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16/10/2004

Pesquisas confirmam que mundo prefere Kerry

The New York Times
Patrick E. Tyler

Em Londres
A campanha está pau a pau, e todo o planeta se acotovela, querendo dar palpite sobre a eleição presidencial americana. Com a intenção declarada de mostrar como os Estados Unidos "são percebidos pelo resto do mundo", 10 dos mais importantes jornais do planeta publicaram nessa sexta-feira (15/10), os resultados de pesquisas de opinião realizadas em seus países.

Em oito dos dez países pesquisados, há uma forte preferência pelo senador John Kerry na disputa pela Casa Branca. A pesquisa global também descobriu que as opiniões do mundo sobre os Estados Unidos pioraram durante o governo de George W. Bush em todos esses países, menos em Israel.

"Nitidamente, se o mundo votasse na eleição americana, não haveria dúvidas sobre o resultado no dia 2 de novembro", comentou o editorial do jornal britânico "The Guardian" sobre o resultado das pesquisas.

Esse resultado indicou que, embora a maioria nesses países ainda tenha uma atitude positiva em relação aos americanos em geral, e que de 80% a 90% dos entrevistados disseram ser importante a manutenção de boas relações com os Estados Unidos, há também um profundo descontentamento com a política externa americana sob o governo do presidente Bush, como já havia sido registrado em outras pesquisas internacionais.

No Japão, na Coréia do Sul, no México, na Rússia, na Espanha, na França e no Canadá os entrevistados disseram que os Estados Unidos erraram ao invadir o Iraque. E o governo de Washington exerce influencia excessiva nos assuntos internacionais, segundo amplas maiorias registradas no Canadá (86% contra 11%), na Grã-Bretanha (73%-17%), no México (66%-30%) e na Coréia do Sul (87%-11%) .

Organizada pelo jornal "La Presse" de Montreal, no Canadá, a pesquisa global foi realizada na Grã-Bretanha, na França, na Espanha, na Rússia, em Israel, no Japão, na Coréia do Sul, no México, no Canadá e na Austrália, numa representativa amostragem de países com fortes laços históricos ou alianças com os Estados Unidos.

O apoio ao presidente Bush foi mais forte em Israel e na Rússia, de acordo com os resultados apurados nesses países, com 50% dos israelenses favoráveis à reeleição de Bush, contra 24% para Kerry. Na Rússia, Bush ganhou por 52% a 48%.

Mas em todos os outros países, Kerry seria o amplo favorito, vencendo em termos percentuais por 50% a 22% segundo os britânicos, 55% a 20% para os mexicanos, 51% a 30% segundo os japoneses, 68% a 18% na opinião dos sul-coreanos e por 72% a 16% para os franceses (a maior vantagem entre as pesquisadas).

O editorial do "The Guardian", jornal representante dos britânicos, assinalou que enquanto Bush e Kerry saíram dos três debates praticamente empatados na disputa pelos votos dos americanos, nos outros países "a decisão já estaria tomada"

O jornal foi além na interpretação dos dados para observar, com alguma preocupação, que os jovens britânicos estão se voltando contra o governo do maior aliado de sua nação. Entre os britânicos com menos de 25 anos, cerca de 77% expressaram sua reprovação a Bush.

"Jovens ingleses, ávidos consumidores de Big Macs, Starbucks e de 'Friends', agora estão hostis à cultura americana, numa proporção parecida com a que é tradicionalmente associada ao desprezo manifestado pelos franceses em relação aos americanos", afirmou o diário "The Guardian".

Os resultados colhidos pelos diferentes jornais foram similares, mas não idênticos. A maioria da pesquisa foi realizada entre o final de setembro e o começo de outubro, com exceção da investigação entre os russos, efetuada entre 3 e 10 de setembro com 1.050 entrevistados. O universo pesquisado variou em tamanho, dos 522 em Israel aos 1.417 na Austrália.

Nem todas as perguntas foram iguais para todos os países, mas todos os pesquisadores, em todos os países, tabularam resultados para as cinco primeiras perguntas, relativas ao apoio devido a Bush e a Kerry. As margens de erro variaram de 2,6 pontos percentuais, na Austrália, a 4,38 em Israel.

Numa mensagem por e-mail, dirigida essa semana aos editores dos jornais participantes da pesquisa, Jean-Pascal Beaupre, um dos gerentes da redação do "La Presse", disse: "Graças a vocês, as pessoas em todo o planeta saberão como os Estados Unidos são avaliados pelo restante do mundo, duas semanas antes da eleição presidencial americana".

O editor do noticiário nacional do jornal "The Guardian", Alan Travis, disse que todos os editores decidiram participar como uma maneira de comunicar aos americanos diferentes visões do mundo.

"Estamos seriamente conscientes de que o resultado da eleição americana tem um impacto sobre todos nós", disse Travis. "Se pudermos articular as visões do estrangeiro com o debate político americano, será um acréscimo útil à qualidade da democracia".

Por outro lado, reconheceu o jornalista, "alguns poderão considerar a pesquisa como uma interferência externa, mas a verdade é que o restante do mundo deve ter a possibilidade de ser ouvido sobre essa questão".

Entre os jornais que encomendaram questionários para a pesquisa estão o "Le Monde" da França, o "Asahi Shimbun" do Japão, o "JoongAng Ilbo" da Coréia do Sul, o "Reforma" do Mexico, o "Ha'aretz" de Israel, o "Moscow News" da Rússia e o "El Pais" da Espanha.

Os resultados confirmam os obtidos em outras pesquisas internacionais, que também indicaram uma queda no apoio à política externa americana e uma visão cada vez mais negativa sobre o governo Bush.

"Nos últimos anos, a percepção sobre os Estados Unidos entre muitos coreanos mudou drasticamente", escreveu o jornalista Young Hie Kim do "JoongAng Ilbo" da Coréia do Sul. "E esse é especificamente o caso da geração mais nova".

A Coréia do Sul está entre os mais poderosos aliados dos Estados Unidos. Isso acontece desde a guerra da Coréia, nos anos 50, sendo que o governo de Washington continua a garantir a segurança do país, mediante a presença de mais de 30 mil soldados estacionados no país asiático.

"Menos que um amigo benevolente, os Estados Unidos são vistos como uma força hegemônica que toma iniciativas militares de forma unilateral, sem cuidar das enormes conseqüências", acrescentou Young.

Enquanto isso, os israelenses apóiam Bush, numa proporção de 2 para 1. Shmuel Rosner, um colunista do "Ha'aretz", disse: "Israel adora o presidente americano porque ele é quem segura o guarda-chuva que protege o país de seus inimigos."

Na Rússia, a pesquisa foi realizada sob o impacto do ataque terrorista na escola em Beslan, e Bush foi considerado um vigoroso partidário do presidente Vladimir Putin em sua luta antiterror. Se a eleição fosse mundial, Bush sofreria um massacre nas urnas Marcelo Godoy

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