UOL Notícias Internacional
 

31/10/2004

Bush e Kerry se concentram nos Estados-chave

The New York Times
R.W. Apple Jr.

Em Cleveland, Ohio
A campanha presidencial de 2004 está terminando como começou, concentrada com enorme intensidade em não mais que uma dúzia de Estados disputados, com a corrida apertada entre o presidente George W. Bush e o senador John Kerry dependendo mais, como concordam ambos os partidos, de três Estados chaves: Flórida, Pensilvânia e Ohio.

Os candidatos investiram dezenas de milhões de dólares em propaganda nestes Estados, distribuíram exércitos de voluntários e gastaram centenas de horas viajando e discursando, incluindo visitas no último final de semana da campanha. Como resultado, cidades como Orlando, Pittsburgh e Columbus, e seus subúrbios, assistiram a disputa de perto enquanto Chicago, Dallas, Nova York e Los Angeles assistiram de assentos distantes.

No final, o resultado provavelmente será decidido no que os analistas políticos chamam de "guerra em solo": o esforço de ambos os partidos para levar todos os eleitores até as urnas na terça-feira. Apesar de haver formas quase ilimitadas de cada candidato atingir os 270 votos no Colégio Eleitoral necessários para a vitória, aquele que ganhar em dois dos três grandes Estados terá uma vantagem que será difícil de superar.

Restando apenas 72 horas até o início da abertura das urnas, a Pensilvânia, com 21 votos eleitorais, parece estar pendendo para o lado de Kerry, com a maioria mas não todas as pesquisas eleitorais mostrando ele à frente com 3 pontos percentuais. Bush fracassou em conquistar os quatro condados suburbanos da Filadélfia, cuja posição liberal em questões sociais como aborto e controle de armas superou seu conservadorismo econômico.

A Flórida, com 27 votos eleitorais, ficou agonizantemente próxima quatro anos atrás, com imensas conseqüências, e é o mais difícil de definir neste ano entre os grandes Estados. Se alguém tem uma vantagem, provavelmente é Bush, mesmo que apenas pela influência de seu irmão Jeb, o governador. Mas os democratas, estimulados pela derrota agonizante em 2000, parecem estar se beneficiando com a enxurrada de votos antecipados.

Aqui em Ohio, que possui 20 votos eleitorais, Kerry tem explorado a perda de empregos durante o governo Bush. Ele parece contar com uma tênue vantagem à medida que voluntários de ambos os partidos chegam ao Estado, freqüentemente visto como um microcosmo da nação, para convocar os eleitores. Nenhum republicano conseguiu ser eleito presidente sem vencer em Ohio, e o Estado escolheu o vencedor em todas as eleições desde 1892, exceto em duas ocasiões.

"Não poderia ser mais apertada que isto", disse Eric Rademacher, que dirige a Pesquisa de Ohio da Universidade de Cincinnati. "É a mais apertada que já vi. Apertada aqui e em vários outros Estados. Talvez só venhamos a saber o resultado em meados de novembro."

Em busca de formas para assegurar a vitória mesmo se forem derrotados nos grandes Estados, Kerry e Bush começaram tardiamente a cortejar os eleitores de Michigan (17 votos eleitorais). Uma vitória lá poderia compensar uma derrota em Ohio. Eles também intensificaram sua busca por uma trinca de Estados menores do Meio-Oeste, nos quais Al Gore venceu por margem estreita em 2000: Minnesota, Wisconsin (10 votos cada um) e Iowa (7 votos). Todos os três estão traiçoeiramente apertados desta vez, com Ralph Nader sendo uma verdadeira ameaça para Kerry em Minnesota, um Estado que tem notável apreço por candidatos de terceiros.

O Colorado (9 votos), Novo México, Nevada (5 cada) e New Hampshire (4 votos) também estão todos em disputa, com potencial para contribuir para a equação vencedora.

Uma série de finais apertados poderá lançar o país em apuros, com processos em vários Estados, uma perspectiva muito mais complexa do que a disputa legal em 2000, que ficou limitada à Flórida. Vários processos já foram impetrados. Mas o grande número de eleitores recém-registrados poderá confundir todas as previsões.




FLÓRIDA
Por Abby Goodnough, em Miami

A Flórida continua sendo intensamente disputada, com Bush e Kerry atraindo um apoio praticamente igual, e ambos os candidatos ainda percorrendo o Estado, onde os eleitores desconfiados estão tomados pela ansiedade.

