UOL Notícias Internacional
 

31/10/2004

Bush e Kerry levam campanha a novos Estados

The New York Times
David M. Halbfinger
De Miami
Primeiro, tudo girava em torno da Flórida. Depois Ohio se tornou a nova Flórida.

Então foi decidido que o candidato presidencial que vencesse em dois destes três Estados, Flórida, Ohio e Pensilvânia, quase certamente venceria a eleição.

Então, por que razão, com o tempo chegando ao fim, o vice-presidente Dick Cheney está voando no domingo para o Havaí, em uma viagem de ida e volta de 12 horas, um Estado de inclinação democrata com apenas quatro votos eleitorais?

O que John Kerry fará na segunda-feira em Detroit, uma fortaleza democrata em um Estado onde sempre foi esperada sua vitória? E por que o presidente George W. Bush fez campanha em New Hampshire na sexta-feira, um Estado onde ele venceu em 2000?

As duas campanhas e suas agendas para os últimos dias da disputa apontam para uma série de possibilidades que despontaram para cada candidato traçar um caminho para a vitória.

Se pudessem se contentar em apostar na conquista de dois entre Flórida, Ohio e Pensilvânia, é claro, Kerry e Bush estariam gastando pouco tempo em outros lugares. Mas os assessores de Kerry começaram e lembrar os repórteres que os acompanham para que informassem devidamente as mudanças constantes de tempo frio para quente e vice-versa. Por semanas, os estrategistas de ambos os lados têm falado não apenas dos "três grandes", mas também dos três não tão grandes, todos no alto Meio-Oeste: Iowa, Minnesota e Wisconsin, que convenientemente somam 27 votos eleitorais, o mesmo número da Flórida.

"Quem vencer em dois dos três grandes Estados e dois dos três Estados do alto Meio-Oeste provavelmente será o nosso próximo presidente", disse Ted Devine, um alto estrategista de Kerry.

Mas não é assim tão simples.

Como a Flórida é o maior dos três grandes por seis votos eleitorais, a campanha de Bush está contando em vencer na Flórida e também em Iowa e Wisconsin, dois Estados de Gore em 2000, como sua principal rota para a reeleição. E a campanha de Kerry está determinada a impedir isto. Por este motivo, o companheiro de chapa de Kerry, o senador John Edwards, estará na Flórida todos os dias até o dia da eleição, e Kerry só não estará no Estado no sábado; ambos visitarão Ohio no sábado, domingo e segunda.

E entre sexta-feira e terça-feira, Bush ou Cheney visitará Wisconsin duas vezes, e Kerry ou Edwards visitará três vezes; cada chapa deverá parar em Iowa três vezes e pelo menos uma vez em Minnesota.

Olhando de outra forma, disse Matthew Dowd, o estrategista-chefe de Bush, "se vencermos na Flórida, então eles terão que vencer em Michigan, Pensilvânia, Ohio e Wisconsin -então só nos bastará vencer em um destes quatro".

Certamente, ambas as campanhas descrevem sua situação nos termos mais otimistas. Karl Rove, o principal conselheiro político de Bush, disse na quinta-feira que está contando 222 votos eleitorais como certos para o presidente e apenas 190 para Kerry, e que Bush está à frente nas pesquisas em 8 dos 10 Estados indefinidos. Os conselheiros de Kerry pintaram um quadro igualmente otimista na tarde de sexta-feira.

Também há a possibilidade de nenhum vencer em dois dos três grandes Estados e dois dos três não tão grandes no alto Meio-Oeste. De forma que as campanhas estão tentando formar salva-guardas defensivas e planos de contingência -provocando excursões como a de Cheney ao Pacífico na noite de domingo, após a qual tomará um vôo na madrugada para Colorado Springs, no Colorado, para um evento na manhã de segunda-feira.

Mas é lógico que os locais onde os candidatos aparecerão não são tudo: cada um conta com um batalhão de representantes que estão visitando Estados indefinidos secundários, como Bill Clinton, que visitará seu Estado natal, Arkansas, no domingo, e o general Wesley K. Clark, que acampará no Novo México no período. Em resposta à visita de Cheney ao Havaí, tanto Alexandra Kerry, a filha do candidato, quanto o ex-vice-presidente Al Gore seguirão para lá.

Um estrategista de Kerry argumentou que os impressionantes altos índices de votação antecipada em alguns locais poderão diminuir as chances de uma nova visita dos principais, devido às chances reduzidas de ganho adicional com a visita do candidato.

Ainda assim, nada indica a seriedade da campanha em relação a um Estado a esta altura da disputa mais do que a visita do candidato ou de seu vice.

O que deduzir da visita ao Havaí é motivo de debate. Os democratas a consideram um sinal claro de desespero, afirmando que Bush está lutando para aumentar seus números eleitorais cada vez menores.

Os conselheiros de Kerry dizem que não mais vêem a Pensilvânia realmente em disputa -apesar do retorno previsto de Edwards ao Estado no domingo- e que acreditam que Kerry está em uma forte posição para vencer outros dois grandes prêmios eleitorais.

"Se você é Ronald Reagan e vai a Minnesota em 1984, você está indo para a lavada", disse Tad Devine, um alto estrategista de Kerry, se referindo à vitória esmagadora de Reagan contra Walter F. Mondale, que era de Minnesota. "Quando você vai ao Havaí agora, você está tendo dificuldade para obter os 270 votos eleitorais. Eles estão olhando para o cano da espingarda, e os canos duplos são a Flórida e Ohio."

Os conselheiros de Bush disseram ser um sinal da força do presidente o envio de Cheney ao Havaí, um Estado de Gore em 2000.

Eles também notam freqüentemente que dos nove Estados em disputa, seis foram vencidos por Gore quatro anos atrás, e apenas três por Bush. "É preferível fazer o que estamos fazendo, que é competir nos Estados de Gore, do que fazer o que eles estão fazendo, que é competir nos Estados de Gore", disse Dowd.

Mas os assessores de Bush, assim como os de Kerry, também estão claramente escorando suas apostas. "Você não quer apenas isolar sua estratégia", disse Dowd.

Também há muita defesa. Assim Bush fez campanha em Manchester e Portsmouth, em New Hampshire, e Cheney estará no Colorado e em Nevada na segunda-feira -todos Estados de Bush quatro anos atrás e alvos secundários de Kerry agora.

Kerry também voltará na segunda-feira a Detroit, no encalço da parada de Edwards, na manhã de sexta-feira, em Muskegon, Michigan, e em resposta ao acréscimo tardio à agenda de Bush de um evento em Grand Rapids, na manhã de sábado. Os assessores de Kerry reconhecem que as visitas de Bush e os gastos com propaganda naquele Estado forçaram sua atuação, mas apenas como medida preventiva. Eles insistem que o quadro em Michigan não é de risco. Candidatos são obrigados a mudar variáveis em busca da vitória George El Khouri Andolfato

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