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23/10/2004

Economia da China cresce 9,1% no 3º trimestre

The New York Times
Chris Buckley

Em Pequim
A economia da China continuou crescendo rapidamente no último trimestre, apesar dos esforços do governo para conter os investimentos, de acordo com os dados divulgados na sexta-feira (22/10).

A economia cresceu 9,1% ao ano no terceiro trimestre, comparada ao mesmo trimestre do ano anterior, o que representou uma queda em relação ao segundo trimestre --9,6%-- e o primeiro --9,7%. Zheng Jingping, porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas, disse que as medidas adotadas para conter os investimentos estavam funcionando, mas tinham que ir mais longe.

"Alguns dos problemas mais importantes da atividade econômica foram suavizados", disse ele na conferência com a imprensa, "mas a base ainda está instável e o ímpeto para o excesso de expansão de investimento perdura".

Na primeira metade do ano, o governo começou a colocar freios em vários setores da economia. O investimento em indústrias consideradas insustentáveis caiu no terceiro trimestre. O investimento em siderúrgicas caiu em dois terços em relação ao primeiro trimestre; em cimento, caiu quase pela metade. Setores antes vibrantes, especialmente o automobilístico, também se desaceleraram.

No total, entretanto, o investimento na indústria, em infra-estrutura urbana e outros bens imóveis cresceu em 27,9% no terceiro trimestre, ano a ano --uma queda dramática do ritmo de 42,8% observado no primeiro trimestre, mas pequena em relação à primeira metade.

Os analistas, investidores e autoridades, no entanto, disseram que o programa da China para diminuir o crescimento sem gerar uma queda brusca estava longe de terminado e tinha sido prejudicado por incertezas referentes a uma possível retomada de investimento, o impacto da elevação do preço do petróleo e de alimentos e a própria falta de confiabilidade dos dados que guiam o governo.

Por exemplo, na semana passada, a estimativa de crescimento de 2003 foi aumentada de 9,1% para 9,3%. Os economistas disseram que, com a alteração, ficou mais fácil para o governo alegar sucesso em conter o crescimento neste ano e acrescentaram que os números atuais talvez não reflitam o verdadeiro vigor da economia.

"No papel, a economia desacelerou, mas, na realidade, não mudou quase nada", disse Dong Tao, economista do Credit Suisse First Boston em Hong Kong.

As estatísticas mais recentes foram distorcidas pela pressão sobre as autoridades para que anunciassem uma aterrissagem suave e gradual da economia, disseram vários analistas.

"Quando o governo pede esfriamento, é isso que as autoridades divulgam. A economia desaqueceu, mas não tanto", disse Andy Xie, do Morgan Stanley em Hong Kong.

Os números robustos sugerem que os esforços do governo em conter seletivamente o investimento, sem aumentar as taxas de juros, podem estar falhando.

"O uso de medidas administrativas para controlar o investimento sempre leva a um padrão irregular. Então, não é estranho ter havido uma recuada, com essas medidas", disse Hong Liang, economista da Goldman Sachs em Hong Kong.

O investimento ainda alto também pode refletir a produção de encomendas atrasadas pela falta de energia no verão, disse ela.

Outros disseram que as empresas chinesas são cada vez mais capazes de evadir os esforços do governo para restringir empréstimos. Tao, do Credit Suisse, disse que, recentemente, os bancos relaxaram os empréstimos para projetos do governo e empresas estatais.

Muitas companhias das regiões costeiras da China estão contornando as restrições de crédito pegando emprestado de outras empresas, disse Tao. Ele estimou que, nos meses de agosto e setembro, foram sacados US$ 17 bilhões (em torno de R$ 51 bilhões) dos bancos para empréstimos a terceiros.

Em prazo mais longo, o investimento alto e conseqüente risco de maior inflação podem forçar o governo a tomar medidas mais duras.

Essas pressões inflacionárias estão sendo magnificadas pela conta de luz crescente da China. Nos primeiros nove meses deste ano, a China importou US$ 23 bilhões (aproximadamente R$ 69 bilhões) de petróleo cru. A alta da demanda chinesa forçou para cima os preços internacionais. Os preços dos alimentos na China também aumentaram 11% nos três primeiros trimestres.

Mas até agora, os custos crescentes de energia e produção mal afetaram o índice de preço ao consumidor oficial da China, que subiu 4,1% nos três primeiros trimestres, disse Zheng. Mas ele também observou que o custo do combustível e matéria-prima aumentou 10,4% nos primeiros nove meses e, em setembro, os preços dos bens de consumo subiram 5,2%, em relação ao mesmo mês no ano passado.

Nos próximos meses, grande parte do custo da matéria-prima poderá ser repassada aos preços ao consumidor, disseram economistas e autoridades. Pequim talvez decida forçar os investidores a frear os gastos aumentando as taxas de juros, que estão basicamente iguais à inflação. Mas os economistas acham possível que o governo espere vários meses para que as tendências fiquem mais claras.

"O governo está determinado a esfriar a economia", disse Tao, do Credit Suisse. "Mas está confuso com os sinais divergentes, assim como muitas pessoas, inclusive eu." Governo pretende reduzir taxa de crescimento para evitar inflação Deborah Weinberg

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