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18/10/2004

Assassino de Lennon diz que tentou se conter

The New York Times
Sabrina Tavernise

Em Nova York
Mark David Chapman, o homem que matou John Lennon, disse que tentou desistir de cometer o crime durante os três meses que o planejou, de acordo com a transcrição de sua recente audiência para obter liberdade condicional, divulgada na quinta-feira (14/10).

Chapman, que teve seu pedido negado pela terceira vez no dia 5 de outubro, disse aos membros do Conselho de Condicional do Estado de Nova York que atirou cinco vezes em John Lennon no dia 8 de dezembro de 1980, depois de três meses de planejamento. Durante esses meses, ao menos uma vez desistiu de matar Lennon e voltou para sua casa no Havaí, inspirado, disse ele, pelo filme de 1980 "Gente Como a Gente", que mostra o relacionamento de uma família depois da morte de um filho.

"Acho que (o filme) me tocou". Ele disse que ligou para sua mulher, contou-lhe de seu plano de matar Lennon e afirmou: "Seu amor me salvou, e vou voltar para casa."

Chapman disse: "Tentei deter aquilo que estava crescendo dentro de mim." Mas, semanas depois, "Começou a crescer de novo", e voltou para Nova York.

"Era uma compulsão tremenda, sentir esse enorme vazio de ser o que eu achava que era um grande nada. Não consegui parar a sensação."

"Simplesmente não consegui parar", acrescentou.

Chapman, 49, foi condenado a 20 anos de prisão em 1981 por matar Lennon, diante de seu prédio Dakota, na Rua 72 com Central Park Oeste.

Na transcrição, Chapman reiterou sua alegação anterior de que matou Lennon para ser notado. O conselho de liberdade condicional disse anteriormente que o réu continuava tentando manter sua notoriedade, inclusive dando uma entrevista a Bárbara Walters em 1992.

"Cometi esse ato para receber atenção", afirmou simplesmente na transcrição.

Ele acrescentou que conseguiu o que queria, mas de "uma forma pervertida".

"De algumas formas, sou um nada maior do que era antes, porque, você sabe, agora as pessoas me odeiam em vez de, você sabe, pensarem algo positivo. Então esse é um estado pior."

Chapman também disse que Yoko Ono, mulher de Lennon, que estava com ele quando foi atingido, andou até o carro da polícia em que estava sentado e olhou diretamente para ele, pela janela. Essa memória foi "traumática", disse ele, que a bloqueou por algum tempo.

"Acredito que a Sra. Lennon aproximou-se naquela hora e olhou para dentro", disse ele.

Na audiência, perguntaram a Chapman se Ono dissera alguma coisa. "Não", respondeu. "Só pelo vidro." Conselho nega liberdade condicional a Mark Chapman Deborah Weinberg

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