digo o que 'pay-go' significa quando se é um senador de Massachusetts, quando se é colega de Ted Kennedy; 'pay-go' significa que você paga (pay), e ele vai em frente (goes ahead) e gasta."

Bush disse ser "a favor de políticas que promovam o crescimento de nossa economia" e por contenção de gastos no Congresso.

Kerry acusou Bush de hipócrita em sua crítica. "Ser instruído pelo presidente sobre responsabilidade fiscal é um pouco como Tony Soprano me
falando sobre lei e ordem neste país", disse Kerry. "Ele pegou um superávit de US$ 5,6 trilhões e o transformou em déficits até onde a vista pode ver."

Ao ser perguntado pelo moderador, Bob Schieffer da CBS News, se achava que a homossexualidade era uma opção, Bush disse não ter idéia. "Eu não sei", disse Bush. "Eu sei que temos uma escolha em como tratar as pessoas com tolerância e dignidade." Ele acrescentou que todos devem ser capazes de agir da forma que querem. "Adultos consensuais devem poder viver da forma como quiserem", disse Bush. Mas ele disse acreditar que o casamento precisa ser protegido "como um ato entre um homem e uma mulher".

Kerry disse concordar que o casamento "é entre um homem e uma mulher". Mas disse acreditar que a homossexualidade não é uma opção, citando o exemplo da filha homossexual do vice-presidente Dick Cheney, e dizendo que gays e lésbicas merecem tratamento igual perante a lei.

Kerry disse achar errado o governo federal tentar impor aos Estados como devem ser suas leis de casamento, e se elas devem se aplicar aos casais gays. "Os Estados sempre foram capazes de administrar tais leis, e estão provando hoje que podem administrá-las adequadamente."

Era altíssimo o que estava em jogo neste último dos três debates presidenciais. Na visão da maioria dos analistas, os primeiros dois debates prejudicaram Bush, que começou o outono com um forte impulso fornecido pela convenção republicana em Nova York e uma vantagem consistente na maioria das pesquisas. Nesta semana, tal vantagem desapareceu.

Kerry e Bush estavam empatados até mesmo na pesquisa Washington Post-ABC News, divulgada nesta quarta-feira (em 48%), que foi realizada entre domingo e terça-feira. Democrata avança depois de obter três vitórias nos três confrontos George El Khouri Andolfato

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