UOL Notícias Internacional
 

06/11/2004

Vitória de Bush tem lado bom, diz Michael Moore

The New York Times
Da Redação
O cineasta americano Michael Moore rompeu seu silêncio nesta sexta-feira (5/11) e manifestou-se publicamente pela primeira vez desde a vitória do republicano George W. Bush na eleição presidencial dos EUA.

Moore, que fez campanha contra Bush, apontou 17 razões de otimismo para animar aqueles que se decepcionaram com a reeleição do atual presidente. O cineasta é autor do documentário "Fahrenheit 11 de Setembro", que narra de maneira crítica as ações do presidente após os ataques terroristas em 2001.

Leia abaixo a íntegra do texto de Michael Moore:

"Queridos amigos,

Está certo, é péssimo. É realmente muito péssimo. Mas antes de você sacar todo o dinheiro do banco, vamos, nas palavras de Monty Python, "ver sempre o lado bom da vida!" Há algumas boas notícias nas eleições de terça-feira (02/11).

1 - É contra a lei George W. Bush concorrer à presidência novamente.

2 - A vitória de Bush foi a MAIS ESTREITA de um presidente em exercício desde Woodrow Wilson em 1916.

3 - A única faixa etária na qual a maioria votou em Kerry foi a de jovens adultos (Kerry: 54%, Bush: 44%), provando novamente que seus pais estão sempre errados e você nunca deveria ouvi-los.

4 - Apesar da vitória de Bush, a maioria dos americanos ainda pensa que o país está indo na direção errada (56%); que a guerra não valeu a pena (51%); e não aprova o desempenho de George W. Bush na presidência (52%). (Observação aos estrangeiros: Não tentem entender isso. É uma coisa americana, como Pop Tarts.)

5 - Os Republicanos não terão a maioria absoluta de 60 cadeiras no Senado. Se os Democratas trabalharem bem, Bush não será capaz de encher a Suprema Corte com os ideólogos de direita. Eu disse "se os Democratas trabalharem bem"? Talvez seja melhor riscar este item . . .

6 - Michigan votou em Kerry! Assim como toda a costa Nordeste, terra natal de nossa democracia. E também seis dos oito Estados dos Grandes Lagos. E toda a Costa Oeste! Mais o Havaí. Está bem, é um começo. Temos a maior parte das fontes de água, toda a Broadway e o Monte St. Helens. Podemos desidratá-los ou enterrá-los em lava. E chega de musicais!

7 - Novamente somos lembrados que a 'buckeye' (castanha nativa de Ohio) não é uma castanha qualquer --mas uma castanha venenosa. Uma grande nação foi derrubada por uma castanha venenosa. Que o Estado de Ohio pague caro neste sábado, quando enfrentar Michigan.

8 - 88% do apoio a Bush veio de eleitores brancos. Em 50 anos, os EUA não terão maioria branca. Hei, 50 anos não é tanto tempo! Se você tem dez anos de idade e está lendo isso, seus anos dourados serão verdadeiramente dourados e você será bem cuidado na sua velhice.

9 - Os homossexuais, com as medidas aprovadas na terça-feira, não podem se casar em 11 Estados. Graças a Deus. Imagine todos os presentes que não seremos mais obrigados a comprar.

10 - Mais cinco afro-americanos foram eleitos para o Congresso, inclusive a volta de Cynthia McKinney, do Estado da Geórgia. É sempre bom ter mais negros lá dentro lutando por nós e fazendo o serviço que nossos candidatos não podem.

11 - O C.E.O. (presidente) da [empresa] Coors foi derrubado para o Senado no Estado do Colorado. Beba!

12 - Admita: gostamos das gêmeas Bush e não queremos que partam.

13 - Nas legislaturas estaduais, Democratas abocanharam ao menos três Câmaras nas eleições de terça-feira. Das 98 Câmaras controladas pelos partidos (Assembléia e Senado), os Democratas entraram nas eleições de 2004 com 44 Câmaras, os Republicanos com 53, e uma estava empatada. Depois de terça-feira, os Democratas agora controlam 47 Câmaras, os Republicanos 49, uma está empatada e uma (Montana) ainda está indefinida.

14 - Bush agora é um pobre pato como presidente. Ele não terá momento melhor do que está tendo nesta semana. Daqui para adiante, tudo é decadência --e, mais importante, ele simplesmente não quer fazer todo o trabalho duro que se espera dele. Será como o último mês de colégio de todo mundo --você já terminou, então é hora de festejar! Talvez ele trate os próximos quatro anos como uma sexta-feira permanente, passando cada vez mais tempo na fazenda ou em Kennebunkport. E por que não? Ele já provou seu ponto, vingou seu pai e chutou nossos traseiros.

15 - Se Bush decidir aparecer para trabalhar e levar esse país por um caminho ainda mais perigoso, é igualmente provável que um dos seguintes cenários aconteça:
a) Agora que ele não precisa bajular os conservadores cristãos para ser eleito, alguém pode sussurrar em seu ouvido que dedique os últimos quatro anos construindo "um legado", para que a história lhe dê um veredicto mais gentil, e assim ele não promova uma política de direita muito agressiva; ou
b) Ele fique tão cheio de si e arrogante --e, portanto, descuidado-- que cometa um erro de tais proporções que até seu próprio partido tenha que o remover do cargo.

16 - Há quase 300 milhões de americanos --200 milhões deles com idade para votar. Nós só perdemos por 3,5 milhões! Isso não é uma lavada --significa que estamos quase lá. Imagine perder por 20 milhões. Se você estivesse a 50 metros da linha do gol, corresse 47 e você fosse detido, você ia parar, pegar a bola e ir para casa chorando --especialmente quando você ainda tem a vantagem de começar na linha dos três metros? Claro que não! Tenha esperança! Mais analogias esportivas vêm aí!!!

17 - Finalmente, e mais importante, mais de 55 milhões de americanos votaram no candidato chamado "o maior liberal do Senado". Isso é mais que o total dos que votaram em Reagan, ou Bush 1º, Clinton ou Gore. Ou seja, mais pessoas votaram em Kerry do que em Reagan. Se a mídia estiver procurando uma tendência, deve ser essa: que tantos americanos, pela primeira vez desde Kennedy, tiveram a disposição de votar num liberal assumido. O país sempre foi cheio de evangélicos --isso não é novidade. O que É novidade é que tantas pessoas se voltaram para um liberal de Massachusetts. De fato, isso é MESMO notícia. Ou seja, não espere que a grande mídia, aquela que trouxe para você a guerra no Iraque, jamais fale a verdade sobre 2 de novembro de 2004. De fato, é melhor que não fale. Precisaremos do elemento de surpresa em 2008.

Está se sentindo melhor? Espero que sim. Como me escreveu meu amigo Mort nesta quarta: "Meu avô romeno costumava me dizer: 'Lembre-se, Morton, este é um país tão maravilhoso --que nem precisa de presidente!'"

Mas precisa de nós.

Do seu,

Michael Moore" Cineasta aponta 17 pontos para animar quem se opôs à reeleição Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,56
    3,261
    Outras moedas
  • Bovespa

    18h21

    1,28
    73.437,28
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host