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06/11/2004

Democratas devem se lembrar de "No Surrender"

The New York Times
Paul Krugman

Colunista do NYTimes
O presidente Bush não é conservador. É radical --líder de uma coalizão que reprova profundamente os EUA como são. Parte dessa coalizão quer derrubar o legado de Franklin Roosevelt, eviscerando a Previdência Social e, eventualmente, o Medicare (sistema de seguro estatal de saúde). Outra parte quer romper as barreiras entre Igreja e Estado. E graças a uma votação pesada de cristãos evangélicos, Bush tem mais quatro anos para fazer avançar essa agenda radical.

Os Democratas estão agora, compreensivelmente, engajados em um auto-exame. Mas apesar de ser bom repensar as coisas, os que abominam a direção que Bush está levando o país devem manter sua garra; não podem sucumbir ao derrotismo.

Estas eleições não provaram que os Republicanos são invencíveis. Bush não ganhou por grande maioria. Sem a aura ainda potente de 11 de setembro, quando a nação estava disposta a se reunir em torno de qualquer líder, ele não teria vencido. E eventos futuros quase certamente oferecerão oportunidades para a volta dos Democratas à Casa Branca.

Não desejo fracassos e escândalos maiores e piores durante o segundo mandato de Bush, mas espero-os. O ressurgimento da Al Qaeda, o desastre no Iraque, a explosão do déficit do orçamento e o fracasso em criar empregos não foram apenas coisas que aconteceram durante o governo Bush. Foram conseqüências de más políticas feitas por pessoas que deixam a ideologia atropelar a realidade.

Essas pessoas ainda têm os ouvidos de Bush, e sua vitória lhes dará ainda mais confiança para cometer erros ainda maiores.

Então, o que devem fazer os Democratas?

Uma facção do partido já está convidando os Democratas a apagarem as diferenças entre eles e os Republicanos. Ou, ao menos, é o que entendo quando Al From, do Conselho de Liderança Democrata, diz: "Temos que diminuir nossa diferença cultural." Mas esta é uma proposta perdedora.

Sim, Democratas precisam deixar claro que apóiam virtudes, que valorizam a fidelidade, a responsabilidade, a honestidade e a fé. Isso não deve ser muito difícil: Democratas têm tanta chance quanto Republicanos de serem maridos fiéis e bons pais, e Republicanos têm tanta chance quanto os Democratas de serem adúlteros, jogadores, ou viciados.

Massachusetts tem o menor índice de divórcios do país; Estados azuis (Democratas), em média, têm menores índices de nascimentos fora do casamento do que Estados vermelhos (Republicanos).

Mas os Democratas não terão o apoio de pessoas cujos votos são motivados, acima de tudo, por sua oposição aos direitos de homossexuais, ao direito de aborto (e, no fundo, oposição aos direitos das minorias). Se tentarem agradar aos intolerantes, só o que farão será alienar sua própria base.

Isso significa que os Democratas estão condenados ao status permanente de minoria? Não.

A direita religiosa --que não deve ser confundida com americanos religiosos em geral-- não é uma maioria, nem mesmo uma minoria dominante. É apenas um bloco de eleitores, a quem o Partido Republicano aprendeu a mobilizar com questões delicadas como o debate polarizador deste ano sobre o casamento gay.

Em vez de agradar eleitores que nunca vão apoiá-los, os Democratas --que estão se saindo bastante bem em angariar votos de moderados e independentes-- precisam se tornar igualmente eficazes em mobilizar sua própria base.

De fato, eles fizeram bons avanços, mostrando muito mais união e determinação do que se pensava possível há um ano. Eles teriam vencido, não fosse o efeito que ainda resta de 11 de setembro.

O que eles precisam fazer agora é desenvolver um programa político para cultivar essa intensidade. Isso significa estabelecer alguns objetivos críticos, mas realistas, para o ano que vem.

Os Democratas não devem se render a Bush quando ele tenta nomear juizes altamente partidaristas. Mesmo quando o esforço em vetar uma nomeação ruim fracassa, ele mostra aos partidários que o partido defende alguma coisa. Eles devem se preparar para tentar retomar o Senado ou ao menos tirar um bom pedaço da vantagem Republicana. Eles devem manter a pressão sobre Bush quando faz terríveis decisões políticas, que ele fará.

Tudo bem tirar algumas semanas para pensar. Os Democratas não devem desistir da luta. O que está em jogo não é só o destino de seu partido, mas o destino do país como o conhecemos.

(Aviso aos leitores: na semana que vem, vou começar umas férias há muito planejadas, para trabalhar em um livro texto de economia. Voltarei em janeiro). Canção de Springsteen, jingle de Kerry, faz muito sentido agora Deborah Weinberg

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