UOL Notícias Internacional
 

24/10/2004

Republicanos terão seguranças fiscalizando urnas

The New York Times
Michael Moss

Em Nova York
O Partido Republicano em Ohio tomou medidas formais, nesta sexta-feira (22/10), para colocar recrutas dentro das seções eleitorais no dia da eleição (2 de novembro). Sua função será verificar se os eleitores realmente estão qualificados a votar.

Membros do partido dizem que seu esforço é necessário para evitar possíveis fraudes geradas pelo movimento Democrata agressivo para registrar dezenas de milhares de novos eleitores no Estado, considerado um dos campos de batalha mais cruciais nas eleições de 2 de novembro.

As autoridades em outros Estados indecisos, de Arizona a Wisconsin e Flórida, dizem que estão se preparando para enfrentar medidas Republicanas similares, para questionar os novos eleitores nos pontos de votação. Os desdobramentos refletem meses de disputas quanto a procedimentos de votação e a antecipação de uma eleição tão empatada quanto a de 2000.

As autoridades de Ohio disseram que nunca viram uma movimentação tão grande em preparação para o dia das eleições. Elas disseram que estavam fazendo o máximo para se prepararem para possíveis interrupções no processo de votação, além do alarme e de reclamações dos eleitores. Algumas autoridades disseram que estavam preocupadas que os fiscais desestimulassem ou até assustassem as pessoas na fila para votar.

Democratas de Ohio tentaram recrutar número similar de fiscais, para se equipararem à medida Republicana, que vinha sendo comentada há semanas. Ambos os partidos tinham até 16h para enviar os nomes das pessoas recrutadas para monitorar as eleições. Os Republicanos disseram que tinham alistado 3.600 pessoas, muitas em bairros urbanos de maioria Democrata em Cleveland, Dayton e outras cidades. Cada recruta receberá US$ 100 (em torno de R$ 300).

Os Democratas tendem a se beneficiar mais do que os Republicanos de um número maior de votantes. Eles disseram ter registrado mais de 2.000 recrutas para tentar proteger os eleitores legítimos, em vez de eliminar os ilegítimos.

Autoridades Republicanas disseram que não tinham a intenção de atrapalhar a votação. No entanto, disseram que estavam preocupadas com a possibilidade de fraude envolvendo milhares de Democratas recém registrados. "Os esforços da esquerda organizada de 'inscrever' eleitores criaram esses problemas", disse James P. Trakas, diretor Republicano no condado de Cuyahoga.

Os dois partidos fizeram gigantescas campanhas nos Estados indecisos para registrar milhões de novos eleitores. Os acontecimentos em Ohio deram um vislumbre de como esses esforços poderão afetar o dia das eleições.

As autoridades eleitorais de Ohio disseram que, segundo a lei estadual, os fiscais do partido terão que apresentar justificativa "razoável" para duvidar das qualificações dos votantes, antes de pedir a um funcionário para questionar a pessoa. As interpelações só podem ser feitas com base em quatro itens: se o eleitor não for cidadão, não tiver 18 anos, não for residente do condado ou não tiver residido em Ohio nos 30 dias anteriores.

Os questionamentos Republicanos em Ohio já começaram. Na sexta-feira, membros do partido submeteram uma lista de cerca de 35.000 eleitores inscritos no Estado cujos endereços de correspondência eram questionáveis, disseram. Depois da inscrição, cada um dos eleitores recebe uma carta. No caso dos eleitores da lista, a carta não pôde ser entregue e foi devolvida às autoridades eleitorais pelos correios.

Só no condado de Cuyahoga, que inclui bairros Democratas de Cleveland, o partido Republicano submeteu mais de 14.000 nomes de eleitores para que as autoridades avaliassem possíveis irregularidades. O partido disse ter registrado mais de 1.400 pessoas para fiscalizar os eleitores no condado.

Entre os principais Estados disputados, somente Ohio, Flórida e Missouri requerem que os partidos registrem os fiscais eleitorais antes do dia das eleições; em outras partes, os observadores do partido podem se registrar no próprio dia. Em vários Estados, as autoridades alertaram os servidores das eleições que esperassem maior interesse dos partidos em duvidar dos eleitores. Em alguns casos, os trabalhadores, muitos deles idosos, receberam treinamento especial para lidar com abusos.

Trakas, diretor Republicano de Cuyahoga, disse que os recrutas receberão listas de eleitores que o partido suspeita não serem residentes do condado ou qualificados a votar.

Os recrutas serão treinados na semana que vem, disse Trakas. Ele ainda não sabe se o treinamento será aberto à imprensa ou ao público. Entre outras coisas, os recrutas aprenderão a questionar eleitores deficientes mentais assistidos por pessoas diferentes de seus guardiões legais. Em eleições anteriores, disse ele, os motoristas de ônibus que levavam residentes de asilos para os pontos de eleições muitas vezes os ajudavam a votar.

