UOL Notícias Internacional
 

02/11/2004

Voluntários devem decidir a eleição nos EUA

The New York Times
Robert D. McFadden*

Em Nova York
Legiões de voluntários para convocar os eleitores, os cães de caça de democracia, passaram a ir atrás do eleitorado em uma dúzia de Estados nesta segunda-feira (1/11), à medida que a mais cara e bem-sucedida campanha para atrair eleitores na história se aproxima do final, com os especialistas prevendo um comparecimento recorde às urnas na terça-feira.

Com a empolgação da campanha em um ponto febril e os eleitores tão polarizados que praticamente não resta ninguém para ser convertido, os especialistas eleitorais não-partidários disseram que até 121 milhões de americanos poderão votar, superando o recorde de 106 milhões de votos dados quatro anos atrás.

E com a disputa tão apertada a ponto de ser impossível fazer previsões, o vencedor provavelmente será o lado que melhor conseguir mobilizar seus eleitores fiéis, concordaram estrategistas dos partidos.

No último dia de sua campanha de dois anos à presidência, o senador John Kerry correu da Flórida até Wisconsin, cruzando os Grandes Lagos até Michigan e Ohio, se aquecendo com o brilho de multidões entusiasmadas. O presidente Bush, lutando para permanecer na Casa Branca, também fez campanha cruzando várias partes do país, registrando mais de 4 mil quilômetros antes de seguir para seu rancho no Texas.

À medida que a disputa chega ao seu momento decisivo, exércitos de voluntários em Ohio, Flórida, Pensilvânia, Michigan e outros Estados indefinidos batem nas portas, telefonam, enviam mensagens por computador e correio e arrumam atrativos eleitorais: creches gratuitas para os pais, viagens de graça até os locais de votação para eleitores idosos e inválidos, biscoitos e tacos gratuitos, camisetas e ingressos para parques aquáticos. Até mesmo roupa íntima gratuita.

Muitos empregadores estão dando folga para os trabalhadores votarem; um, em Nova York, está oferecendo um dia extra de férias como recompensa por votar.

Um professor na Pensilvânia está dando crédito adicional para os alunos que votarem. Se chover em Cleveland na terça-feira, os voluntários farão fila com guarda-chuvas e capa para manter os eleitores secos.

A maioria dos voluntários, mas não todos, estão trabalhado para a vitória de Bush ou Kerry.

Mas no Novo México, a Coalizão de Proteção da Eleição, um grupo nacional não-partidário, espalhou centenas de voluntários em Albuquerque, Santa Fé e outras cidades para ajudar eleitores que freqüentemente são sub-representados --hispânicos, que correspondem a 42% da população de 1,8 milhão do Estado, e os índios americanos, que correspondem a 10%.

Lara Jirmanus, coordenadora legal da coalizão em Albuquerque, disse que a meta é "convidar para votar pessoas que nunca se sentiram convidadas no passado".

Há quatro anos, Al Gore venceu no Novo México por 366 votos.

O esforço nacional para aumentar a participação do eleitor neste ano --um esforço de US$ 350 milhões para registrar novos eleitores e levar os eleitores às urnas em grande número-- tem pouco a ver com dever cívico.

Ele foi promovido pelos grandes partidos e seus aliados devido em parte à margem estreita em 2000, quando Bush perdeu no voto popular por meio milhão de votos, mas venceu no Colégio Eleitoral por cinco votos, após uma luta pela recontagem que foi parar na Suprema Corte. Ela colocou a Flórida no lado de Bush por 537 votos dos 6 milhões dados.

Nacionalmente, democratas e republicanos alegam cada um contar com 1 milhão de voluntários na campanha. Os democratas disseram que deram 23,5 milhões de telefonemas e bateram em 8 milhões de portas por Kerry. Os republicanos disseram que contataram 18 milhões de eleitores.

Os números são impossíveis de verificar, mas não há dúvida de que são imensos. Os eleitores foram cercados por mensagens gravadas dos candidatos, suas esposas ou astros que os apóiam. Muitos eleitores foram contatados por ambos os lados, às vezes com um intervalo de poucos minutos.

Arrastar eleitores

Nesta segunda-feira, as forças de Kerry em Cleveland falaram de uma estratégia simples para o dia da eleição: agarrar o máximo possível de pessoas e levá-la às urnas.

"Cada pessoa nas ruas, cada lar", disse Charlene Sinclair, uma organizadora da Associação das Organizações Comunitárias pela Reforma Já, um grupo independente que trabalha pela derrota de Bush. Sinclair disse que dezenas de vans alugadas serão usadas para procurar por eleitores registrados.

