UOL Notícias Internacional
 

16/10/2004

Kerry defende menção à filha lésbica de Cheney

The New York Times
Jodi Wilgoren

Em Nova York
O senador John Kerry disse nessa sexta-feira (15/10) que sua referência à filha lésbica do vice-presidente Dick Cheney, no debate presidencial dessa semana, foi feita de maneira "construtiva e respeitosa", enquanto o secretário de imprensa da Casa Branca informava que presidente Bush "não achou que tenha sido um comentário apropriado".

A polêmica sobre o comentário de Kerry, que ecoou a observação feita pelo companheiro de chapa John Edwards no debate da semana passada com o próprio Cheney, foi assunto central, pelo segundo dia seguido, nos comentários pela TV a cabo e nos programas de rádio.

Os democratas acusaram os republicanos de abordar uma questão espalhafatosa em vez de tratar de assuntos mais amplos. Enquanto isso, os grupos de defesa dos direitos gays adoraram a atenção recebida.

Mary Cheney, que desempenha papel importante na campanha para reeleger o pai, e que antes havia se envolvido na aproximação entre o público gay e a cerveja Coors (anteriormente não muito bem aceita pelos homossexuais), não se manifestou quanto à declaração de Kerry. Mas a irmã dela, Liz, disse à rede CNN que os democratas parecem tentar "uma exploração, ao abordá-la numa situação em que eles claramente têm uma finalidade política."

Kerry, o candidato democrata à presidência, observou numa entrevista à CNN que os Cheneys já haviam discutido publicamente a sexualidade de sua filha, acrescentando que a idéia em questão era dizer que "eles a apoiaram e a amam".

"O comentário foi feito com intenção construtiva, de um jeito positivo", disse Kerry a respeito de sua fala, que veio em resposta à pergunta sobre "se a homossexualidade é uma escolha ou não": "Eu respeito o amor que eles têm em relação à filha, e eu a respeito pelo que ela é, assim como os pais dela a respeitam."

O candidato democrata acrescentou: "Acho que foi uma maneira que eu encontrei para dizer `Vejam, ela é assim, do jeito que é'. Tenho grande respeito por ela, grande respeito por eles. Foi um comentário feito em termos construtivos, feito em relação ao amor e afeição que eles têm pela pessoa do jeito que ela é."

Os assessores de Kerry disseram que não discutiram os méritos de mencionar Mary Cheney, quando prepararam o candidato para perguntas sobre o casamento gay. Eles também negaram que o fato de os dois companheiros de chapa terem abordado a sexualidade de Mary nos debates possa ter sido uma manobra para perturbar o adversário ou para irritar a base conservadora republicana.

"Não houve nenhuma intenção e não houve nenhuma estratégia por trás do comentário, e digo isso aproveitando para cumprimentar os Cheneys por serem bons pais", disse Joe Lockhart, porta-voz graduado de Kerry, que trabalhou na preparação para o debate. "Durante dúzias de horas discutimos sobre Previdência Social, Iraque e outros assuntos. Não chegamos a tocar nesse assunto".

Mas Matthew Dowd, o estrategista-chefe da campanha de Bush, acredita que o comentário de Kerry foi intencional. "Percebo em Kerry uma intenção de trazer os filhos dos candidatos para o debate, com o objetivo de se beneficiar", disse Dowd sobre o comentário do candidato democrata.

"Acreditamos que ele não deveria ter feito isso, enquanto do outro lado acham que não há problema algum, e aí está a diferença. Nós não mencionaríamos os filhos de John Kerry ou os filhos de Elizabeth Edwards".

Já os líderes de grupos gays e lésbicos disseram estar surpresos com tanta polêmica provocada pelo assunto. Para eles, a reação dos republicanos mostra que, para os conservadores, o homossexualismo é uma questão que deve permanecer escondida.

Os militantes gays não acreditam que o episódio venha a afetar o resultado da disputa, porque os eleitores que se mobilizam a favor ou contra o direito dos homossexuais já tomaram firmemente uma posição, por causa do apoio de Bush à emenda constitucional que proíbe o casamento gay.

"Ele não disse que ela era uma assassina serial, nem que ela fez algo de errado. Ele só disse que ela é gay, o que é um fato da vida real, como a cor do cabelo dela", disse Cheryl Jacques, presidente da Human Rights Campaign, atualmente a principal organização política formada pelos gays nos Estados Unidos.

"Se Kerry tivesse falado algo sobre Elizabeth Edwards ser casada e com três filhos, não estaríamos debatendo esse assunto agora". Republicanos acham que quem é gay deve se esconder, diz ativista Marcelo Godoy

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