UOL Notícias Internacional
 

27/10/2004

Kerry usa sumiço de explosivos para atacar Bush

The New York Times
David M. Halbfinger

Em Las Vegas
O democrata John Kerry atacou fortemente o presidente Bush nesta terça-feira (26/10) pelo desaparecimento de um enorme estoque de explosivos poderosos no Iraque, acusando que a resposta do presidente aos "fatos devastadores" sobre os explosivos coloca em dúvida a competência de Bush como comandante-em-chefe.

Kerry disse que a Casa Branca primeiro tentou esconder tais fatos até após a eleição, então os minimizou quando vieram à tona, e finalmente os negou.

"E o que o presidente tinha a dizer sobre os explosivos desaparecidos? Nem uma palavra. Silêncio completo", bramiu Kerry em Green Bay, Wisconsin, desafiando Bush a responder.

"Sr. presidente, sobre o que mais você tem se mantido em silêncio? O que mais você está escondendo do povo americano? Quanto mais o povo americano terá que pagar?"

O desaparecimento dos explosivos vem agitar a campanha restando uma semana para a eleição. Republicanos buscaram desacreditar a notícia, divulgada pela primeira vez na segunda-feira por The New York Times e pela "CBS News", de que alguns explosivos podem ter sido removidos de um depósito de munição algum tempo depois de tropas americanas terem passado e falhado em proteger a área.

Autoridades da Agência Internacional de Energia Atômica tinham alertado as autoridades americanas, antes do início da guerra, de que cerca de 380 toneladas de altos explosivos estavam escondidas no depósito chamado Al Qaqaa.

Representantes da campanha de Bush fizeram uso de uma reportagem da "NBC News", transmitida na noite de segunda-feira, que dizia que quando os soldados da 101ª Divisão Aerotransportada chegaram ao local em 10 de abril de 2003, eles encontraram armas convencionais mas nenhum dos explosivos altamente poderosos HMX e RDX, que podem ser usados para detonar uma arma nuclear.

Em um e-mail enviado para os repórteres na noite de segunda-feira, Scott Stanzel, um porta-voz da campanha de Bush, disse: "As armas não estavam lá quando os militares chegaram, tornando o último ataque de John Kerry, explorando as manchetes, infundado e falso".

Mas na noite de terça-feira, a NBC abordou novamente o assunto. Desta vez ela noticiou que não disse que os explosivos tinham desaparecido antes da chegada dos soldados americanos ao depósito Al Qaqaa. Em vez disso, a NBC noticiou que os soldados da 3ª Divisão de Infantaria e da 101ª Aerotransportada revistaram os bunkers no local e não encontraram explosivos poderosos. A NBC informou que não ficou claro se os soldados americanos revistaram todos os bunkers do imenso complexo.

"Na noite passada neste jornal nós relatamos que a 101ª Aerotransportada nunca encontrou as cerca de 380 toneladas de explosivos HMX e RDX", disse Tom Brokaw, o âncora da NBC. "Nós não concluímos que os explosivos estavam desaparecidos ou tinham sido levados, nem dissemos que eles perderam os explosivos. Nós simplesmente relatamos que a 101ª não os encontrou."

"O complexo era tão grande, com mais de 1.000 edificações --que não está claro se as tropas viram os bunkers que poderiam conter os altos explosivos", disse Lai Ling Jew, o produtor da NBC que acompanhou a 101ª.

Pelo segundo dia seguido, Bush se recusou a falar sobre o assunto, ignorando duas vezes perguntas a respeito que foram gritadas pelos repórteres.

Mas em Pensacola, Flórida, na tarde desta terça-feira, o vice-presidente Dick Cheney tratou do assunto em nome do governo, dizendo que "não está claro" que os explosivos ainda estavam no depósito quando os soldados americanos chegaram, e sugerindo que Kerry estava insultando os feitos dos soldados americanos.

Prioridades

"John Kerry não menciona isto, nem menciona as 400 mil toneladas de armas e explosivos que nossas tropas capturaram e estão destruindo", disse Cheney. "Se nossas tropas não tivessem ido ao Iraque, como John Kerry aparentemente pensa que não deveriam, estas seriam 400 mil toneladas de armas e explosivos que estariam nas mãos de Saddam Hussein, que ainda estaria sentado em seu palácio, em vez de na cadeia."