Os republicanos em Cleveland planejaram um esforço altamente coreografado de "bater à porta e arrastar" envolvendo 10 mil voluntários, no condado de Cuyahoga, para levar os eleitores aos locais de votação.

"É preciso tirá-los de casa e levá-los de carro até as urnas", explicou Jeff Flint, um porta-voz do Partido Republicano. E os próprios voluntários serão monitorados e incentivados, se necessário, por supervisores, ele destacou.

Os escritórios da campanha de Kerry em Milwaukee estavam fervendo de atividade. Centenas de voluntários, muitos de outros Estados onde a disputa não está tão acirrada, partiam em turnos para bater de porta em porta e dizer falas preparadas e oferecer literatura para tipos específicos de eleitor: mais velhos ou mais jovens, recém-registrados ou veteranos.

Nesta terça-feira, os democratas também contarão com operações "bater à porta e arrastar" para levar os eleitores até as urnas.

Ambos os lados utilizaram discadores de telefone automáticos em Milwaukee. Em um escritório do Sindicato Internacional dos Funcionários de Serviços que está sendo usado pela campanha de Kerry, os voluntários aguardavam enquanto as máquinas faziam seu trabalho.

Quando um telefonema era atendido, um voluntário lia o roteiro sobre "a necessidade de mudança". Os voluntários de Bush no outro lado tinham um roteiro que dizia: "Não se pode confiar em John Kerry nas questões enfrentadas pelo nosso país".

Em New Hampshire, democratas e republicanos concentraram suas forças nas cidades mais populosas do Sul, como Manchester e Nashua, e cidade costeira de Portsmouth.

"Nós estamos em aceleração máxima aqui", disse Jayne Millerick, presidente do diretório republicano de New Hampshire. "Nós literalmente contamos com centenas de pessoas nas ruas, batendo de porta em porta e lembrando as pessoas para votarem amanhã, e pedindo que votem no Partido Republicano. Os telefonemas automáticos estão fazendo o mesmo, de forma que vamos continuar até o fechamento das urnas amanhã."

Kathleen Strand, presidente do diretório democrata de New Hampshire, disse que os voluntários estão dando atenção especial às universidades, incluindo Dartmouth e a Universidade de New Hampshire.

"É absolutamente essencial atrairmos os estudantes até as urnas", disse ela. "Se Al Gore tivesse vencido em New Hampshire, ele seria o presidente hoje, e George Bush venceu por 1% dos votos. Cada voto conta, cada batida em porta vale e há 50 mil estudantes no Estado de New Hampshire."

No Colorado, 60 voluntários percorreram bairros de renda baixa e média em Denver em busca de eleitores democratas que poderiam precisar de carona até os locais de votação, especialmente aqueles que raramente se importam em votar.

"Estas pessoas tendem a sentir que seus votos não contam", disse Les Berry, 48 anos, um técnico do Aeroporto Internacional de Denver que tirou três dias de férias para ajudar a atrair eleitores.

Em Minnesota, a campanha de Bush alega ter feito mais de um milhão de "contatos com o eleitor", com milhares de voluntários batendo de porta em porta, dando telefonemas.

Eric Bearse, falando pelo Comité da Vitória de Minnesota, o chamou de "um esforço sem precedentes", acrescentando: "Nós estamos aumentando nossos contatos pessoais, de vizinho para vizinho, voluntário para eleitor, para fechar a venda nos últimos dias".

O quartel-general da campanha de Kerry em Minneapolis estava fervilhando de voluntários trabalhando em telefones, preparando literatura, fazendo sinais em inglês e espanhol e fazendo contas em calculadoras.

Outros entravam e saíam o dia todo, fazendo pausa apenas quando o ator de cinema Josh Hartnett fez uma breve parada no local. "Vocês realmente aumentaram seu empenho", disse ele para os voluntários sorridentes. "Eu sei que vamos vencer."

A tarefa foi parcialmente concluída em alguns Estados. No Novo México, cerca de 42% dos 1,1 milhão de eleitores registrados já tinham votado antecipadamente ou em trânsito. Em Iowa, funcionários eleitorais começaram a abrir os envelopes contendo 63 mil votos --o dobro do número de votos antecipados dados em 2000. Eles serão registrados e contados na terça-feira.

*Ford Fessenden contribuiu com reportagem de Cleveland; Rick Lyman, de Milwaukee; Tom Zeller Jr., de Albuquerque, Novo México; Nick Madigan, de Las Vegas; Pam Belluck, de Manchester, New Hampshire; e Stephen Kinzer, de Minneapolis. Quem levar mais eleitores para as urnas vencerá, estimam partidos George El Khouri Andolfato

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