Cerca de 1,5 milhão de votos antecipados e em trânsito já foram depositados, sugerindo que o comparecimento entre os 10,3 milhões de eleitores registrados do Estado poderá superar o de 2000. Análises nos jornais mostram mais democratas do que republicanos depositando pessoalmente seu voto antecipado. Muitos dos que estão dando seu voto antecipadamente são negros.

A campanha de Kerry explorou a revolta residual com a recontagem do Estado em 2000, que deu a Bush uma vitória por uma margem de 537 votos. Advogados democratas estão chegando aos montes ao Estado para fiscalizar a votação. Enquanto isso, os republicanos dizem que poderão contestar o registro de alguns eleitores democratas.

As pesquisas mostram Bush e Kerry com uma diferença de poucos pontos percentuais no Estado, apesar de uma, do "Los Angeles Times", mostrar Bush com um vantagem de 8 pontos percentuais.

Bush se beneficia com a economia da Flórida, que superou a da nação como um todo, e da enorme população militar do Estado, que parece estar pendendo na sua direção. Ele também conta com a vantagem de seu irmão, o popular governador Jeb Bush, ter colocado de lado seus deveres estaduais nos últimos dias de campanha para se concentrar em ajudar o irmão a conquistar os 27 votos eleitorais da Flórida.

Mas os estrategistas políticos disseram que Kerry poderá se beneficiar dos 1,5 milhão de novos eleitores, muitos dos quais são independentes e provavelmente votarão no democrata. Muitos são imigrantes hispânicos, incluindo cubanos, que geralmente votam nos republicanos mas que poderão votar em Kerry por revolta com a política de Bush para Cuba.

Jeb Bush aparecerá com o presidente em comícios em Miami, Gainesville e Tampa no domingo, enquanto Kerry, que fez três paradas aqui na sexta-feira, voltará no domingo para um evento em Tampa. O vice-presidente Dick Cheney, a esposa de Bush, Laura, e suas filhas gêmeas também viajaram para o Estado na semana passada, enquanto o ex-presidente Bill Clinton veio em nome de Kerry.

Os republicanos alistaram 90 mil voluntários para ajudar a dar telefonemas, bater em portas e conduzir os eleitores até as urnas. Os democratas estão deixando tal trabalho para grupos independentes como o America Coming Together.

Grupos de direitos civis estão preocupados com a possibilidade de contestação do registro de eleitores, dizendo que a secretária de Estado, Glenda Hood, uma republicana nomeada por Jeb Bush, não fez o suficiente para prevenir contestações frívolas.

Grupos de diretos e políticos democratas travaram batalhas legais sem sucesso pedindo instruções impressas para os eleitores que utilizarem as urnas com tela de toque e combatendo a desqualificação de novos eleitores que não preencheram todas os campos de seus formulários de registro.




OHIO
Por James Dao, em Columbus

Quatro anos atrás, Ohio não estava em jogo na disputa presidencial, parecendo tão solidamente republicano que a campanha do vice-presidente Al Gore o descartou semanas antes do dia da eleição.

Neste ano, o Estado importa. Na terça-feira, milhões de cidadãos de Ohio irão às urnas convencidos de que seus votos poderão decidir toda a disputa. E poderão estar certos.

O Estado e seus 20 votos eleitorais são cruciais tanto para Bush quanto para Kerry, e as pesquisas mostram que a disputa está acirrada. Para Bush, nenhum republicano venceu uma eleição presidencial sem vencer em Ohio. Para Kerry, Ohio poderá representar a melhor chance de tirar um grande Estado da coluna de vitória de Bush de 2000, disseram analistas.

O motivo se resume à economia: Ohio, onde os republicanos dominam cada ramo do governo estadual, está flertando com um candidato democrata porque o Estado foi muito devastado pela perda de empregos -mais de 200 mil vagas de trabalho desde que Bush assumiu o governo. Sem tais demissões, concordam os estrategistas de ambos os partidos, Bush provavelmente contaria com uma vantagem confortável.

Os resultados da maioria das pesquisas está dentro da margem de erro, e todos os lados concordam que a disputa está apertada demais para se prever -apertada a ponto de os dois partidos terem convocado um batalhão de advogados para fiscalizar a votação, em busca de fraude ou intimidação, e para preparar processos pós-eleitorais caso a margem de erro seja pequena. (A lei de Ohio exige uma recontagem automática caso a margem seja inferior a 0,25%.)

Os dois partidos já estão amarrando um ao outro em nós legais. Os republicanos contestaram 35 mil novos registros, mas os democratas tiveram sucesso em fazer com que um juiz federal bloqueasse a maioria destas contestações.

