UOL Notícias Internacional
 

03/11/2004

Kerry venceu entre novos eleitores, diz pesquisa

The New York Times
Janet Elder* e

R.W.Apple Jr.

Em Nova York
O esforço de reeleição do presidente Bush foi enfraquecido por seu fracasso em competir em termos iguais com o senador John Kerry entre os milhões de novos eleitores que votaram nesta terça-feira (2/11), como indicam as pesquisas de boca-de-urna.

Quase 15% dos que votaram disseram que não votaram na igualmente disputada eleição de 2000, e mais de 60% destes disseram que optaram por Kerry neste ano. Por outro lado, Bush manteve 90% dos eleitores que disseram que votaram nele quatro anos atrás, e Kerry conseguiu 90% dos eleitores que votaram em Al Gore, o candidato democrata em 2000.

No eleitorado como um todo, muitos dos que votaram em Kerry disseram que consideraram seu voto como uma ação anti-Bush em vez de pró-Kerry, o que ajuda a explicar o motivo do candidato de oposição ter tido tamanha dificuldade para se firmar contra um presidente não muito popular.

Como esperado, e como na maioria das disputas em anos recentes, o eleitorado se dividiu praticamente no meio, mas Kerry conseguiu ligeiras vantagens nas pesquisas de boca-de-urna não apenas no voto popular nacional, mas nos Estados indefinidos mais disputados -Flórida, Ohio e Wisconsin. Três temas dominaram o pensamento do eleitor, sugeriram as entrevistas: a economia, a ameaça de terrorismo e, um tanto surpreendente, dado que os candidatos deram pouca ênfase neles, valores morais.

Em alguns Estados, como Ohio e Michigan, onde o desemprego tem sido severo, os eleitores mencionaram o emprego como um tema predominante, e Kerry se saiu melhor do que o presidente entre estes eleitores. Bush se saiu melhor no tema do terrorismo, seu tema principal, e Kerry se saiu melhor com os eleitores preocupados com o sistema de saúde.

Especialmente na Flórida, onde muitas pessoas se sentiram privadas de seus direitos quatro anos atrás, a lembrança daquela eleição permanecia fresca o suficiente para estimulá-las a votar. Elena Martinez, uma cubana-americana, disse que esperou duas horas na fila para votar em Kerry.

"Eu esperaria ainda mais se precisasse", disse ela. "Eu acho que precisamos de uma mudança e espero que a gente consiga."

Hamilton Blackman, um funcionário de companhia aérea que votou em Kerry em Liberty City, disse para um grupo de 50 voluntários que esperavam sob uma forte chuva antes do amanhecer: "Se for cair um raio, ele vai cair hoje. É a hora da virada. É votar ou morrer". Então o grupo se espalhou pelos bairros das minorias.

Segundo uma pesquisa de boca-de-urna, patrocinada por cinco emissoras de televisão, a agência de notícias "The Associated Press" e realizada pela Edison Media Research e Mitofsky International, as mulheres, membros das minorias, jovens, independentes, moderados e a geração do pós-guerra apresentaram uma tendência de votar a favor de Kerry.

Como antecipado, Kerry teve grande apoio dos negros, atraindo nove votos afro-americanos entre dez; talvez mais surpreendentemente, o senador também teve apoio sólido dos eleitores hispânicos.

O presidente se saiu melhor entre os brancos, homens, eleitores com alta renda e cristãos evangélicos. Bush dividiu o voto católico romano com Kerry, que é católico, mas cujas posições sobre aborto, casamento de mesmo sexo e pesquisa de célula-tronco está em conflito com a posição de sua Igreja. A pesquisa de boca-de-urna mostrou que os católicos que assistem a missa semanalmente preferiram Bush, enquanto aqueles que são menos praticantes apoiaram Kerry.

Kerry disse repetidas vezes durante a campanha que o país precisava de um recomeço, enquanto Bush enfatizou a necessidade de continuidade durante a luta contra o terrorismo. Alguns eleitores concordaram com um, outros com o outro, mas a pesquisa de boca-de-urna mostrou que no geral o eleitorado considera mudança mais importante do que uma posição clara, consistente, em questões importantes, algo que o presidente disse que Kerry carecia.

Em uma das medições mais atentamente observadas pelos estrategistas políticos e analistas, a satisfação com o atual presidente, Bush se saiu pior do que esperavam seus gerentes de campanha. Metade dos eleitores disse achar que o país está seriamente fora dos trilhos e ainda menos do que a metade disse estar indo na direção certa.

