UOL Notícias Internacional
 

07/11/2004

Sucessão palestina responde e levanta dúvidas

The New York Times
Greg Myre

The New York Times
A lei palestina exige a eleição de um sucessor caso Iasser Arafat morra ou não possa exercer sua função, mas na confusão desde que ele ficou gravemente doente, muitas dúvidas foram levantadas sobre como seria escolhido um sucessor.

A lei diz que se Arafat morrer ou não mais puder servir como presidente da Autoridade Palestina, o presidente do Parlamento se tornará o líder interino da Autoridade Palestina e eleições deverão ser realizadas em um prazo de dois meses.

Mas alguns especialistas acreditam que a liderança palestina ignorará a lei e buscará nomear um líder.

Mokhaimer Abusada, um professor de ciência política da Universidade Al Azhar, na Cidade de Gaza, disse achar improvável que o atual presidente do Parlamento -Rawhi Fattouh, que é pouco conhecido entre os palestinos e não tem base política- seria autorizado a assumir a posição de liderança, mesmo que por um breve período.

Também há muitos obstáculos para a eleição, disse ele, citando as várias restrições enfrentadas pelos palestinos devido à presença militar israelense na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Com Arafat tão doente, os líderes palestinos estão enfatizando a unidade nacional, disse ele, e se concentrando na administração de assuntos rotineiros, não em organizar eleições.

"Eu concordo que o próximo presidente deve ser escolhido pelo povo", disse Abusada. "Mas eu não acho que a situação existente seja propícia para eleições."

Os mais prováveis sucessores como presidente são Mahmoud Abbas, o ex-primeiro-ministro e vice de Arafat na Organização para Libertação da Palestina (OLP), e Ahmed Qureia, o atual primeiro-ministro. A eleição não preencheria os cargos de Arafat como líder do Fatah e da OLP.

No sábado, Qureia fez uma rara viagem da Cisjordânia para a Cidade de Gaza para realizar uma reunião com as facções palestinas e forças de segurança. A ênfase foi dada à cooperação entre as várias facções em Gaza, cenário de disputa interna palestina nos últimos meses.

Uma possibilidade levantada nos últimos dias é de uma liderança coletiva para cuidar dos assuntos palestinos por um período transitório, com as eleições sendo realizadas em uma data posterior.

O mundo árabe não tem muita tradição de eleições competitivas, mas muitos palestinos aspiram criar uma. Em 1996, diante de pouca oposição, Arafat venceu facilmente a primeira e única eleição presidencial palestina, e seu movimento Fatah dominou as eleições parlamentares. Mas não ocorreu mais nenhuma eleição desde então, com os palestinos dizendo que as ações militares israelenses as tornaram impossíveis.

Eleições municipais estão marcadas para o próximo mês, a primeira desde 1976, décadas antes da Autoridade Palestina ser estabelecida. Antes da doença de Arafat, os palestinos também discutiam eleições presidenciais e parlamentares, apesar de nenhuma data ter sido estabelecida. As autoridades palestinas concluíram recentemente uma campanha de registro de eleitores.

Palestinos e israelenses continuam a entrar em choque diariamente na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

As forças israelenses mataram dois palestinos altamente armados no sábado, enquanto tentavam se infiltrar em um assentamento judeu no sul da Faixa de Gaza, disseram os militares.

Na cidade de Qalqilya, na Cisjordânia, dois militantes palestinos foram mortos e um terceiro ficou ferido quando o carro deles explodiu. Um oficial militar disse que nenhum soldado estava na área no momento. Em Jenin, um garoto de 14 anos, Ala Samara, levou um tiro fatal durante um confronto com soldados israelenses, informou a agência de notícias Associated Press, citando testemunhas palestinas. As forças armadas disseram que os soldados atiraram em um palestino que jogou uma bomba incendiária contra as tropas e se preparava para jogar outra.

Alguns palestinos dizem que as eleições são possíveis a curto prazo, caso haja ajuda internacional.

Mustafa Barghouti, um ativista político, disse que isto seria um teste para os países ocidentais, incluindo os Estados Unidos, que têm exigido reforma política dos palestinos.

"A comunidade internacional realmente deseja uma reforma democrática ou só quer uma mudança de regime?" disse ele. "Se fala sério, ela virá ajudar. Esta é a única forma de podermos ter uma eleição apropriada."

Apesar de Arafat ser há muito tempo a figura palestina mais popular, os palestinos têm se tornado cada vez mais críticos da corrupção desenfreada na Autoridade Palestina.

Muitos palestinos vinham exigindo eleições presidenciais antes da doença de Arafat, e agora dizem que qualquer futuro líder necessitará de credenciais democráticas para melhorar sua posição.

"Arafat contava com o apoio do povo, e é daí que ele tirava sua força", disse Mazan Ibrahim, 45 anos, um palestino que trabalha na agência de refugiados da ONU que ajuda os palestinos. "O próximo líder terá que obter sua legitimidade por meio de eleições. Nós não aceitaremos alguém que seja nomeado ou imposto a nós."

A facção islâmica Hamas, que pede pela destruição de Israel, boicotou as eleições de 1996 e se recusou a participar da Autoridade Palestina. Mas está se preparando para participar das eleições locais e pode considerar disputar as eleições nacionais. Pesquisas de opinião mostram que o Hamas é apoiado por 25% a 30% dos palestinos em Gaza, a fortaleza do grupo. Palestinos não sabem como fazer para indicar sucessor de Arafat George El Khouri Andolfato

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