UOL Notícias Internacional
 

19/10/2004

Pesquisa NYT-CBS dá empate entre Bush e Kerry

The New York Times
Janet Elder* e

Adam Nagourney

Em Nova York
Duas semanas antes da eleição, os eleitores têm uma visão altamente crítica do retrospecto do presidente Bush no cargo, mas possuem fortes reservas quanto ao senador John Kerry, deixando a disputa empatada, segundo a mais recente pesquisa The New York Times/CBS News.

O índice de aprovação de Bush está em 44%, um número perigosamente baixo para um presidente em exercício, e um dos mais baixos de seu mandato. A maioria dos eleitores disse reprovar a forma como Bush lidou com a economia, a guerra no Iraque e --repetindo um refrão de Kerry-- que seus cortes de impostos favoreceram os ricos. Os eleitores disseram que Kerry se sairá melhor na preservação do Seguro Social, criação de empregos e em colocar um fim à guerra no Iraque.

Ainda assim, a pesquisa revelou que cada candidato está atraindo 46% das intenções de voto dos eleitores registrados, em uma disputa cabeça a cabeça. Entre os eleitores prováveis em uma disputa restrita aos dois, Bush tem uma vantagem de 47% contra 46% de Kerry.

A pesquisa Times/CBS foi realizada ao longo de quatro dias desde que Bush e Kerry concluíram o último de seus três debates. Outras pesquisas realizadas durante este período mostraram Bush em uma posição mais forte entre o que descreveram como eleitores prováveis. As variações refletem a dificuldade em determinar quem irá votar, particularmente em uma campanha na qual ambos os lados investiram tantos recursos para registrar novos eleitores.

Sejam quais forem os problemas que Bush possa estar experimentando à medida que se aproxima do fim de seu primeiro mandato, sua posição continua a ser sustentada pela preocupação com o terrorismo. 68% dos entrevistados disseram que têm muita ou alguma confiança de que Bush tomará a decisão certa para impedir outro ataque terrorista --em comparação com 62% que disseram sentir isto em relação a Kerry.

Bush, em um discurso em Nova Jersey nesta segunda-feira (18/10), atacou as credenciais de Kerry para combater o terrorismo e lançou uma nova propaganda de televisão repetindo o mesmo tema.

Além disso, a maioria dos americanos continua vendo Kerry como um político não confiável que dirá o que achar que as pessoas querem ouvir. Mais da metade dos entrevistados disse que considera Kerry liberal (esquerdista, na acepção norte-americana do termo), refletindo a principal linha de ataque de Bush neste outono.

Os resultados da pesquisa foram altamente incomuns, mesmo neste ano eleitoral altamente incomum, em que muitas medidas utilizadas pelos pesquisadores para determinar a força do presidente em exercício --do índice de aprovação ao percentual de americanos que acredita que o país está seguindo na direção errada (59%)-- normalmente sinalizariam problemas para um presidente.

Além disso, os eleitores parecem estar escutando muitos dos argumentos de Kerry; 59%, por exemplo, disseram achar que as políticas de Bush favorecem os interesses corporativos.

Kerry está em melhor posição do que estava antes do início dos debates, quando a pesquisa Times/CBS News o apontava atrás de Bush, 50% contra 42%. Mas esta pesquisa e outras sugerem que ele está tendo dificuldade em converter o descontentamento com o estado do país em apoio à sua candidatura.

Os assessores de Bush disseram que os resultados da pesquisa demonstraram que os americanos não estão preparados para trocar Bush por um candidato pelo qual, eles disseram, os eleitores claramente têm fortes reservas.

"Há uma desconfiança e uma relutância do público em aceitá-lo como presidente", disse Matthew Dowd, um alto conselheiro de Bush. "Eu não acho que eles gostem de suas políticas. Ao longo do transcurso desta campanha, é como se o público ainda não o conhecesse."

Os assessores de Kerry disseram que ficaram animados com os resultados da pesquisa, e disseram que o descontentamento com Bush significa que os eleitores indecisos estão próximos de migrarem para Kerry.

"Eu não acho que os eleitores tenham mais reservas", disse Joe Lockhart, um alto conselheiro de Kerry. "Estes eleitores vão se decidir. A pesquisa dá todos os indícios de que quando se decidirem, eles optarão por Kerry."

Além da Casa Branca, a pesquisa Times/CBS também sugeriu uma área de vulnerabilidade para os republicanos: o Congresso. Apenas 38% dos pesquisados disseram que aprovam a forma como o Congresso está realizando seu trabalho; 46% dos pesquisados disseram que planejam votar em candidatos democratas para o Congresso, em comparação a 38% que disseram que votarão nos republicanos.