O país continua tão dividido sobre o sucesso ou fracasso de sua presidência quanto na época em que a Suprema Corte decidiu por pequena margem a eleição passada a seu favor.

A gravação de Osama Bin Laden que apareceu nos últimos dias de campanha aparentemente fracassou em beneficiar Bush, como previam alguns estrategistas. A pesquisa indicou que quase metade dos eleitores considerou a gravação um pouco ou muito importante, e estes votaram em Kerry. Aqueles que não lhe deram muita importância, que correspondiam a um terço do eleitorado, votaram no presidente.

Mais da metade das pessoas que tomaram a decisão em quem votar nos últimos três dias da campanha optaram por Kerry, indicou a pesquisa. Em Clayton, um subúrbio próspero de Saint Louis, Floss Frank, uma voluntária democrata que trabalhava do lado de fora do Museu de História do Missouri, disse que dois amigos dela decidiram votar em Kerry devido a suas preocupações com certas proteções constitucionais, como o direito ao aborto, diante da doença do ministro-chefe da Suprema Corte, William Rehnquist.

Em New Hampshire, dois eleitores falaram em nome de muitos no país que apoiaram Bush, em ambos os casos repetindo temas dos discursos e propagandas da campanha.

Frank Jacobs, 51 anos, um gerente de empréstimos que disse que geralmente vota nos democratas para a presidência, mudou seu voto desta vez para apoiar Bush.

"Eu sei que não encontramos nenhuma arma de destruição em massa, mas eu sei que os terroristas estão lá", disse ele, falando sobre o Iraque. "Eu gosto do que ele (o presidente) está fazendo na guerra contra o terror."

Jean George, 40 anos, uma consertadora de jóias e relógios, enfatizou a consistência, preferindo Bush em vez de seu rival neste item. "Eu acredito que ele sabe em que acredita, e ele não vacila em sua crença", disse ela. "Eu acho que ele tem uma melhor posição moral do que Kerry."

O comparecimento dos eleitores, enorme mesmo em Estados onde o clima era ruim, surpreendeu autoridades eleitorais experientes. Em Wisconsin, Pensilvânia, Missouri, Ohio e outros lugares, as pessoas aguardavam pacientemente em fila para votar, e as disputas nos locais de votação foram poucas e menos severas do que se temia, pelo menos nas primeiras horas.

No subsolo do condomínio Spring Manor, no nordeste de Minneapolis, 571 pessoas tinham votado até as 10h30 da manhã, aproximadamente o mesmo número que geralmente vota lá no dia todo.

No norte da Filadélfia foi a mesma história. Tim Robinson, um juiz eleitoral, disse: "As pessoas sabem que importa. Sendo a Pensilvânia um Estado indefinido importa ainda mais". Uma aparição do ex-presidente Bill Clinton em um grande comício no centro da cidade, uma semana atrás, pareceu ter ajudado Kerry entre os eleitores negros, além de uma propaganda de rádio na qual Clinton apoiava Kerry com estas palavras: "Não é culpa dele não ter nascido em Arkansas e seu pai não ter tido uma loja em um bairro negro. Ele tem um bom coração".

No Colorado, outro Estado indefinido, Gabriel Martinez, 40 anos, um funcionário de empresa de mudança nascido e criado em Denver, também foi convencido da importância de seu voto. "Antes parecia que não importava", disse Martinez, que votou em Kerry. "Eu decidi que é melhor votar uma vez na vida, pois o mundo pode acabar amanhã."

Milhares de neófitos políticos compareceram por todo o país para fazer o que podiam para ajudar o candidato de sua escolha. Na prefeitura de Wauwatosa, um subúrbio republicano a oeste de Milwaukee, Deb Hermsen, uma psicóloga, passou grande parte do dia atrás de uma mesa dobrável no estacionamento. Ela estava lá para ajudar na operação para incentivar as pessoas a votarem montada pelo MoveOn.org, um grupo ativista pró-democrata.

"Eu não sou realmente o tipo de pessoa que faz isto", disse ela. "Eu não sou tão política. Esta é a primeira vez que me apresento como voluntária para isto. Mas eu tenho três filhos, e imagino que isto é para eles, para que o futuro deles não seja colocado em risco."

*Contribuíram Rick Lyman em Milwaukee, Kirk Johnson em Denver, Kate Zernike na Filadélfia, Diane Cardwell em Saint Louis, Pam Belluck em Derry, New Hampshire, Abby Goodnough em Miami, Ford Fenssenden em Cleveland, e Steven Kinzer em Minneapolis. Boca-de-urna aponta que foi válido o esforço para registrar votantes George El Khouri Andolfato

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