UOL Notícias Internacional
 

26/10/2004

Al Gore faz campanha para John Kerry na Flórida

The New York Times
Jim Dwyer

Em Coconut Creek,

Na Flórida
Por um longo momento após a pergunta, Al Gore não disse nada. Ele permaneceu sob o calor do meio-dia do lado de fora da biblioteca local, em Broward County, fazendo uso de seu tempo para considerar a resposta.

Naquela pausa, as pessoas em volta dele, repórteres e assessores, se aproximaram. Por dois dias, enquanto Gore fazia campanha a favor do senador John Kerry na Flórida, ele fez pequenas piadas sobre seu lugar peculiar na história, afastando qualquer coisa além de um indício de reflexão sobre como teria sido ("Oi, sou Al Gore, eu costumava ser o próximo presidente dos Estados Unidos", ou, "Por oito anos, eu voei no Força Aérea Dois --agora eu tenho que tirar meus sapatos para embarcar em um avião").

Agora, um repórter tinha-lhe perguntado sobre os últimos dias da campanha de 2004 e como os eleitores indecisos deviam fazer seu cálculo de esperança e medo, mudança e manutenção. Gore permaneceu sem falar, não proferindo nenhuma de suas tiradas bem ensaiadas.

Finalmente, extraindo pensamentos e temas de seus antigos discursos, ele respirou profundamente e começou. "Sob qualquer leitura objetiva --e é quase impossível a esta altura eliminar o partidarismo da análise, e sou o observador mais tendencioso de todos-- esta é uma presidência fracassada", disse Gore.

Não só o humor desapareceu de suas palavras; também desapareceu o sotaque sulista que marcou seus discursos em igrejas e comícios.

"Não apenas é uma presidência fracassada", continuou Gore, "mas uma presidência catastroficamente fracassada".

Em um tom monótono, ele recitou uma lista do que considerava como promessas não cumpridas de George W. Bush, o homem que Gore superou em mais de meio milhão de votos em 2000: a guerra no Iraque; o déficit orçamentário federal; a economia; as deficiências na saúde.

É claro, em muitas destas mesmas áreas, os republicanos têm argumentado que foram os anos em que Gore atuou como vice-presidente que deixaram o país despreparado para o terrorismo e a desaceleração econômica.

"As más notícias foram produzidas, em grande parte, por má política", disse Gore. "As políticas ruins foram produzidas por julgamentos ruins."

Em uma hora notável na Flórida --os céus estavam repletos de autoridades do governo, passadas, presentes e futuras, chegando, fazendo discursos, partindo, apenas para retornarem horas depois-- Gore ocupou seu próprio espaço no domingo e nesta segunda-feira (25/10).

Foi aqui que sua candidatura chegou ao fim em 2000, apesar de ter conquistado mais votos para presidente nacionalmente do que qualquer outro democrata na história, e perdendo apenas para Ronald Reagan em maior número de votos recebidos. Ninguém mais poderia permanecer aqui em Broward County, ou mais tarde em um centro recreativo em Palm Beach County, e evocar tão plenamente o final esfarrapado daquela eleição, com suas fileiras liliputianas de rebarbas de cartões perfurados e cédulas em folha dupla que ajudaram a mudar a história.

O homem que Gore chamava de "amigo e parceiro" --o ex-presidente Bill Clinton-- chegaria horas depois para promover a chapa Kerry/Edwards, mas não estava previsto para os dois antigos companheiros de chapa aparecerem juntos em público ou fazerem campanha juntos. É difícil imaginar Clinton, com sua famosa resistência, desaparecendo da vida pública após tal derrota.

Mas o mesmo não vale para Gore, que permaneceu praticamente em silêncio sobre as políticas de Bush até a véspera da guerra no Iraque, quando falou contra a invasão.

"Agora, onde estamos?" disse Gore ao chegar a Broward County, na segunda-feira, provocando risos e aplausos. "Quatro anos parecem como quatro horas."

Repetidas vezes, ele foi apresentado como "o último presidente devidamente eleito dos Estados Unidos" e freqüentemente foi recebido com abraços que pareciam carregados tanto de condolências atrasadas quanto de boas-vindas.

Enquanto fazia seus comentários, alguém em meio ao público gritou que Gore era o verdadeiro presidente. "Eu sou um político em recuperação", respondeu Gore, provocando risos. "Eu estou quase no nono passo. Se vocês continuarem gritando isso, há o risco de uma recaída."

Mais tarde, em Palm Beach, Gore pediu por um momento de oração silenciosa para o ministro-chefe da Suprema Corte, William H. Rehnquist, que passou por uma cirurgia para câncer na tireóide.

Então Gore falou sobre a decisão de Rehnquist e de quatro outros membros da Suprema Corte, em dezembro de 2000, que ordenou o fim da recontagem dos votos na Flórida, dando a presidência a Bush. "Eu não quero que a Suprema Corte escolha o próximo presidente", disse Gore, "e não quero que este presidente escolha a próxima Suprema Corte".

Enquanto partia, o público fazia fila para apertar sua mão e conseguir autógrafos.

"Ei, Al", gritou um homem. "Como se sente voltando aqui?"

"Me sinto ótimo", disse ele. Ex-vice-presidente volta ao Estado que lhe custou a vitória em 2000 George El Khouri Andolfato

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