UOL Notícias Internacional
 

02/11/2004

George Bush faz campanha até no dia da eleição

The New York Times
Elisabeth Bumiller*

Em Albuquerque, Novo México
A Casa Branca anunciou que Bush romperá a prática habitual e fará campanha também no dia da eleição --esta terça-feira (2/11)--, em uma parada em Columbus, Ohio, um dos Estados mais disputados, a caminho de Washington, após votar pela manhã em um posto dos bombeiros em Crawford, Texas.

O presidente Bush, lutando para se manter na Casa Branca, fez campanha furiosamente nesta segunda-feira, em vários comícios barulhentos por uma grande extensão dos Estados Unidos antes de chegar nas primeiras horas do dia da eleição ao silêncio de seu rancho no Texas.

Das 6h30 da manhã de segunda, quando a carreata do presidente deixou o centro de Cincinnati (Estado de Ohio) iluminada apenas pela luz dos postes, até a 1h40 da manhã de terça-feira, quando o Marine One pousou na escuridão do Rancho Praire Chapel, Bush terá somado 4.100 km e 19 horas consecutivas em sete comícios em seis Estados, cinco deles com resultado imprevisível --e todos essenciais para a vitória caso ele perca na Flórida.

"A linha de chegada esta à vista", disse Bush aos repórteres assim que chegou a Pittsburgh, sua segunda parada do dia. "E eu só quero assegurá-los de que tenho a energia, o otimismo e o entusiasmo para cruzar a linha."

Em cada parada, Bush exortou a multidão a votar em uma eleição na qual o vencedor quase certamente será aquele que conseguir com que mais simpatizantes de seus próprios partidos de fato votem.

"Eu estou aqui para lhes pedir um favor", disse Bush em sua primeira parada em um hangar de aeroporto na rural Wilmington, Ohio, onde o Marine One pousou logo após o amanhecer. "Convoquem seus amigos e vizinhos para votar. Encontrem outros republicanos, independentes inteligentes e democratas astutos e lhes digam, se eles querem uma América mais segura, uma América mais forte e uma América melhor, nos coloquem, eu e Dick Cheney, de volta à Casa Branca."

Em Milwaukee, sua terceira parada do dia, Bush fez um comício para simpatizantes a poucos quarteirões de distância e uma hora de diferença de seu oponente, o senador John Kerry.

Posteriormente, partes das carreatas dos dois candidatos se cruzaram perto do aeroporto. As campanhas estavam fisicamente tão próximas que um ônibus de repórteres da Casa Branca passou ao lado do avião de campanha de Kerry, que estava estacionado do outro lado do aeroporto em que estava o Força Aérea Um.

Os assessores de Bush, após afirmarem por semanas que estavam confiantes e calmos, finalmente reconheceram no último trecho da maratona que estavam no limite. Mas insistiram que o presidente estava sereno.

"Todos estão nervosos", disse Mark McKinnon, o estrategista chefe de mídia do presidente. "Ele está mantendo uma postura zen a respeito."

McKinnon disse que Bush ficou jogando baralho ao longo de todo dia com Karl Rove, o poderoso conselheiro político da Casa Branca, e outro antigos assessores na sala de conferência do Força Aérea Um, e que ele sentia que tinha feito tudo o que tinha que fazer para vencer.

"Ele sabia que tinha que fazer por merecer, não herdar", disse McKinnon.

Ele acrescentou: "Eu acho que ambas as campanhas sairão declarando vitória. Eles foram durões e nós fomos durões".

Mas McKinnon falou das mais recentes pesquisas com menos bravata do que outros conselheiros de Bush nos últimos dias de campanha, e não fez promessas sobre o resultado.

"Nós analisamos e os números da última semana foram bons para nós --melhor para nós, ao menos", disse McKinnon. "No final, ambos os lados podem argumentar que os números são favoráveis, mas minha sensação é de que prefiro estar na nossa posição do que na deles nas últimas 24 horas."

A corrida foi tão excruciantemente acirrada para a Casa Branca que Bush passou parte do último dia daquela que ele disse que seria sua última campanha sem sua esposa ao seu lado.

Laura Bush, após ter acompanhado o presidente de Cincinnati até Wilmington, voou separadamente para comícios em Cleveland e Clinton Township, Michigan, onde ela repetiu o discurso do presidente.

"Amanhã, nós enfrentaremos uma escolha entre uma América que é incerta diante do perigo, ou uma América que age decisivamente para derrotar o terror e disseminar a liberdade", disse Laura Bush para uma multidão no Centro Internacional de Exposição, em uma área democrata de Ohio, onde a campanha de Bush tem buscado há meses atrair moderados de ambos os partidos.

Bush pediu desculpas à multidão em Burgettstown, Pensilvânia, perto de Pittsburgh, pela ausência de sua esposa, dizendo que "ela está por conta própria no momento, o que é um uso sábio de seu tempo".

Ou, como McKinnon colocou: "Em uma corrida apertada você busca ter o maior número que puder de peças no tabuleiro".

A Casa Branca fez o vice-presidente Dick Cheney sobrevoar o Pacífico até o Havaí, onde falou na noite de domingo em um comício em Honolulu. Ele retornou imediatamente para um comício em Colorado Springs, tempo suficiente para gozar do traje de camuflagem que Kerry vestiu em uma recente caça ao ganso em Ohio.

"Se vocês querem minha opinião sobre a coisa toda, o ganso de John Kerry está cozido", disse Cheney para uma multidão no Penrose Equestrian Center.

Tanto em Ohio quanto na Pensilvânia, Bush foi apresentado por Curt Schilling --um astro do Boston Red Sox-- o time de beisebol de Kerry.

Antes do fim do dia, Bush fez uma espécie de brinde: um milk-shake de baunilha do Culver's Custard, em Milwaukee, uma idéia de Rove. "Karl pediu que algumas pessoas fossem buscar para todos", disse Scott McClellan, o secretário de imprensa da Casa Branca.

*Colaborou Richard Stevenson. Presidente viaja 4.100 km nesta 2ª e fará comício em Ohio na terça George El Khouri Andolfato

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