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05/11/2004

Direita radical deixa Partido Democrata sem rumo

The New York Times
Maureen Dowd

Colunista do NYTimes

Em Washington
Com o Partido Democrata respingado aos seus pés em pequenas poças azuis, John Kerry falou ao público abatido no Faneuil Hall, em Boston, sobre seu telefonema de reconhecimento de derrota ao presidente Bush.

"Nós tivemos uma boa conversa", disse o senador. "E falamos sobre o risco de divisão em nosso país e a necessidade, a necessidade desesperada, de unidade, para encontrar um denominador comum, para nos unirmos. Hoje eu espero que possamos iniciar a cura."

Democrata: preocupe-se em achar a cura para você mesmo.

W. não vê a divisão como um risco. Ele a vê como um piloto voando em formação.

O presidente foi reeleito dividindo o país ao longo das linhas do medo, intolerância, ignorância e norma religiosa. Ele não quer curar tais divisões; ele deseja fazer com que qualquer ralé que discorde se ajoelhe.

W. comanda uma jihad na América para que possa travar uma no Iraque --atraindo um rebanho devotado de evangélicos, ou "eleitores de valores morais", como chamam a si mesmos, às urnas se opondo ao aborto, sufocando a pesquisa de célula-tronco e apoiando uma emenda constitucional contra o casamento gay.

Bush, cujo governo expôs evidências falsas para nos atrair para a guerra no Iraque, prendendo nossas tropas em uma posição imoral sem nenhuma estratégia de saída, venceu nas "questões morais".

O presidente se diz "humilde" e deseja dialogar com todo o país. Que farsante. Os Bushes são sempre graciosos até as coisas não transcorrerem da forma que querem. Se W. não buscou dialogar após a eleição de 2000, em que ele perdeu no voto popular e só ganhou devido à ajuda da Suprema Corte, por que o faria agora que conseguiu o que Dick Cheney chamou de "ampla vitória nacional"?

Enquanto Bush fazia seu pequeno discurso sobre dialogar, os republicanos diziam ter "a luz verde" para buscar sua agenda conservadora, como explorar petróleo na reserva de vida selvagem no Alasca e reescrever o código tributário.

"Ele será muito mais agressivo no Iraque agora", previu alguém de dentro do governo. "Ele arrasará Fallujah se for preciso. Ele sente que os resultados eleitorais endossaram sua versão da guerra. Não esqueça que quanto mais rebeldes os soldados americanos matam, mais eles criam."

Basta escutar Dick (Meu Deus, este relógio cuco ainda é o vice-presidente?) Cheney, apresentando o Homem para seu discurso da vitória: "Esta tem sido uma presidência conseqüente que revitalizou nossa economia e reafirmou o confiante papel americano no mundo".

Ora, ela revitalizou o segmento da Halliburton na economia, pelo menos. E "confiante" não é a primeira palavra que vem a mente para a política externa de um país que alienou todos exceto Fiji.

O vice prosseguiu: "Agora nós avançamos para servir e proteger o país que amamos". Apenas Dick Cheney consegue fazer "servir e proteger" soar como "estuprar e pilhar".

Ele está criando o tipo de "democracia" que gosta. Um partido controla todo o poder no país. Uma rede serve como TV estatal. Uma nação domina o mundo como hiperpotência. Uma firma controla os contratos no Iraque.

Assim como Zell Miller foi tão exagerado na convenção republicana, a ponto de fazer Cheney parecer moderado, muitos dos vários novos membros do Congresso farão W. parecer moderado.

Tom Coburn, o novo senador de Oklahoma, defendeu a pena de morte para os médicos que realizam abortos e alertou que "a agenda gay" minará o país. Ele também caracterizou sua disputa como a escolha entre "bem e mal" e disse que soube que há um "lesbianismo desenfreado" nas escolas de Oklahoma.

James DeMint, o novo senador da Carolina do Sul, disse durante sua campanha que apóia a plataforma estadual republicana de proibir gays de lecionar em escolas públicas. Ele explicou: "Eu daria a mesma reposta se fosse questionado se uma mulher solteira grávida, que vive com seu namorado, deveria ser contratada para ensinar meus filhos na terceira série".

John Thune, que derrubou Tom Daschle, é um cristão conservador anti-aborto --ou "líder servil", como foi saudado em uma propaganda de campanha-- que apóia emendas constitucionais proibindo a queima de bandeiras e o casamento gay.

Vendo as pesquisas de boca-de-urna, os democratas começaram imediatamente a falar sobre valores morais e religião. Sua paixão repentina por cortejar os soldados cristãos brancos do Sul poderá criar um problema para a campanha de Hillary para 2008 (nada exceto uma estaca de madeira poderia detê-la).

Enquanto isso, a poça azul está se confortando com a expectativa de que este bando lunático fatalmente cometa um excesso e atinja a saturação, como ocorreu com deputado conservador Newt Gingrich nos anos 90.

Mas com este pessoal, é difícil imaginar o que seria um excesso. Invadir a França? Apenas grande erro dos republicanos será capaz de enfraquecê-los George El Khouri Andolfato

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