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16/10/2004

Partido Republicano continua com truques sujos

The New York Times
Paul Krugman

Colunista do NYTimes
No início desta semana, ex-funcionários da Sproul & Associates (operando sob o nome de Voters Outreach of America), uma firma contratada pelo Comitê Nacional Republicano para inscrever eleitores, disse à estação de televisão de Nevada que seus supervisores sistematicamente rasgavam os registros Democratas.

As acusações são acompanhadas de evidências e parecem admissíveis. As autoridades instauraram uma investigação criminal sobre denúncias similares contra a Sproul no Oregon.

É claro que os Republicanos alegam que não fizeram nada de errado --e que, além disso, os Democratas fazem a mesma coisa. No entanto, não houve acusações comparáveis contra as organizações de inscrição de eleitores Democratas. Além disso, há um padrão repetitivo de esforços Republicanos em cassar os direitos de voto dos Democratas, por qualquer meio possível.

Alguns dos meios, como os eventos em Nevada, envolvem truques sujos. Por exemplo, em 2002, o Partido Republicano em New Hampshire contratou uma empresa em Idaho para impedir os Democratas de incitarem as pessoas a irem às urnas, interferindo nos bancos de telefone do partido.

Muitos esforços envolvem abuso de poder. Por exemplo, o secretário de Estado de Ohio, Republicano, ressuscitou uma lei arcaica sobre a qualidade do papel para invalidar milhares de novos registros Democratas.

A tentativa fracassou. Mas, em Wisconsin, um condado Republicano insiste que, neste ano em que todo mundo espera número recorde de eleitores, Milwaukee receberá menos cédulas do que recebeu em 2000 e 2002 --uma receita para o caos em pontos de votação que servem aos eleitores urbanos, de maioria Democrata.

Flórida é um lugar de esforços descarados para suprimir os votos Democratas e negros, especificamente.

O secretário de Estado da Flórida recentemente decidiu que seriam julgadas incompletas as inscrições de eleitores que não tivessem marcado um x no quadrado referente à cidadania, mesmo que, em outra parte do formulário, tivessem assinado em resposta ao mesmo item.

Muitos condados estão, sabiamente, ignorando essa decisão, mas é certo que algumas autoridades usaram essa regra e outras tecnicalidades para rejeitar registros eleitorais como incompletos e adiaram a notificação aos eleitores sobre os problemas com seus formulários até ser tarde demais.

Quais registros foram rejeitados? Uma análise feita pelo jornal "Washington Post" sobre os formulários rejeitados do condado de Durval encontrou três vezes mais Democratas do que Republicanos. Também observou forte tendência de rejeição de inscrições de negros.

O caso da lista de criminosos da Flórida --usada pelas autoridades do Estado em 2000 para tentar eliminar o voto de milhares de negros-- foi amplamente divulgado. Menos divulgadas foram as evidências avassaladoras de que os erros foram deliberados.

Em um artigo que sairá na semana que vem, na revista "Harper's", Greg Palast, o repórter que denunciou o caso dos possíveis criminosos de 2000, revela que apenas poucos dos que foram injustamente eliminados das eleições de 2000 conseguiram voltar às listas de eleitores registrados.

As autoridades impuseram dificuldades kafkianas aos eleitores que tentaram voltar às urnas. Dependendo do condado, os que tentaram voltar à lista de votantes tiveram que pedir clemência para crimes cometidos por outros, ou passar por processos quase-judiciais para provar que não eram os criminosos com nomes similares.

E as autoridades parecem estar se esforçando para dificultar o voto dos negros que conseguem se registrar. A legislação da Flórida requer que as autoridades locais forneçam seções eleitorais onde os eleitores possam votar cedo. O condado de Duval terá apenas uma, quando outros condados com populações similares terão várias. Além disso, em Duval e outros condados, as seções em que se poderá votar cedo ficarão a quilômetros de distância da jurisdição de maioria negra.

Na semana que vem, vamos avaliar a questão da contagem dos votos dos moradores da Flórida que têm a cor de pele errada. Palast observa que, nas eleições de 2000, quase 180.000 votos da Flórida foram rejeitados porque estavam em branco ou continham mais de uma seleção.

Demógrafos da Comissão de Direitos Civis dos EUA estimam que 54% das cédulas estragadas eram de negros. Há fortes evidências que essa anulação não refletia a incompetência dos eleitores, mas que foi causada principalmente por urnas eletrônicas defeituosas e podem refletir a manipulação deliberada dos votos.

É importante entender que esses abusos não são aberrações. São o resultado inevitável de uma cultura do Partido Republicano em que truques sujos que distorcem os votos são recompensados e não punidos. Essa cultura persistirá até que os eleitores --cuja vontade ainda conta, se expressada com força suficiente-- responsabilizem o partido. Objetivo é impedir a todo custo o voto dos eleitores democratas Deborah Weinberg

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