UOL Notícias Internacional
 

03/11/2004

Resultados iniciais mostraram arrancada de Bush

The New York Times
David Stout*

Em Nova York
No final da terça-feira (02/11), o presidente Bush e o senador John Kerry estavam envolvidos em um difícil duelo eleitoral travado em tépidas regiões costeiras, em locais desérticos e em Estados da porção setentrional do meio-oeste, onde o frio já desfolhou as árvores. Enquanto isso, os norte-americanos votavam em quantidades que podem significar um recorde de comparecimento às urnas, a fim de escolherem o homem que vai liderá-los pelos próximos quatro anos.

Por volta das 20h (23h pelo horário de Brasília), cerca de metade dos Estados, incluindo a disputadíssima Flórida, vencida por Bush, havia fechado a maior parte ou todas as urnas. Os resultados, ainda que fragmentados, deram a Bush motivo para esperança.

Kentucky, Georgia e Indiana foram facilmente conquistados por Bush no início da tarde, como já era de se esperar. Os três Estados, que juntos representam 34 votos no colégio eleitoral neste ano, também votaram em Bush há quatro anos.

Em Ohio, no entanto, pesquisas com os eleitores que votaram indicavam que estes estão mais preocupados com a economia e com o desemprego. As pesquisas, conduzidas pela Edison Media Research e pela Mitofsky International para cinco redes de televisão e para a Associated Press, revelaram que a população espera que o próximo presidente modifique as perspectivas do Estado.

Kerry atacou Bush no que diz respeito à perda de milhares de empregos nas fábricas de Ohio, um Estado onde nunca houve a derrota de um candidato republicano que tenha sido eleito presidente.

Pesquisas com pessoas que votaram indicaram que aquelas que apóiam Bush têm como motivação a preocupação com os valores morais e com a segurança contra os terroristas. Kerry pareceu ter melhor aceitação entre as pessoas que citaram a guerra no Iraque, a economia e o sistema de saúde como as suas principais preocupações.

As primeiras indicações, conforme apontavam as previsões pré-eleitorais, eram de que haveria um grande comparecimento dos eleitores às urnas --talvez até mesmo um número recorde-- neste ano marcado pela polarização quanto a problemas internacionais e domésticos.

O fato de os apoiadores de Bush terem citado a guerra contra o terrorismo como uma das suas principais preocupações, enquanto que os correligionários de Kerry mencionaram a guerra no Iraque, indica que as tentativas feitas por Bush no sentido de retratar as duas campanhas como sendo realmente parte da mesma luta podem não ter tido a ressonância que ele esperava. As pesquisas indicam que cada vez mais gente começou a discernir uma diferença entre as duas questões.

Os próprios candidatos votaram juntamente com milhões de seus compatriotas em sessões eleitorais instaladas em comunidades ricas e pobres.

Quartéis de bombeiros, escolas, centros comunitários e igrejas foram transformados em palcos onde os eleitores, com o pressionar de um botão, um toque na tela de um computador ou a inscrição de um "x" em uma cédula, alimentavam as esperanças de que o candidato que escolheram seria o próximo presidente dos Estados Unidos. Os eleitores estavam também votando em vários congressistas e em quase doze governadores.

Após meses ouvindo as campanhas nas quais a guerra, o terrorismo e a economia dominaram o cenário, chegou a vez do povo dar a última palavra. E, de acordo com o que se presenciou na maioria dos lugares, foi exatamente isso que fez o eleitor. O índice de comparecimento foi alto na maior parte das áreas, estimulado sem dúvida pelos fantasmas de 2000 e por uma disputa que, segundo as pesquisas de opinião, foi uma das mais acirradas até o momento da abertura das urnas.

Conforme a tarde dava lugar à noite e as urnas começavam a ser fechadas em alguns Estados, persistia a impressão de que esta eleição será de fato marcada por uma extraordinária participação do eleitorado, e que a diferença entre vencedor e derrotado será muito pequena.

"Desta vez, com toda certeza, a espera para votar foi bem maior do que na última eleição", disse Joanne Chiari, que chegou à sua sessão eleitoral em Miami às 6h40, 20 minutos antes da abertura das urnas, e que, ainda assim, só conseguiu votar às 8h.

Ela disse ter votado em Bush. Mas no distrito de Little Havana, em Miami, que há muito tempo é um reduto confiável de apoio aos republicanos entre os exilados cubanos, havia muitos apoiadores de Kerry. Isso ficou evidente em uma batalha verbal entre cabos-eleitorais dos dois candidatos, que provocavam uns aos outros em lados opostos de uma rua.

"Da última vez votei em Bush, mais já estou farto dele", explicou Barbara Bueno, 45, uma personal trainer. "Mudei de idéia após constatar como Bush administrou mal esta guerra".

Nem o aparentemente alto índice de comparecimento na Flórida nem a atmosfera carregada chegaram a surpreender, devido àquilo que aconteceu no Estado quatro anos atrás. Mas longas filas de eleitores foram presenciadas em outros locais, das ruas congestionadas do Queens, na cidade de Nova York, à região setentrional de Estados do meio-oeste.

E embora alguns quadros eleitorais isolados não indiquem necessariamente os rumos da eleição, alguns eleitores disseram que, a sua participação seria mais no sentido de votar contra Bush do que a favor de Kerry.

Em Flushing, Queens, um dos distritos mais etnicamente diversificados da cidade de Nova York, Daniel Tien, 18, filho de imigrantes chineses que vota pela primeira vez, disse que Kerry é "o menor dos males". Tien disse temer que Bush faça uma guerra contra a Coréia do Norte em um segundo mandato, e que seja obrigado a servir nas forças armadas.

Os estrategistas de Kerry esperam que Tien seja um caso típico; eles procuraram fazer com que legiões de jovens apoiassem o candidato democrata.

"Vamos ver o que diz o povo", disse Bush após votar em Crawford, Texas. O presidente falou as repórteres tendo a mulher, Laura, ao seu lado. "Agora é o momento do povo expressar a sua vontade".

"Os Estados Unidos são um país forte, e eu creio que podemos ser ainda mais fortes", disse Kerry, após votar em Boston. "O próximo passo cabe agora ao povo norte-americano, que determinará o caminho que trilharemos".

* Colaboraram Christine Hauser, Maria Newman e Natalie Layzell, em Nova York, Howard Altman, na Filadélfia, Albert Salvato, em Ohio, Maria Herrera, na Flórida, e Jeremy W. Peters, em Detroit. Primeiras parciais da apuração indicaram as vitórias do presidente Danilo Fonseca

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