UOL Notícias Internacional
 

21/10/2004

Pesquisas são vagas porque eleitorado é instável

The New York Times
Andrew Kohut*

Em Washington

Especial para o NYTimes
A série de pesquisas nacionais realizadas após o terceiro debate presidencial indica que as pesquisas não nos darão um quadro claro de quem vencerá a eleição até os últimos dias de campanha, se é que darão. Não que as pesquisas não mais funcionem, mas pela opinião dos eleitores ser altamente instável.

Apesar de muitos americanos estarem fortemente comprometidos em reeleger o presidente Bush ou removê-lo, ainda resta um bloco relativamente grande de eleitores indecisos que criticam o presidente mas que ainda não têm convicção em apoiar o senador John Kerry.

Esta pressão continua sendo o dilema de milhões de eleitores não definidos.

Após o segundo debate, a disputa estava praticamente empatada, com algum movimento na direção de Kerry. Nesta semana o quadro está muito mais nebuloso, embora Kerry tenha vencido o terceiro debate na opinião da maioria dos eleitores. A disputa continua empatada nas pesquisas The New York Times/CBS News Poll e Centro Pew de Pesquisa, mas o presidente conseguiu uma vantagem significativa nas pesquisas Newsweek e Gallup.

Além dos resultados conflitantes, as pesquisas também oferecem uma série de conclusões contraditórias sobre as opiniões dos eleitores. Algumas sugerem que os debates não tiveram nenhum impacto na disputa, enquanto outras disseram que eles fortaleceram o apoio a Kerry.

Algumas apontaram para uma queda do índice de aprovação do presidente; outras a apontaram como estável. Algumas mostram uma grande vantagem para Bush quando as amostras são reduzidas de eleitores registrados para eleitores prováveis. Outras mostram uma pequena vantagem de Bush, empate ou uma vantagem de Kerry.

Vale a pena lembrar que quatro anos atrás os eleitores estavam igualmente divididos entre os candidatos. Mas as opiniões sobre Al Gore e Bush não repercutiam, porque não havia tanto entusiasmo por nenhum dos candidatos. De fato, as pesquisas realizadas durante a recontagem na Flórida apontaram maiorias dizendo que qualquer um deles seria um presidente aceitável.

Mas não em 2004. Segundo todas as medidas, os eleitores nos dizem neste ano que estão prestando mais atenção na disputa e na cobertura da eleição, e um percentual maior diz que importa quem será eleito em novembro. Mas muitos ainda dizem não estarem convictos de sua escolha ou que estão simplesmente indecisos.

Com tantos números diferentes, há pouco que as pesquisas possam dizer de forma definitiva sobre o curso da disputa. Na verdade, nós podemos encontrar dados que apóiam e refutam cada argumento que os estudiosos estão fazendo sobre como esperam que a história se desdobrará.

Uma destas idéias é de que os eleitores indecisos acabarão pendendo para Kerry. O argumento é este: estes eleitores conhecem George Bush e estão descontentes com sua atuação e o estado da nação. Portanto é difícil imaginar que optarão por ele. Ora, há uma enormidade de dados mostrando que os eleitores indecisos --que ainda representam 14% dos eleitores prováveis-- pensam em todas estas coisas mas ainda estão mornos em relação a Kerry, particularmente em sua capacidade de conduzir a guerra contra o terrorismo.

Outra suposição comum é que os eleitores não trocarão de presidente no momento em que o país está enfrentando uma ameaça externa e tem tropas em campo. Apesar de seu anêmico índice de aprovação de 47%, Bush se sustentará porque os eleitores indecisos não colocarão o país em risco. Nenhum presidente em tempo de guerra perdeu uma disputa pela reeleição, acrescentam aqueles que argumentam tal posição.

Pode ser que sim, mas não estamos vivendo em meio à Segunda Guerra Mundial ou ao Vietnã. No momento, há muitos eleitores indecisos que dão maior prioridade para questões domésticas (em que Kerry é forte) do que para questões de segurança.

Finalmente, muitos especialistas previram que nenhum candidato conquistará uma vitória decisiva. Nós poderemos de fato ter uma margem estreita e mesmo uma repetição da eleição contestada de 2000. Mas as oscilações de sentimento nas pesquisas têm sido tão grandes que sugerem a possibilidade de que um candidato possa obter uma vantagem decisiva no dia da eleição.

Ou não.

*Andrew Kohut e diretor do Centro Pew de Pesquisas. Mudanças de opinião são freqüentes, e os indecisos, numerosos George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h19

    0,07
    3,268
    Outras moedas
  • Bovespa

    16h29

    1,59
    63.658,22
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host