UOL Notícias Internacional
 

04/11/2004

Eleição representa vitória total dos republicanos

The New York Times
Adam Nagourney

Em Nova York
George Walker Bush declarou vitória na corrida presidencial nesta quarta-feira (3/11), impulsionando uma eleição nacional que ampliou a força republicana no Congresso e levou a Casa Branca a proclamar que Bush tinha conquistado o segundo mandato.

Bush estava radiante, acompanhado do vice-presidente Dick Cheney, em um comício em Washington, D.C., quatro horas após receber na Casa Branca o telefonema de reconhecimento do senador John Kerry, o democrata de Massachusetts que travou uma feroz batalha para removê-lo.

"Nós tivemos uma longa noite --e uma grande vitória", disse Bush. "Os eleitores compareceram para votar em número recorde e nos deram uma vitória histórica."

Ao telefonar ao presidente, Kerry abandonou a ameaça de contestar o resultado da eleição em Ohio, em deferência à vitória decisiva no voto popular do homem que quatro anos atrás obteve a presidência com menos de votos do que seu concorrente, Al Gore. "Nós não podemos vencer esta eleição", disse Kerry seriamente para seus eleitores no Faneuil Hall, em Boston.

A vitória de Bush representou uma surpreendente virada da fortuna para o 43º presidente do país, que por várias vezes neste ano parecia fadado a repetir o destino de seu pai, o de perder um segundo mandato por causa da fraqueza da economia.

Em vez disso, Bush conquistou mais votos populares do que qualquer presidente na história --59,1 milhões, ou cerca de 3,5 milhões a mais do que Kerry, se bem que em uma nação com uma população crescente de eleitores-- e se posicionando e ao seu partido para promover uma agenda conservadora em Washington ao longo dos próximos quatro anos.

Bush se tornou o primeiro presidente republicano desde Calvin Coolidge a conquistar a reeleição e ao mesmo tempo ganhar cadeiras na Câmara e no Senado; um ganho de pelo menos duas cadeiras na Câmara e quatro no Senado.

Apesar de os republicanos não terem conquistado cadeiras suficientes para dar a Bush um Congresso à prova de veto, o avanço do partido no Congresso resultou na derrota de Tom Daschle, o senador de Dakota do Sul que era o líder da minoria no Senado e era um dos rostos democratas mais familiares em Washington.

Os líderes republicanos prometeram renovar seus esforços para aprovar medidas bloqueadas pelos democratas, como a permissão para exploração de petróleo no Refúgio Nacional da Vida Selvagem no Ártico e limitações para indenizações nos processos de responsabilidade.

Bush apenas falou em termos gerais do que poderá fazer em um segundo mandato. Mas ele sinalizou fortemente que procurará estabilizar os governos do Afeganistão e do Iraque para permitir o retorno dos soldados americanos.

"Nós ajudaremos as democracias emergentes do Iraque e do Afeganistão, de forma que possam crescer em força e defender sua liberdade, e então nossos homens e mulheres das forças armadas voltarão para casa com a honra que merecem", disse ele.

A vitória fácil de Bush pareceu abrir o caminho para uma reforma de seu Gabinete, com John Ashcroft, o secretário da Justiça, e Tom Ridge, o secretário de Segurança Interna, liderando a lista de membros que provavelmente partirão, segundo funcionários do governo.

Cheney, ao apresentar o presidente no comício no Ronald Reagan Building and International Trade Center, a menos de um quilômetro da Casa Branca, deixou pouca dúvida sobre como este governo viu a eleição, e o que pretende fazer com isto. Ele disse que o presidente concorreu "com uma agende bem clara para o futuro desta nação, e a nação respondeu lhe dando um mandato".

A vitória de Bush foi alimentada em grande parte pelo imenso comparecimento para votar dos cristãos evangélicos, que provavelmente buscarão uma maior voz em decisões-chave da Casa Branca nos próximos quatro anos --em particular, as indicações de juizes para a Suprema Corte, que certamente serão feitas por Bush nos próximos meses.

Bush, como fez quando venceu quatro anos atrás, disse em seu discurso de vitória sobre buscar um entendimento com os democratas, dizendo que deseja unir um país que foi dividido não apenas pela disputa com Kerry, mas pelas circunstâncias da vitória de Bush quatro anos atrás.