Reno Oradini, advogado do conselho eleitoral do condado de Cuyahoga, disse que as objeções criarão tribunais improvisados nos pontos de votação. Os servidores terão que se agrupar para resolver as questões, que causarão atrasos nas votações. Ele disse que estava trabalhando junto às autoridades eleitorais para encontrar formas de impedir interrupções que possam afastar eleitores impacientes e reduzir a votação.

As leis que regem o assunto variam amplamente entre os Estados. No Colorado, os eleitores questionados podem assinar um juramento de que de fato são qualificados a votar; os eleitores que mentirem podem ser processados, mas seus votos ainda assim serão contabilizados. Em Wisconsin, quem tem que assinar um juramento é o fiscal, afirmando a base para sua objeção.

"É preciso ter conhecimento pessoal. Você não pode simplesmente dizer que eles não parecem americanos ou não falam inglês", disse o diretor eleitoral do Estado, Kevin J. Kennedy, diretor executivo do Conselho de Eleições do Estado de Wisconsin.

Truques sujos

Autoridades eleitorais nacionais disseram, nesta sexta-feira, que as objeções no dia das eleições eram esporádicas no passado, principalmente em disputas altamente próximas. Nas eleições presidenciais de 2000, duramente disputadas, as objeções ocorreram principalmente depois do dia das eleições, informaram.

A inscrição de grande número de fiscais neste ano alarmou algumas autoridades eleitorais. "Isso cria caos e confusão no ponto de votação", disse R. Doug Lewis, diretor executivo do Centro de Eleição, associação internacional de autoridades eleitorais. Mas, ele disse, "a maior parte dos tribunais dizem que é permissível pela lei estadual e portanto não pode ser negado".

Em Ohio, Republicanos procuraram acalmar preocupações com a possibilidade de objeções. "Suspeito que haverá casos de objeção. Mas, na maior parte, as pessoas vão passar rapidamente. Queremos ter certeza de que todo eleitor qualificado votará", disse Robert T. Bennett, diretor do partido Republicano em Ohio. Ele acrescentou: "99,9% passarão voando."

Os fiscais dos dois lados disseram que não sabem o que esperar. Georgiana Nye, 56, agente imobiliária de Dayton que foi contratada como fiscal pelos Republicanos, disse que queria ajudar a impedir fraudes e aceitará os US$ 100 pelas 13 horas de trabalho e treinamento.

Para os Democratas em Dayton, Ronald Magoteaux, 57, engenheiro mecânico, disse que concordou em ser fiscal por preocupação com os novos eleitores. "Acho que é um absurdo esses Republicanos fazerem seus truques sujos nas votações", disse ele. "Foram perdidos milhares de eleitores em 2000 e quero ter certeza que isso não acontecerá em Ohio."

Os Democratas disseram que estavam correndo para acompanhar a movimentação Republicana, jurisdição por jurisdição. Em algumas cidades, como Dayton, eles recrutaram mais fiscais que os Republicanos, disseram as autoridades. Mas no condado de Cuyahoga, onde os Republicanos inscreveram 1.436 pessoas para questionar os eleitores, uma para cada jurisdição, os Democratas disseram que tinham inscrito apenas 300.

As autoridades do condado estão antecipando a presença de fiscais agressivos e planejam alertar os eleitores na esperança de acalmá-los. "Esperamos apaziguar alguns dos temores antes do dia 2 de novembro", disse Jane Platten, administradora do conselho eleitoral do condado.

Os partidos também estão se preparando para brigar quanto à qualificação dos eleitores na Flórida, onde o prazo para registrarem seus fiscais acabou na última terça-feira. Em Fort Myers, os Republicanos conseguiram 100 fiscais para as 171 jurisdições do condado. Apesar de o número ser maior do que em 2000, de 60 fiscais, os Democratas registraram 300 observadores, ou seja, seis vezes mais do que em 2000.

Christine Anderson, porta-voz da campanha do senador John Kerry, disse que milhares de advogados Democratas seriam colocados dentro dos locais de votação. Ela se recusou a dar números exatos. "Nosso objetivo não é fazer objeções", disse ela. "Eles estarão lá para observar e ter certeza que as pessoas terão a oportunidade de votar". O partido Republicano da Flórida não respondeu aos chamados para comentários.

A Conferência de Líderes de Direitos Civis, citando relatos de que os partidos no Ohio estavam planejando registrar fiscais, pediu aos dois partidos que cessassem suas campanhas de objeções.

Wade Henderson, diretor executivo, disse que "a inserção de grandes números de fiscais partidários em um caldeirão eleitoral pode criar condições caóticas que, novamente, roubarão os direitos civis de grandes números de eleitores das minorias". O partido contrata 3.600 "patrulheiros" para intimidar os democratas Deborah Weinberg

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