UOL Notícias Internacional
 

10/11/2004

Tropas dos EUA alcançam área central de Fallujah

The New York Times
Dexter Filkins* e

Robert F. Worth

Em Fallujah, Iraque
Tropas americanas chegaram na terça-feira (9/11) ao centro de Fallujah, a parecem agora controlar entre um terço e a metade de uma cidade que tem sido o epicentro da resistência, tanto real quanto simbólica, desde o segundo trimestre deste ano.

Marines e soldados dos Estados Unidos lutaram contra insurgentes de casa em casa nas ruas e becos tortuosos, enquanto avançavam pela cidade, a partir do norte, em uma ofensiva que começou na noite de segunda-feira, após semanas de bombardeiros aéreos e ataques de artilharia.

A batalha pelo controle de Fallujah, uma cidade de 300 mil habitantes que fica aproximadamente 56 quilômetros a oeste de Bagdá, é tida como a mais significativa desde que a capital caiu em poder das forças invasoras dos Estados Unidos há 19 meses.

"Estamos um pouco adiantados em termos da tática de guerra utilizada no nosso processo de planejamento", disse o general Thomas Metz, comandante das tropas norte-americanas no Iraque, durante uma entrevista a redes de televisão em Bagdá. "Porém, a luta em Fallujah está longe do fim. Estamos agindo com rapidez, mas sem afobação".

Metz calculou que, até o momento, as baixas sofridas pela coalizão sejam em torno de uma dúzia, mas se recusou a fornecer mais detalhes. Ele acrescentou que as baixas entre o inimigo foram maiores que o previsto, mas lembrou aos jornalistas que o exército norte-americano não faz uma contagem oficial de corpos dos adversários.

O general estimou que entre 2.000 e 3.000 insurgentes estejam enfrentando as forças dos EUA em Fallujah, mas disse ainda que suspeita que vários dos principais líderes rebeldes, incluindo o aliado da Al Qaeda, Abu Musab al-Zarqawi, fugiram antes que a cidade fosse completamente isolada. Vários insurgentes foram capturados e acredita-se que venham a fornecer importantes informações para a inteligência militar norte-americana, disse Metz.

Relatos de soldados e testemunhas posicionados no interior de Fallujah, 16 horas após o início do ataque norte-americano, indicavam que ainda havia combates pesados sendo travados no quadrante sudoeste da cidade, embora não houvesse qualquer informação definitiva quanto a baixas entre as forças dos Estados Unidos, o contingente de aliados iraquianos ou os insurgentes.

Não havia também informações confiáveis sobre baixas entre a população, embora pareça que a maior parte dos moradores tenha atendido às advertências e deixado a cidade antes da noite de segunda-feira. Oficiais dos Estados Unidos dizem que neste momento a cidade está selada, não existindo mais nenhuma entrada ou saída.

As forças terrestres dos Estados Unidos, apoiadas por artilharia e bombardeios aéreos, teriam atingido, ou, em certos locais, quase atingido, a Estrada 10, também conhecida como Rua Principal, uma rodovia no sentido leste-oeste que divide a cidade em setores norte e sul, e que teriam tomado objetivos importantes, como o quartel de polícia, ao longo de sua marcha.

Um combate feroz irrompeu no centro de Fallujah na mesquita Hatra Muhammadia, onde os insurgentes se entrincheiraram. Tanques e aviões norte-americanos bombardeavam as paredes externas da construção, enquanto tropas norte-americanas e iraquianas se aproximavam.

No entanto, tão logo as forças alcançaram a mesquita, somente as tropas iraquianas entraram. Pelo menos seis marines feridos puderam ser visto em frente à mesquita, cuja cúpula permanecia intacta.

"Por razões culturais, acreditamos que é bem melhor que os iraquianos vasculhem as mesquitas", disse Metz, acrescentando que as forças iraquianas encontram um grande número de armamentos dentro de uma mesquita da cidade.

Relatos vindos do interior da cidade atestavam que os insurgentes estariam dizendo que não estão batendo em retirada, mas sim atraindo as forças dos Estados Unidos para uma "zona da morte" nas profundezas da cidade, embora tal estratégia não tenha sido até o momento comprovada.

Segundo comandantes militares, a maior parte dos 6.500 soldados norte-americanos e 2.000 iraquianos entrou na cidade por seis pontos diferentes com o objetivo de neutralizar os insurgentes em uma casa por vez, até que possam capturar vários prédios públicos no coração da cidade.

As forças armadas dos Estados Unidos disseram que a operação corria "sem percalços" e anunciaram uma resistência menor do que a esperada em Jolan, um labirinto de ruelas controlado por militantes sunitas. Em abril, as tropas norte-americanas cercaram o bairro, sem, entretanto, invadi-lo.

No início da terça-feira, a Associated Press anunciou que moradores disseram que intensos combates de ruas eram travados em setores do norte da cidade, onde eram ouvidas ferozes rajadas de armas de fogo. Testemunhas disseram à Associated Press que viram dois tanques norte-americanos em chamas, mas esse relato não pôde ser confirmado.

A Associated Press relatou ainda que um helicóptero Kiowa, que voava sobre o sudeste de Fallujah, foi atingido por projéteis disparados do solo, e que o piloto parece ter sido ferido, tendo, porém, conseguido retornar a uma base norte-americana.

*Colaboraram James Glanz, de Bagdá, e Mark Glassman e Mark J. Prendergast, de Nova York. Mas a maioria de líderes rebeldes ou da Al Qaeda já saiu da cidade Danilo Fonseca

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