"Eu quero falar para cada pessoa que votou em meu adversário", disse ele. "Para tornar esta nação mais forte e melhor, eu precisarei de seu apoio e trabalharei para merecê-lo. Eu farei tudo o que puder para merecer sua confiança. Um novo mandato é uma nova oportunidade para entrar em contato com toda a nação. Nós temos um país, uma Constituição e um futuro que nos une."

Kerry empregou um tom semelhante em seu discurso de admissão da derrota em Boston --que, com 16 minutos, durou seis minutos a mais do que o de Bush-- apesar de ter reprisado, mesmo que indiretamente, algumas das críticas que fez ao presidente durante a campanha.

"A América necessita de unidade e anseia por uma medida maior de compaixão", disse Kerry. "Eu espero que o presidente Bush promova estes valores nos próximos anos. Eu prometo fazer minha parte para tentar superar esta divisão partidária."

"Eu sei que este é um momento difícil para aqueles que me apoiaram, mas eu lhes peço --a todos vocês-- que se unam a mim nisto", disse Kerry, cuja voz às vezes mudava em uma não característica demonstração pública de emoção.

Dito isto, sob qualquer medida, a vitória de Bush sacudiu o cenário político em Washington. Assessores de ambos os partidos disseram duvidar --dada a história dos últimos quatro anos-- de que a capital caminhará para um período de calma política, independente do que o presidente e Kerry tenham dito após o término de sua disputa amarga.

"Eu não acho que uma eleição 51% a 49% seja um mandato", disse Terry McAuliffe, o presidente do Comitê Nacional Democrata em uma entrevista. "George Bush venceu, e eu o parabenizo por isto. Eles realizaram uma campanha bem eficaz e ele venceu. Eles precisam ser bem cuidadosos porque agora eles precisarão governar do meio, de uma forma bipartidária. Este país, como vimos pela eleição, está dividido ao meio."

Derrota completa

Durante grande parte da terça-feira e quarta-feira adentro, parecia que a eleição de 2004 se transformaria em uma reprise da eleição de 2000, com uma série de disputas apertadas e alguma confusão na contagem se combinando para criar uma noite de tumulto e incerteza.

Às 2h30 (5h30 em Brasília) de quarta-feira, o companheiro de chapa de Kerry, o senador John Edwards da Carolina do Norte, subiu ao palco em Boston, onde Kerry esperava declarar vitória, para dizer que a campanha contestaria o resultado de Ohio, e não reconheceria a derrota até todos os votos contestados serem contados.

Bush quase apareceu às 4h para declarar vitória diante da ameaça da campanha de Kerry. Mas a situação em Ohio estava longe de ser tão disputada como foi na Flórida, e os conselheiros de Bush decidiram aguardar, na esperança de que Kerry, desistisse de contestar o resultado e reconhecesse que a causa era perdida. Foi o que aconteceu.

A eleição de 2004 também foi diferente de outra forma. Apesar de todos os temores dos democratas neste ano, Ralph Nader, o candidato independente, obteve tão poucos votos que ele não teve nenhum impacto no resultado em nenhum dos Estados.

Se os republicanos estavam extáticos por ter conquistado uma vitória limpa, sem a bagagem de 2000, os democratas estavam desolados com o que vários descreveram como uma derrota completa na terça-feira, e já havia sinais de que o partido enfrentará um período sombrio de batalhas internas.

Vários democratas questionaram a decisão de Kerry de reconhecer a derrota sem pressionar por uma contagem plena dos votos em Ohio, alertando que isto desencorajará aqueles que votaram pela primeira vez, particularmente as minorias, em futuras eleições.

"Eu entendo a decisão de deixar tudo isto para trás, dada a matemática", disse Donna Brazile, que administrou a campanha presidencial de Al Gore em 2000. "Mas ele tem a obrigação de permitir que todos estes votos sejam contados."

De forma indicativa, associados de Edwards fizeram questão de informar aos repórteres que o senador pediu a Kerry que não desistisse tão cedo de Ohio, no que alguns democratas descreveram como provavelmente o tiro de largada para a campanha presidencial de 2008.

Edwards provavelmente buscará a indicação de seu partido naquele ano, e assim está disposto a não deixar que nada nestes últimos dias desta campanha possa vir a assombrá-lo em 2008.

"Ele apresentou seu ponto de vista e Kerry tomou sua própria decisão", disse um conselheiro de Edwards, acrescentando que o senador "ficou desapontado, mas está em paz com o resultado". Partido de Bush detém presidência e amplia controle do Congresso George El Khouri Andolfato

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