"O senador John Kerry está brincando de general de poltrona e nem assim está fazendo um bom trabalho", ele acrescentou.

As tentativas de Kerry de usar o desaparecimento dos explosivos para questionar a competência do presidente como comandante-em-chefe, tanto no Iraque quanto na segurança doméstica, sinalizaram que nos últimos dias da campanha ele atacará diretamente o principal argumento de Bush para reeleição: de que ele está melhor preparado para liderar uma guerra contra os terroristas.

Enquanto percorria de Wisconsin a Nevada, e depois para o Novo México e Iowa, Kerry acusou o presidente de desviar para o Iraque as forças americanas e agentes de inteligência que deveriam estar caçando Osama Bin Laden e a Al Qaeda no Afeganistão. Ele disse que isto "permitiu a fuga de Osama" e permitiu que a Al Qaeda se espalhasse para outros países e forjasse laços com outros grupos extremistas.

"O terrorismo global está crescendo, não diminuindo", declarou Kerry. "Quando um comandante-em-chefe toma as decisões erradas, a segurança da América paga o preço."

Enquanto Bush passava suas aparições de campanha em Wisconsin e Iowa, nesta terça-feira, discutindo a economia, Kerry passou a um discurso rotulado antecipadamente como voltado para a segurança interna, dedicando metade de seus comentários ao Iraque e aos explosivos desaparecidos.

Ele notou que o RDX foi usado para derrubar o vôo 103 da Pan Am e para atacar o USS Cole, e que os explosivos poderiam ser usados para "demolir prédios inteiros" e "matar nossos soldados".

"Diante destes fatos devastadores, destas realidades, destes desafios que exigem decisão presidencial, o que fez o presidente?" disse Kerry. "Primeiro ele tentou esconder a informação até após a eleição. Ele permaneceu diante do povo americano, um dia após o outro, nos dizendo quanto progresso estávamos conseguindo no Iraque e quão mais seguros nós estávamos sob sua liderança, sem mencionar a perda destes explosivos."

"E quando a mídia noticiou a perda, o que disse a Casa Branca?" ele prosseguiu. "Primeiro, eles disseram que não podiam proteger os depósitos de armas porque tinham outras prioridades."

"Depois, eles argumentaram que a perda dos explosivos não era grande coisa", acrescentou Kerry. "Finalmente, no final do dia, a Casa Branca apenas declarou audaciosamente que não aconteceu. Sem um fiapo de evidência para contestar a Agência Internacional de Energia Atômica, eles simplesmente disseram que as armas já tinham desaparecido quando nossas tropas chegaram lá."

Kerry disse que Bush nunca foi honesto com a nação sobre o Iraque: os motivos para a guerra, como ela está prosseguindo ou o que ele está fazendo para "colocar o Iraque nos trilhos".

"O povo americano merece um comandante-em-chefe que dirá a verdade nos bons e maus momentos", disse ele enquanto era aplaudido de pé por várias centenas de simpatizantes. "Este presidente, eu lamento dizer, fracassou neste teste fundamental. Quando o presidente se vê diante das conseqüências de suas próprias decisões erradas, ele não as confronta, ele tenta escondê-las."

A campanha de Kerry disse que explorará a questão dos explosivos desaparecidos em uma nova propaganda que será veiculada nos mercados onde o presidente fará campanha nesta semana. "Seus erros de julgamento no Iraque colocam nossos soldados em risco, e tornam nosso país menos seguro", diz Kerry na propaganda.

Voltando para a segurança interna, Kerry, ao lado dos prefeitos de Newark, Los Angeles, Baltimore, Trenton e outras cidades, acusou Bush de ignorar vários alertas sobre as vulnerabilidades do país.

Ele disse que o presidente foi contra melhorias de segurança em instalações químicas e nucleares para atender aos doadores de campanha destes setores, por exemplo. "Não basta falar duramente e não ter uma política dura", disse ele. Presidente omite risco da munição perdida no Iraque, diz senador George El Khouri Andolfato

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