E os eleitores têm uma visão mais positiva do Partido Democrata do que do Partido Republicano: 52% disseram ter uma visão favorável dos democratas, em comparação a 47% que disseram ter uma visão favorável dos republicanos.

A pesquisa Times/CBS foi realizada entre 1.048 americanos de todo o país, incluindo 931 eleitores registrados. Ela apresenta margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos para toda a amostragem e para os eleitores registrados.

Bush é para os ricos

Em uma disputa incluindo Ralph Nader, Bush e Kerry apresentaram 45% das intenções de voto entre os eleitores registrados, com Nadar atraindo 2 pontos percentuais. Entre os eleitores prováveis, Bush apresentou 47% contra 45% de Kerry, com Nadar ficando com 2%.

Os números nacionais de Nader não são particularmente esclarecedores, porque seu verdadeiro impacto, se tiver algum, ocorrerá em Estados individuais onde a disputa está muito apertada.

A disputa também está ideologicamente polarizada; enquanto 56% dizem considerar Kerry como sendo liberal, 66% acham que Bush é conservador.

Bush é visto no momento de forma menos favorável do que no início do mês, o que provavelmente é um reflexo do fato de ter atacado ferozmente Kerry nas últimas semanas, apagando uma vantagem que tinha sobre Kerry.

O presidente foi visto de forma desfavorável por 45% dos pesquisados, em comparação com 43% que o vêem favoravelmente. Kerry é visto de forma desfavorável por 44% dos pesquisados, em comparação com 39% que o vêem favoravelmente.

A pesquisa destacou o quanto Bush foi bem-sucedido em levantar dúvidas sobre Kerry. Além da percepção de Kerry como sendo liberal, 60% disseram que Kerry diz às pessoas o que elas querem ouvir, em vez daquilo em que ele acredita. Em comparação, 59% disseram que Bush diz aquilo em que acredita, uma das maiores diferença que Bush buscou traçar em relação ao seu oponente.

"Eu não confio em Kerry", disse Robert Brorein, 74 anos, um republicano que disse não gostar de Bush mas que não conseguiria votar em Kerry. "Eu não confio na forma como ele fala. Ele não dá respostas diretas. Ele dá a impressão de ser um sujeito liso. Ele é bom com palavras, mas eu simplesmente não acredito nele."

A pesquisa e as entrevistas subseqüentes sinalizaram até que ponto a candidatura de Bush se apóia em seu retrospecto com o terrorismo, apesar de Kerry ter melhorado suas credenciais no tema.

O índice de aprovação de Bush de 44% é ligeiramente superior aos 37% de aprovação que o pai de Bush desfrutava antes de perder para Bill Clinton, em 1992. Dowd disse não estar preocupado com o número, contestando o resultado e apontando para uma pesquisa da Organização Gallup.

"Se fosse verdade, seria um problema", disse ele. "O Gallup apontou nosso índice de aprovação em 51%. É neste número que estou prestando atenção."

A pesquisa Times/CBS News apontou indícios de que os eleitores estão dando ouvidos aos ataques democratas contra Bush, mesmo que não apóiem o candidato que os está fazendo. Quase metade dos entrevistados disse que as políticas de Bush beneficiaram os ricos, em comparação a 8% que disseram que elas beneficiaram a classe média.

Além disso, quase metade disse que as políticas de Bush estão reduzindo o emprego nos Estados Unidos. 65% disseram que as políticas de Kerry favorecem "os americanos comuns" em vez das grandes corporações; 50% disseram que as políticas de Bush protegerão as corporações.

Um quarto dos entrevistados disse que as políticas de Bush resultaram em uma redução dos seus impostos, enquanto 28% disseram que resultaram em um aumento dos seus impostos. E 61% disseram que os benefícios do Seguro Social serão mantidos em caso de vitória de Kerry; 43% disseram isto sobre Bush.

Quanto ao Iraque, os americano não mais vêem a guerra da mesma forma que Bush. A maioria agora diz que a guerra é uma parte menor da guerra contra o terrorismo ou não faz parte. Apenas 37% disseram que a guerra no Iraque é uma parte importante da guerra contra o terrorismo.

Além disso, Kerry se estabeleceu como o candidato que tornará o atendimento de saúde mais acessível, e como o candidato que melhor entende as necessidades e problemas do eleitor comum.

"A economia está um desastre e não acho que George Bush percebe isto", disse Sally Sullivan, 61 anos, uma secretária aposentada e eleitora independente de New Hampshire. "Os empregos de classe média estão deixando este país e os empregos que estão sendo criados são no setor de serviços, por 15,16 ou 17 mil dólares por ano. Eu acho que George Bush perdeu completamente contato com a realidade no que se refere à economia."

*Colaborou Fred Backus. A duas semanas da eleição presidencial; a disputa segue embolada George El Khouri Andolfato

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