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20/10/2004

"The West Wing" faz alegoria com guerra de Bush

The New York Times
Alessandra Stanley

Em Nova York
A sexta temporada da premiadíssima série "The West Wing", da NBC, é um pouco como Montgomery Clift depois de seu acidente de automóvel, em 1956: parece o mesmo, mas algo mudou definitivamente. A nova fase da série, que retrata o dia-a-dia de uma Casa Branca democrata, será apresentada no Brasil pelo canal pago Warner às 22h das sextas, a partir de 5 de novembro.

A temporada, que estréia nesta quarta-feira (20/10) nos EUA, começa onde a última temporada parou: terroristas atacaram a delegação americana em Gaza, matando membros do Congresso e o almirante Fitzwallace e ferindo Donna Mossa, assessora da Casa Branca. O presidente Josiah Bartlet está sendo pressionado a retaliar, bombardeando alvos sírios e iranianos.

De novo não.

Deveria haver um limite aos mandatos de presidentes na televisão. Um mandato estava ótimo para "The West Wing". A continuação de um dos melhores e mais populares dramas da televisão às vezes é audaciosa, mas frequentemente dolorosa.

Na maior parte, o que está faltando é sutileza e sagacidade. Desde que Aaron Sorkin, criador do programa, saiu, em 2003, no final da quarta temporada, os novos roteiristas, liderados pelo produtor executivo John Wells, que também supervisiona as séries "E.R." e "Third Watch", elevaram o volume ao máximo.

Tudo é crise e todos os homens do presidente gritam com urgência. É um pouco como "E.R." no Potomac [nome do rio que corta a capital americana] --às vezes é demais. Nos três primeiros episódios, dois altos assessores da Casa Branca vão parar na emergência, onde sofrem cirurgias de vida ou morte. (Lembrando Lady Bracknell, uma é azar; duas parece descuido).

A NBC espera reacender o interesse pela série acrescentando novos personagens. Em novembro, Jimmy Smits entrará para o programa como um congressista de Houston, com aspirações à presidência, e Alan Alda fará um papel igualmente ambicioso, de um senador Republicano da Califórnia.

No entanto, nos primeiros episódios, aparecem poucos membros do elenco. A assessora de segurança nacional Kate Harper (Mary McCormack), uma loura alta que pressiona o presidente a retomar as negociações entre Israel e os palestinos, também esteve em alguns episódios na última temporada.

Há muita boa vontade Democrata na série. Por exemplo, o presidente se recusa a atacar alvos no Irã até que a inteligência consiga encontrar "provas irrefutáveis" de que o Irã foi cúmplice nos atentados de Gaza.

Wells é mais conhecido por novelas do que por política mundial. E o excesso de riscos de vida e melodramas interpessoais (será que o amor entre Leo e o presidente jamais será consumado?) encobriu os toques que tornaram as primeiras temporadas tão especiais. Dentre eles, o ritmo de comédia veloz dos assessores de "The West Wing" e as referências ecléticas, de Santo Agostinho até Gilbert e Sullivan.

A série começou a se arrastar um pouco em 2003, e sua audiência caiu dramaticamente quando a ABC colocou "The Bachelor" no ar no mesmo horário. Antes de sair, Sorkin deu uma virada promissora na história: o presidente Bartlet renunciou quando sua filha foi seqüestrada; o líder Republicano da Câmara, Glenallen Walken (John Goodman), assumiu para abalar a complacência do governo Bartlet.

Isso deu aos membros de "The West Wing" um novo conjunto de inimigos, assessores Republicanos que empurravam eles para o lado, como as irmãs postiças de Cinderela.

Mas sob o comando de Wells, o presidente Bartlet voltou, Walken saiu e o programa voltou para seu antigo curso acidentado. Os assessores ainda são engraçadinhos, mas as piadas são mais óbvias e carregadas. (Uma delas se refere à Autoridade Palestina como "duas marionetes e um ursinho de pelúcia"). E a pregação é ainda mais moralista e sentimental.

A série sempre pareceu estar atrasada em relação aos tempos. Mesmo quando estava obviamente tirando suas histórias dos noticiários, usou estratégias de Clinton (1993-2000) diante das crises. Nesta temporada, os autores estão voltando à era Carter (1977-1980): o presidente Bartlet enfrenta seus assessores e força a vinda de israelenses e palestinos a Camp David. Kate, sempre idealista, consegue ajudar a firmar um acordo para Jerusalém, que é garantido por uma força de paz americana. (Isso vai funcionar).

Os discursos israelenses e palestinos são caricatos, mas uma cena silenciosa em Camp David evoca o charme inicial do programa. Uma secretária do presidente mede a mesa de conferências de madeira polida com uma régua: ela distribui cuidadosamente os cartões com os nomes dos convidados e os cadernos de anotações, enquanto um assessor subalterno estressado observa ansioso.

"The West Wing" venceu muitos Emmys por seu roteiro, mas alguns dos melhores momentos foram os silenciosos quadros do poder em Washington. A nova temporada ainda é muito nervosa e barulhenta para deixar o silêncio voltar à sala.

The West Wing

Warner Channel, sextas às 22h;

Com Martin Sheen (presidente Josiah Bartlet), Stockard Channing (Abigail Bartlet), Dule Hill (Charlie Young), Allison Janney (C.J. Cregg), Joshua Malina (Will Bailey), Janel Moloney (Donna Moss), Richard Schiff (Toby Ziegler), John Spencer (Leo McGarry), Bradley Whitford (Josh Lyman), John Amos (almirante Percy Fitzwallace), Mary McCormack (Kate Harper). Nova temporada mostra EUA fazendo guerra de vingança com o Irã Deborah Weinberg

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