UOL Notícias Internacional
 

24/10/2004

Kerry e Bush duelam por 11 Estados na reta final

The New York Times
Katharine Q. Seelye*

Em Washington
O presidente Bush e o senador John Kerry entram nos últimos dias de sua disputa presidencial concordando que a corrida agora se restringiu a apenas 11 Estados, traçando planos para uma enxurrada de visitas e propagandas de televisão neste campo de batalha final ao longo dos próximos 10 dias.

Assessores de Bush e Kerry, diante de uma série de pesquisas que mostram a disputa empatada, disseram que os candidatos gastarão virtualmente todo o seu tempo --e grande parte de seus orçamentos restantes de propaganda-- nestes Estados, começando na Flórida, mas se estendendo até o Novo México, a oeste, e New Hampshire, ao norte.

Nas últimas semanas, ambos os lados deslocaram discretamente pessoal de Estados que antes pareciam disputados para outros como Iowa, no qual Al Gore venceu em 2000, e Colorado, um Estado no qual Bush venceu da última vez, enquanto buscam se reajustar às novas informações e dados de pesquisa.

Apropriadamente para este ano, cinco dos Estados foram vencidos pelo presidente Bush em 2000, e seis por Gore, o candidato democrata. E pelo menos 7 dos 11 Estados são considerados agora como estando dentro da margem de erro nas pesquisas que estão sendo realizadas pelas campanhas, disseram os assessores.

"Nós estamos onde paramos em 2000: com um número limitado de Estados que estão muito, muito disputados", disse Matthew Dowd, um alto conselheiro de Bush. "E a boa notícia para nós é que mais destes Estados são Estados de Gore em vez de Estados de Bush."

Ted Devine, um alto conselheiro de Kerry, contestou tal avaliação, notando que Bush está tendo dificuldade em dois Estados que foram a base de sua eleição em 2000, Ohio e Flórida. "Nós estamos em Estados suficientes para conquistar uma vitória clara e convincente no Colégio Eleitoral", disse Devine.

Do 11 Estados neste campo de batalha final, representando 135 dos 538 votos eleitorais, Bush conquistou o Colorado, Flórida, Nevada, New Hampshire e Ohio em 2000. Destes, analistas e assessores de ambas as campanhas afirmam que Kerry tem melhores chances de conquistar New Hampshire, Ohio e a Flórida.

Os Estados de Gore em disputa são Iowa, Michigan, Minnesota, Novo México, Pensilvânia e Wisconsin. Destes, analistas e assessores disseram que Bush tem mais chances de conquistar Wisconsin, Iowa e Novo México. Um repentino crescimento de Bush em Michigan, um Estado que Kerry pensou que ele tinha descartado, pegou ambos os lados de surpresa, e ambos os candidatos programaram viagens de última hora para lá na próxima semana.

Todos, com exceção de Nevada e Colorado, foram descritos por ambos os lados como empatados. Em um reflexo das rápidas mudanças no cenário, a campanha de Kerry designou funcionários da campanha que antes estavam trabalhando no Missouri e Arizona --dois Estados que saíram da lista democrata-- para Iowa e Novo México, onde Gore venceu em 2000, e Nevada, onde Bush venceu. Bush retirou seu pessoal de Washington, um Estado de Gore onde Bush esperava vencer, e os redistribuiu nestes 11 Estados, disseram membros da campanha.

O reposicionamento geográfico ocorre enquanto Bush e Kerry acentuam suas diferenças e enquanto a disputa se aproxima do final, defendendo posições altamente diferentes sobre cortes de impostos, saúde, Seguro Social e o papel dos Estados Unidos no mundo.

Mais do que qualquer coisa, disseram assessores de Bush, seu foco central será aquele que sempre foi visto como seu tema mais forte: a guerra contra o terrorismo. Seus conselheiros disseram que tentarão comandar a agenda nos dias restantes, com precisão intensa e espantosa, na propaganda em televisão e nos ataques de Bush e do vice-presidente Dick Cheney sobre o tema.

O presidente está planejando concluir sua campanha com uma propaganda na qual Bush, recontando o trauma da nação nestes últimos três anos, fará um apelo pessoal para ser mantido na Casa Branca.

Bush retomou o tema do terrorismo durante uma parada de campanha em Forte Myers, neste sábado (23/10), onde a programação das redes de televisão destacou o terror o tempo todo: imagens do World Trade Center fumegando e alertas republicanos de que Kerry será fraco diante das ameaças de terrorismo.

"Nós estaremos basicamente falando sobre quem vencerá a guerra contra o terror, quem tornará a América mais segura e quem liderará o esforço para reformar nosso governo", disse Karl Rove, o principal conselheiro de Bush.

A ênfase no terror a esta altura faz parte de um apelo calculado junto a algumas mulheres, que tendem a se decidirem apenas no final da campanha, e aquelas junto às quais Kerry tem tido dificuldade em conquistar um apoio que os democratas costumam ter.

Bob Shrum, um alto conselheiro de Kerry, disse que a campanha de Bush foi "reduzida a uma nota só". Ele disse que Kerry responderá contestando a forma como Bush conduziu a guerra no Iraque, prometendo uma nova direção para o país e dando ênfase à solução dos problemas domésticos.

"John Kerry tem como argumento fundamental que precisamos de um presidente que possa defender o país e lutar pela classe média", disse Shrum. "Bush só consegue falar para metade desta equação."

A dinâmica desta disputa agora tem variado de Estado para Estado, apesar do fato de que 39 Estados agora serem considerados como tendo definido seu apoio a Kerry ou Bush ter tornado o desafio enfrentado por ambas as campanhas menos extenso.

