UOL Notícias Internacional
 

09/11/2004

Americanos dominam Fallujah prédio por prédio

The New York Times
Dexter Filkins

Em Fallujah, Iraque
Os dois soldados estavam retidos em um telhado, agachados contra um muro baixo que estava desmoronando, enquanto rebeldes disparavam granadas propelidas por foguetes contra eles de um prédio próximo, no meio da cidade.

Horas depois, eles subiram com dificuldade sobre um aterro ferroviário --que os protegia, segundo soldado engenheiro-- e começaram seu avanço nesta cidade dominada pelos rebeldes. Os comandantes requisitaram fogo de artilharia contra o prédio de onde vinham as granadas, com suas caudas cuspindo e brilhando como fogos de artifício contra o céu escuro. Mas a artilharia apenas demoliu o prédio vizinho ao ocupado pelos rebeldes.

"Isto é loucura", disse um dos soldados.

"É", respondeu seu colega, "e só tomamos uma casa".

Isto é uma guerra urbana, na qual as vantagens tecnológicas das forças armadas americanas podem ser anuladas, pelo menos por algumas horas assustadoras, por poucos combatentes determinados em um depósito ou casa abandonada. Nesta noite, os rebeldes dispararam sinalizadores brilhantes vermelhos e azuis, cegando o sensível equipamento de visão noturna dos americanos, e se deslocando rapidamente de uma casa para outra na esperança de confundir a artilharia.

Por horas, eles tiveram sucesso, retendo cerca de 150 marines liderados pelo capitão Read Omohundro, um robusto diplomado pela Texas A&M que tem o hábito de caminhar ereto em meio a rajadas de fogo de morteiros e granadas enquanto todos os demais estão abraçados a um afloramento de concreto.

Mesmo Omohundro reconhece que isto é muito diferente de uma luta no deserto aberto, onde os americanos sempre estiveram fadados a vencer --e rapidamente.

"O desafio é que o campo de batalha é tridimensional", disse Omohundro. "Você não apenas tem que olhar para frente e para trás, mas também para cima e para baixo --até mesmo para o subterrâneo", disse ele.

Esta noite se tornará uma ilustração de manual destas complexidades. A unidade de Omohundro começou a avançar na direção da berma em veículos blindados de transporte, que deixaram um acampamento a cerca de 1,5 quilômetro ao norte por volta das 19 horas. Ele deveria se encontrar lá com outra unidade -mas ela se perdeu.

Finalmente ele a encontrou, e seus homens iniciaram sua parte da invasão disparando uma longa corda de 200 metros, contendo mais de 800 quilos de explosivos, na direção sul da berma, para o centro de Fallujah. Os soldados temiam que o caminho para a cidade estivesse minado. Mas quando a carga explodiu, ela também disparou qualquer mina que estivesse no caminho estreito ao seu redor.

Tal tática funcionou, mas quando os soldados escalaram a berma na escuridão total e foram além, eles descobriram um terreno rochoso irregular, com sucata enferrujada enchendo o caminho -uma típica área ferroviária nos limites da cidade. Eles abriram caminho rumo ao seu primeiro objetivo, uma pequena rotatória, e além dele, os primeiros prédios da cidade.

Mas os soldados começaram a receber fogo antes mesmo de passarem pela berma. Esporadicamente, a área explodia com tiros, granadas propelidas por foguete e morteiros. O avanço emperrava enquanto avistadores tentavam localizar as posições dos rebeldes e eliminá-los com armas pesadas.

E por um momento, este assustador campo de batalha urbano se tornou uma cacofonia pulsante de sons estranhos e mortais. As mesquitas da cidade transmitiam convocações de jihad por meio de seus alto-falantes. Os F-18 realizavam 3 mil disparos por minuto em rajadas que soavam estranhamente como arrotos. Aviões AC-130 zuniam no alto, com seus canhões disparando à medida que encontravam alvos.

E talvez o mais estranho de tudo eram as tropas americanas, que trouxeram seus próprios caminhões de "operações psicológicas", tocando em alto volume antigas canções do AC-DC, algo que soava como um barulho de sonar e o sinal de ataque da cavalaria, criando com isto um dueto de pesadelo com as mesquitas.

Omohundro não gostava de ficar sentado parado neste teatro apocalíptico, e por um bom motivo. "Meu maior temor é permanecer no mesmo local tempo demais", disse ele. "Eles nos localizarão e começarão a atirar."

Eventualmente a artilharia encontrou a casa de onde partiam as granadas e a demoliu também. Um AC-130 passou no alto, mas decidiu que aquela ameaça tinha sido aniquilada juntamente com o prédio.

Então os disparos recomeçaram, de outra janela entre as ruas rachadas e becos retorcidos de Fallujah. Numa guerra urbana, a vantagem tecnológica americana é anulada George El Khouri Andolfato

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