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05/11/2004

Mulher de John Edwards tem câncer de mama

The New York Times
Denise W. Grady e

Randal C. Archibold

Em Boston
Elizabeth Edwards, mulher de John Edwards, ex-candidato Democrata à vice-presidência, foi diagnosticada com câncer de mama. Ela recebeu a notícia no dia em que o líder da chapa, o senador John Kerry, admitiu a derrota nas eleições, segundo anunciou um porta-voz, na quinta-feira (04/11).

David Ginsberg, disse que Edwards e sua mulher foram direto dos discursos de concessão no Faneuil Hall para o Hospital Geral de Massachusetts, fazer uma consulta com um especialista que confirmou o diagnóstico por meio de uma biópsia.

O exame mostrou que o câncer era "infiltrante". Isso significa apenas que o tumor não está confinado ao ducto, mas atravessou sua parede e começou a invadir o tecido mamário vizinho. Dos casos de câncer de mama, entre 65% e 80% são carcinomas ductais invasivos.

A Sra. Edwards voltou a Washington e provavelmente fará seu tratamento em um hospital na cidade, disse Ginsberg. Mais exames estão sendo feitos para determinar a extensão do tumor.

Assessores de campanha disseram que o problema foi uma descoberta muito recente. Ginsberg disse que a Sra. Edwards, de 55 anos, notou pela primeira vez um caroço em seu seio direito na semana passada, em uma viagem de campanha. No entanto, ela decidiu esperar até a última sexta-feira para ver seu médico em Raleigh, na Carolina do Norte, porque iria para lá votar com seu marido, além de comparecer ao comício de boas vindas.

Edwards disse, em declaração: "Elizabeth é a pessoa mais forte que conheço. Unida, nossa família vai vencer isso".

Houve muita especulação quanto ao futuro de Edwards, depois que deixar o Senado em janeiro, mas Ginsberg, assessor antigo, disse que a saúde da Sra. Edwards será sua prioridade. "Estão definitivamente concentrados nisso", disse ele. O Sr. e a Sra. Edwards deixaram o palco rapidamente depois do discurso de Kerry na quarta-feira. Eles voaram para casa em Washington naquela noite, depois da consulta.

Kerry, segundo seus assessores, recebeu a notícia do câncer da Sra. Edwards na sexta-feira, depois de sua consulta com o médico em Raleigh, que suspeitou do caroço e recomendou que consultasse um especialista. Ela decidiu fazê-lo na quarta-feira depois das eleições, para não interferir no processo, disseram os assessores.

A Sra. Edwards continuou participando ativamente da campanha, visitando 12 cidades naquele final de semana e na segunda-feira, antes de chegar a Boston na terça. Colegas descreveram a Sra. Edwards, ex-advogada de falências, como a maior confidente e importante assessora de Edwards. Ela fez várias aparições em campanha por ele e trabalhou duro na estrada --em geral sozinha-- depois que Kerry nomeou-o para sua chapa.

Em entrevista no início do ano, quando Edwards era candidato à nomeação democrata, a Sra. Edwards disse que, como primeira dama, promoveria a consciência do câncer de mama e pressionaria as seguradoras a custearem exames mais freqüentes.

"Preocupo-me com a medicina preventiva, dou profunda importância a isso", disse ela, então. "Penso em uma empresa de seguros hipotética, dizendo que só pode pagar para mamografias a cada três anos para mulheres com mais de 50. Gostaria de usar meu papel para reclamar desse comportamento irresponsável. As mulheres com mais de 50 precisam de mamografias anuais."

Ginsberg disse que não saberia dizer se ela seguira esse conselho. Segundo ele, a Sra. Edwards adiou a visita ao especialista porque seu médico lhe disse que alguns dias não fariam diferença.

"Era seu desejo muito, muito forte, de continuar na campanha", disse outro assessor, acrescentando que o casal estava determinado a derrubar Bush.

No último final de semana da campanha, Edwards parecia estar acelerando suas aparições, encurtando seus discursos, algumas vezes para menos de 10 minutos, e, pela primeira vez em meses, chegando antes da hora.

Os assessores disseram que era para manter o ritmo de viagens intenso entre vários Estados indecisos, mas um assessor disse, na quinta-feira, que também era para permitir que tivesse mais tempo pessoal com sua mulher. A sexta-feira em que ela soube da possibilidade de câncer já era um dia emotivo para o casal e seus partidários, reunidos aos milhares no último comício em seu Estado natal, a Carolina do Norte, antes das eleições.

A Sra. Edwards votou com Edwards em um centro comunitário e, depois, no comício, fez um discurso extraordinariamente longo e lacerante contra o presidente Bush, antes de Edwards subir ao palco.

Ed Turlington, diretor da campanha de Edwards nas primárias, disse que viu a Sra. Edwards após e discurso e que ela parecia cansada, o que ele atribuiu ao desgaste da campanha.

Os Edwards estão casados desde 1977. Eles têm três filhos: Cate, 22, Emma Claire, 6 e Jack, 4. Seu primeiro filho, Wade, morreu em um acidente de automóvel em 1996, quando tinha 16 anos. Elizabeth fez tratamentos de fertilidade depois disso, para ter mais filhos, e deu a luz a Emma Claire aos 48 e Jack aos 50.

Tratamento

Cerca de 216.000 mulheres nos EUA devem desenvolver câncer de mama neste ano. A vasta maioria, 90%, terá o mesmo tipo que a Sra. Edwards, carcinoma ductal.

Um cirurgião de mama não envolvido no tratamento da Sra. Edwards, Dr. Eleni Tousimis, do Centro Médico de Nova York Presbyterian/Weill Cornell, disse que não havia dados relacionando a gravidez tardia ou tratamentos para fertilidade com riscos de câncer de mama.

Ele disse que o tamanho do tumor e sua disseminação determinarão os cursos de ação. Dependendo do tamanho do tumor e de quão avançado está, os cirurgiões removem apenas o caroço ou removem a mama. O primeiro caso é seguido de radioterapia.

Se o tumor for maior que um centímetro ou tiver se espalhado pelos linfonodos, ou se for de um tipo muito agressivo, então a paciente também é submetida à quimioterapia.

Além disso, se o tumor for sensível aos hormônios de estrogênio e progesterona, ela recebe tamoxifen ou outra droga que bloqueie os efeitos dos hormônios.

O câncer de mama diagnosticado cedo tem alto índice de sobrevivência, com mais de 90% dos pacientes vivendo cinco anos ou mais. Quando os linfonodos estão envolvidos, a percentagem cai para 70%.

Se os exames mostrarem que o câncer está avançado e se espalhou pelo corpo, Tousimis disse que os médicos normalmente não oferecem cirurgia ou quimioterapia a princípio, mas começam com tratamento hormonal para tentar conter o crescimento do tumor. Ela recebeu diagnóstico com o marido, ex-candidato a vice de Kerry Deborah Weinberg

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