Em Ohio, por exemplo, os assessores dos dois homens disseram que o resultado provavelmente será determinado pelas preocupações com a economia e o emprego. Em Wisconsin, a campanha de Kerry está atacando Bush no preço do leite, enquanto na Pensilvânia, Bush tem buscado derrubar Kerry enfatizando a oposição do presidente ao aborto e ao casamento gay, em um esforço para ter apelo junto ao considerável voto dos católicos romanos do Estado.

Mas em locais como a Flórida --possivelmente o mais competitivo dos 11-- as mentes parecem decididas a ponto de o resultado depender mais do comparecimento e registro dos eleitores. E apesar de todos os discursos, temas e percepções conflitantes dos dois candidatos, o poder das operações de mobilização dos eleitores, que ambos os lados passaram dois anos desenvolvendo, poderá ser o fator mais importante para determinar quem será o próximo presidente.

"A Pensilvânia continua apresentando uma corrida disputada, com Kerry desfrutando de uma ligeira vantagem, mas que agora depende do comparecimento do eleitor", disse Terry Madonna, um cientista político da Franklin and Marshall College.

Eric Rademacher, um cientista político da Universidade de Cincinnati, disse: "Nossas mais recentes pesquisas mostram um empate", e ele acrescentou que apesar de todo dinheiro em propaganda, as aparições de campanha e a atenção dedicada a Ohio neste ano, "ainda se resumirá ao trabalho do pessoal local".

"Eu não acho que há algo que os candidatos possam fazer a esta altura para mudar as opiniões", disse Rademacher. Mesmo a chegada do governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, a Ohio na próxima semana para promover Bush poderá ter pouco efeito, disse ele, porque "atingimos o nível de saturação".

Os principais assessores de Kerry disseram que os democratas em Estados como este estão mostrando motivação e interesse maior do que já tinham visto antes, e que a série de pesquisas que mostram a disputa empatada tem, pelo menos, alimentado isto.

"As pessoas acordam nestes Estados indefinidos e a mídia lhes diz que a disputa está cabeça a cabeça --este é o maior motivador de todos", disse Michael Whouley, um antigo amigo de Kerry e um experiente agente de campanha que está trabalhando como alto estrategista no Comitê Nacional Democrata.

Dowd argumentou que o apoio a Bush entre os republicanos compensará o que reconheceu ser a intensa animosidade em relação a Bush entre os democratas, um remanescente da eleição contestada de 2000.

"Você deverá começar a ver algum movimento na próxima semana porque as pessoas estão buscando se decidir", disse Dowd. "Mas grande parte disto é quem comparecerá (para votar). Os democratas estarão mais motivados do que os republicanos no dia da eleição?"

Os dois candidatos iniciaram a campanha nesta primavera olhando para um universo muito maior de Estados indefinidos, algo entre 18 a 21. A redução para apenas 11 Estados é um desdobramento típico no final de uma campanha, apesar de nem sempre acontecer. Não surpreenderá se Bush ou Kerry se dedicarem a outros Estados nos últimos dias de campanha caso vejam uma abertura.

A suposição inicial das campanhas é de que aquele que conquistar dois dos três principais --Flórida, Pensilvânia e Ohio-- conquistará a presidência.

Os assessores de Bush notaram que Kerry está agora em uma situação onde mais Estados vencidos por Gore estão em risco do que os vencidos por Bush, sugerindo que poderão sofrer uma derrota naqueles três Estados. Além disso, eles disseram estarem céticos de que Kerry continuará competitivo em Nevada e Colorado, e que o democrata lamentará a decisão de atravessar o país neste sábado para ir ao Colorado.

E os assessores de Bush argumentaram que Kerry gastou milhões de dólares em Estados onde sempre disseram que ele tinha pouca chance de vencer, como Louisiana, Arkansas, Virgínia Ocidental e Carolina do Norte.

Prioridades e personalidades

Assessores de Bush argumentam que o presidente ainda está disputando em Estados que foram críticos para sua vitória em 2000, Ohio e Flórida, e que são críticos em sua estratégia de reeleição. Ele voltou a Ohio nesta sexta-feira após uma ausência de 19 dias, durante o qual Kerry parece ter obtido ganhos claros lá.

Além disso, mesmo após ter feito 41 visitas a Pensilvânia até sexta-feira --um Estado definido por Rove há muito tempo como de grande importância-- as pesquisas estaduais democratas ainda mostram Kerry com uma ligeira vantagem. E um breve flerte com Nova Jersey, um dos Estados democratas mais sólidos, agora foi abandonado pela Casa Branca, disseram os republicanos.

Os dólares de propaganda das campanhas refletem o encolhimento da lista. As maiores compras de espaço publicitário de Kerry e Bush foram na Flórida, onde ambos têm saturado vários mercados.

De muitas formas, a disputa se tornou uma batalha entre características de personalidade e questões, à medida que Kerry busca transformar a campanha em um referendo sobre o retrospecto de Bush como presidente e propostas para o futuro, enquanto Bush busca implacavelmente rotular seu oponente como intelectualmente inconsistente e fraco demais para proteger os americanos em uma época de terror.

E assim assessores de ambos os lados disseram que a questão chave é qual candidato poderá determinar qual será o debate nos últimos dias de campanha --sobre terror ou a economia.

"A coisa mais importante a ser observada é a luta pelo controle da agenda", disse Charles Black, um consultor republicano que orienta a Casa Branca. "O presidente quer que a maior prioridade para as pessoas seja o terrorismo e a segurança. Kerry quer que suas prioridades sejam empregos e saúde."

Com reportagem de Richard W. Stevenson e Adam Nagourney, em Forte Myers, na Flórida. Definição de Flórida, Pensilvânia e Ohio decidirá a eleição no país George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,28
    3,182
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,29
    64.676,55
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host