UOL Notícias Internacional
 

04/11/2004

Heróis de 'The O.C.' voltam ao lar na 2ª temporada

The New York Times
Virginia Heffernan

Em Nova York
Quando um programa de televisão tem o nome de um lugar --como "The O.C.", cuja temporada estréia nesta quinta-feira (04/11) nos EUA-- os personagens devem ser controlados com rédeas curtas.

Independentemente de sua política ostensiva, esses programas são fundamentalmente conservadores: a determinação de um garoto em sair da cidade constitui uma heresia para a qual não há perdão. Há apenas reparação. Na noite de quinta-feira, uma coisa fica clara: as personagens Ryan Atwood e Seth Cohen, desertores, devem voltar ao rico Orange County.

Mas como podem os dois ídolos adolescentes mudarem de idéia sem serem emasculados? Aí reside a mágica do programa, que continua sendo uma produção cuidadosa. Seguindo a inspiração de Josh Schwartz, produtor executivo e autor do programa, "The O.C." é muito mais coeso do que muitas séries de televisão.

No tom, na dicção, na moda e na música, Schwartz sabe como manter a história plausível, sem cansar seus fãs. Mas ele também se atém aos rituais rígidos que definem os dramas da televisão; sua disciplina ao amarrar o mundo que criou --em vez de ceder à impaciência e explodir tudo-- é admirável.

Acima de tudo, Schwartz tem um dom para misturar romance e a vida familiar, consciente de que romance em excesso assustará a congregação e domesticidade demais a entediará.

Tomemos Ryan (Benjamin McKenzie) como exemplo. Ryan é um delinqüente juvenil cuja meia adoção por um advogado de ideais públicos fez a estréia da última temporada. Se ele tivesse deixado o condado Orange para uma viver uma temporada romântica (de surfe e banda), sua volta significaria um castigo.

Os escritores, porém, sabem como jogar os dados. Em seu roteiro, o que levou Ryan a sair de Newport Beach e do lar de Sandy (Peter Gallagher) e Kirsten Cohen (Kelly Rowan) não foi a promessa de liberdade, mas um perverso auto-sacrifício. Ele se mudou para a cidade perigosa e lúgubre de Chino para ficar com Thereza, de classe operária, cuja gravidez pode ter sido causada por ele.

O crucifixo que aparece na casa da mãe de Thereza denota desajeitadamente que ela é a antagonista no universo do "The O.C." (ela é católica romana; os Cohen são judeus, apesar de celebrarem algo chamado "Chrismukkah", uma mistura das palavras de Natal e Hannukah).

Em conluio com sua mãe, Theresa se opõe ao aborto, o que a torna potencial destruidora dos sonhos dos homens. Para que o errado fique certo, a opção é Ryan fugir dela --sob as circunstâncias que colocam a culpa diretamente nela-- e voltar para a escola no Orange County, onde a série reside.

"The O.C." é um programa inteligente, e a revelação de um truque guardado para a estréia não vai estragar a surpresa. Ao final do episódio, Ryan não só se exclui da situação indevida, mas também afirma sua nobreza e vive para festejar mais um dia em Newport Beach.

Seth (Adam Brody) é outra história. Excêntrico e culto, Seth tem sede de viajar (ele gosta de velejar). Os comunicados para a imprensa do programa descrevem-no como um herói existencial nas linhas de Holden Caulfield.

Mas ele também terá que ficar em Orange County. E para que essa inércia faça sentido e não diminua seu brilho --Brody, ótimo no papel, disse que aos 25 anos é velho demais para estar na escola até na televisão-- sua vida claustrofóbica em família tem que ser arejada.

A redenção chegou na última temporada; é Ryan. A amizade de Ryan liberou Seth e ainda conquistou-lhe uma namorada. Agora, o relacionamento entre os dois é o centro do programa. Seth não agüenta os Cohen sem Ryan, mas, com ele, eles oferecem tudo que um bom menino quer: romance, com todos os confortos de casa.

Como Emma Woodhouse, que em "Emma", de Jane Austen, se casa com Knightley, apenas para levá-lo a viver com ela e seu pai e assim preservar seu status, Ryan e Seth, em "The O.C.", devem rejeitar a verdadeira aventura e aprender a encontrar excitação em casa.

Pensando bem, não é apenas a lição de "Emma" e de outros romances de costumes; é a lição da própria televisão. Não é de espantar que "The O.C." tenha tanto sucesso. De maneira brilhante, apresenta o espírito da mídia.

The O.C.

No Brasil, todas as quartas, às 20h no canal pago Warner.

Josh Schwartz: criador, produtor executivo e autor; McG e Bob DeLaurentis, produtores executivos; Allan Heinberg e Stephanie SAvage, produtores co-executivos. Produzido por Wonderland Sound and Vision e Warner Brothers Television Production Inc.

Com: Peter Gallagher (Sandy Cohen), Benjamin McKenzie (Ryan Atwood), Kelly Rowan (Kirsten Cohen), Adam Brody (Seth Cohen), Mischa Barton (Marissa Cooper), Tate Donovan (Jimmy Cooper), Melinda Clarke (Julie Cooper), Rachel Bilson (Summer Roberts) e Alan Dale (Caleb Nichol). Nova fase do popular seriado juvenil estréia em dezembro no Brasil Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    09h39

    0,11
    3,153
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h22

    -0,24
    65.179,92
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host