Os republicanos também planejam ter mais de 3.600 pessoas prontas para contestar eleitores dentro dos locais de votação no dia da eleição. Os democratas em dois condados pediram a juízes federais que proíbam tais contestações. As decisões são esperadas para segunda-feira.

Com a eleição tão disputada e com tanto em jogo, os candidatos têm cruzado o Estado nas últimas semanas. Kerry esteve em Ohio sete vezes neste mês, com planos de encerrar sua campanha com um comício em Cleveland, na segunda-feira. Bush esteve aqui cinco vezes, com planos de passar o domingo e a segunda-feira em Cincinnati.

Ambos os partidos também montaram o que consideram ser suas maiores operações de mobilização de eleitores de sua história aqui. Para os republicanos, isto significa o recrutamento de 80 mil voluntários, quase quatro vezes mais do que tiveram em 2000. O foco deles será as fortalezas republicanas no Oeste rural, os arredores de Cincinnati e nos subúrbios de Columbus.

Os democratas e grupos aliados como o America Coming Together dizem que contam com mais de 100 mil voluntários trabalhando para atrair os eleitores para votar nas cidades e por todo o Nordeste industrial.




PENSILVÂNIA
Por Kate Zernike, na Filadélfia

As fortes críticas de Kerry à guerra no Iraque ajudaram a pender as pesquisas da Pensilvânia a seu favor nas últimas semanas -uma o apontou com uma vantagem de 8 pontos percentuais- e alguns democratas começaram a sussurrar que Bush tinha desistido dos 21 votos do Estado no Colégio Eleitoral.

Mas as pesquisas da semana que antecede a eleição empataram novamente a disputa; uma deu a Bush uma pequena vantagem. E com duas visitas ao Estado na semana passada, o presidente deixou claro que não tem intenção de desistir da luta.

O próprio Kerry visitou a Pensilvânia quatro vezes somente em outubro, incluindo uma parada para um grande comício ao lado do ex-presidente Bill Clinton, que estava fazendo sua primeira aparição de campanha após uma cirurgia para colocação de quatro pontes de safena.

As pesquisas mostraram consistentemente a segurança interna como o tema decisivo para a maioria dos eleitores deste Estado (26%, segundo a mais recente pesquisa Keystone, nesta semana) e que Bush vence neste quesito. Mas Kerry vence no segundo e terceiro quesitos mais importantes: economia e Iraque.

O registro recorde de novos eleitores neste ano deu uma vantagem aos democratas de cerca de 500 mil eleitores; 260 mil novos democratas se registraram desde a primária de abril, e 156 mil novos republicanos.

"A questão é: quantos votarão?", disse G. Terry Madonna, diretor da pesquisa Keystone e professor de assuntos públicos do Franklin and Marshall College, em Lancaster.

Espera-se a vitória de Kerry na Filadélfia e em Pittsburgh; Bush está contando com o centro mais rural do Estado. Os verdadeiros campos de batalha são os quatro condados suburbanos fora da Filadélfia, onde os eleitores tendem a se registrar como republicanos, mas onde os moderados têm inclinado o Estado para os democratas nas eleições presidenciais desde 1988, quando o pai de Bush venceu lá e em todo o Estado.

Nestes subúrbios, Bush tem tentado atrair os eleitores com questões como erros médicos, já que muitos obstetras deixaram o Estado nos últimos anos.

Kerry tem buscado atrair os moderados com temas como a pesquisa de célula-tronco e direito ao aborto.

Outra área crucial do Estado é o sudoeste, onde a economia há muito tempo está associada às siderúrgicas. Desde o New Deal (plano adotado no início dos anos 1930 para reanimar a economia norte-americana após a Crise de 1929), esses condados tem sido firmemente democratas, mas muitos nesta região operária são conservadores e têm se inclinado na direção republicana nos últimos anos.

Os 67 condados do Estado usam cinco tipos diferentes de máquinas de votação, incluindo os muito contestados cartões perfurados em 11.

Mas republicanos e democratas dizem que as maiores complicações na eleição serão a contestação de registros de novos eleitores, especialmente na Filadélfia. Os democratas criticaram John Perzel, o presidente republicano da Câmara da Pensilvânia, por dizer que sua estratégia seria anular tais números na Filadélfia. Ele insistiu que não quis dizer que contestaria os eleitores das minorias, como sugeriram os democratas, mas sim que encorajaria os republicanos a votar. Corrida acaba como começou, focada em uma dúzia de Estados George El Khouri Andolfato

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